Coisas da loucura. Quando já não se suporta o tempo normal dos dias, quando fica intolerável o peso da roupa no corpo, quando o frio não cessa o calor, só pode ser loucura. O saber que se quer muito, e não saber o que fazer. O desejo acumulado que rebenta por todos poros. As noites de sono perdido, horas lentas contabilizadas a conta gotas. Dias que parecem meses. O perder o norte e todos os restantes sentidos. Estado febril de alma, dormência, demência, ausência e muita urgência. Doença diagnosticada que se alastra lentamente pelo corpo, percorre a pele e todas as entranhas. Células de ADN reprogramadas. Cegueira momentânea ou permanente, que acompanha a propagação da loucura. Como a água que transborda de uma albufeira, alastra-se por toda a extensão de terreno, infiltra-se e faz-se absorver pela terra, sem que esta tenha opção de escolha. É a necessidade, a seca que tem de ser combatida, o restabelecer da ordem natural das coisas, a natureza sabe o que faz. ...
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