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Abraçar

As interrupções abruptas não são bem-vindas, mesmo quando são necessárias. Nunca são fáceis ou ligeiras. Num momento está tudo normal e é assim que se espera que continue mas de um momento para o outro tudo pode mudar e isso nunca foi tão real como agora. Já tinha sentido esse choque quando mudei de escola e passei do colégio para a secundária. Já tinha sentido a violência de uma interrupção abrupta e permanente, quando o meu avô morreu, algures naqueles primeiros dias do mês de março e mais tarde nesse ano quando partiu também o meu outro avô. Alguns anos nem deveriam fazer parte do calendário. Todos os dias morrem pessoas, dizem… mas não a mim, a mim até então não tinha morrido ninguém de importância extrema. Com o passar do tempo habituamo-nos e conformamo-nos com esta realidade, não se pode fazer nada. Aceita-se com maior naturalidade quando temos mais idade e quando se percebe que o fim é inevitável e o fim do sofrimento também, como foi no caso das minhas avós. Não é fácil ma...

Não vai a bem, vai a mal.

Algumas pessoas precisam ser despenteadas! Concentra-te. Foca-te. Segue e recua. Faz inversão de marcha, pára! Segue-se um: inspira e expira, com calma. O mundo não vai acabar à amanhã. Roma e Pavia não se fizeram num dia e uma criança demora 9 meses a ser gerada. Há tempo e momentos para tudo. Não tem de ser uma coisa linear, pode ser um tempo e momento personalizado. Cada um sabe de si. Preocupa-te contigo e não com o que os outros pensam. AMA, AMA, AMA livremente… permite-te sentir. Cai e levanta-te. Sê grande. Maior que o teu tamanho. A alma também se amplia. Deixa as melenas do cabelo caírem soltas, sem obrigatoriedade. Anda descalço. Sente frio e calor, aprecia! Deixa que te abracem. Deixa que a pele te toque, arrepia-te. Fala baixinho. Sente muito, sente tudo. Permite-te. Despenteia-te. Sê livre