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PASSATEMPO PARA O DIA DOS NAMORADOS

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Perpetuar a memória

Estava hesitante se deveria escrever este texto, hoje e por ser hoje. Entretanto depois de refletir bem sobre o tema, não só conclui que devo como é essencial que o faça.  A memória das pessoas que amamos ficará sempre viva enquanto houver quem se recorde. E eu quero recordar a minha avó, hoje e sempre. Enquanto eu me lembrar dela e registar isso, ela vai continuar a alimentar o meu imaginário e a reconfortar a minha alma. Vai viver algures neste espaço em que eu vivo, outros irão ler o que escrevo sobre ela e recordá-la ou simplesmente imaginar e sentir a ligação que existe entre nós. É uma ligação perpetua, nunca existirá um verbo no passado entre nós. Por isso é com sentido de missão que escrevo este texto, hoje e sempre que me apetecer escrever sobre a minha avó. Não é doloroso escrever sobre ela, ainda que me inundem as saudades, é o conforto do amor que me faz escrever, falar ou pensar nela. Hoje faz dois anos que ela morreu e esse sim, foi um dos dias mais triste...

Ausência

O antes, na antevisão do que sabemos inevitável, é sempre um momento de preparação que nunca nos prepara verdadeiramente. Sabemos que as pessoas morrem, que os momentos não se repetem, que nunca mais vamos ter aquela idade ou voltar a viver aquele dia e por isso, no momento de reflexão sobre o presente, queremos absorver todas as sensações ao máximo e gozar a vida e a presença dos outros com entusiasmo. Na realidade não sabemos como é não tê-los, eles estão ali, palpáveis, fazem parte de nós e da nossa história. Só quando a ausência que as saudades bem marcam, se começa a sentir é que entendemos o exercício que fizemos no antes, e valorizamos o esforço que foi feito para gravar todas as sensações do instante. Antes, conscientes da importância não sabíamos o seu significado. Podemos imaginar como magnífico é o mar por fotografia...

Simplicidade

No fundo, o que esperamos da vida são um conjunto de coisas simples. Simples ao ponto de não nos causar mossa, de não nos deixar desconfortáveis, de não nos fazer sofrer ou chorar, de não nos deixar torturados por motivos vãos…viver com a simplicidade de respirar, só isso. Na impossibilidade de conseguirmos contornar as adversidades, porque quer queiramos quer não acontecem, podemos escolher vivê-las com peso, com dor, com sofrimento ou deixá-las fazerem o que têm a fazer, tentar não deixar que nos consumam ou que nos deixem imobilizados para viver a vida. Temos escolha, temos sempre escolha. Não viver não é opção… por isso, mesmo que os dias sejam cinzentos, duros ou dolorosos são passageiros. Mesmo que os períodos complicados sejam longos, serão sempre mais longos e penosos de acordo com a forma como os vivemos. Quando nos deixamos absorver pelo mau e pelo negativismo, minamo-nos. Passamos a viver com o domínio total do medo, do presente e sobretudo do futuro. Temos medo ...

Aqui e Agora

Hoje é assim. Vivemos projectados num futuro qualquer, que definimos. Achamos que se nos projectarmos ali, vamos conseguir contornar todos os obstáculos e dominar o nosso destino. É bom conseguirmos antever ou tentar, o que pretendemos, é como ver a cenoura na meta... se fossemos um coelho. Dá-nos um estímulo para fazer mais e melhor, para trabalhar com afinco, para lutarmos, para darmos o corpo às balas, para mexermos o rabo da cadeira, isso tudo. É bom termos alvos definidos ou pré-definidos, precisamos saber para onde vamos (às vezes) desde que isso não comprometa o presente. O presente é onde vivemos, é o aqui e agora. E a reforma? A doença? E daqui a um ano? E se morrer amanhã? Não vivi hoje. Não sou pessoa para achar que devemos andar à deriva, não me sinto confortável com essa ideia. Mas também aprendi que nem tudo está ao meu alcance ou que nem tudo é passível de controlo, de intervenção ou é para coordenarmos. A vida vive-se, precisamos deixar algum espaço para a ...

Fenómenos Paranormais

Existem os fenómenos do Entroncamento e depois existem os fenómenos típicos do sexo masculino. Sejam ou não do Entroncamento, do norte ou do sul, deste pais ou de outro qualquer. Desconfio que é uma questão transversal, porque se escreve nas diversas línguas do mundo sobre o tema. Assim sendo, arrisco-me a dizer que é um calamidade que afecta as mulheres de todas as nações e que se encontram mais ou menos na minha faixa etária, um pouco mais para baixo ou um pouco mais para cima. É um comportamento típico do sexo masculino, mas não exclusivo, algumas mulheres também comentem a mesma falha. Desconfio que por imitação, para seguirem a mesma cartilha sob o lema: olho por olho, dente por dente. Como quem diz: se não gostam, não façam…mas vejam lá se gostam que vos façam o mesmo? (e riem no final) “Eles oferecem sempre mais do que estão preparados para dar…” Homens, expliquem-me porquê? Estou numa fase, em que as explicações razoáveis para este tipo de comportamento, estão...

Reciprocidade

Reciprocidade é isto: saber que tu estás aqui para mim, como eu estou aqui para ti. É confiar, acima de tudo. É deixar que me inundes quando me encho em indefinições e hesitações. Dás-me conforto, sabes ouvir. Somos como dois países em cooperação, fornecemos auxilio. Somos trocas, incentivos e recetividade. A reciprocidade incorpora-nos como a pele, não sabemos ser de outra forma. Amamos muito. Aquilo que nos define, na reciprocidade do amor, é muito mais profundo que a simplicidade das palavras, somos somas e não complementos. Sei que se fechar os olhos e me deixar ir, tu vais estar lá para me receber, para me tratar, orientar e cuidar. Tu sabes que terás o mesmo de mim. Sem cobranças ou exigências, apenas com entrega. Mesmo que o mundo nos separe, a história, a vida ou o destino, manteremos este elo que nos predestina a uma união vitalicia.Tenho tanta sorte! Temos tanta sorte! Num mundo separado por guerras e oceanos, reconforta-me saber que posso voltar para ti,...

Feliz Natal

Posso ter saudades do que já vivi, posso ter saudades do que já passou mas tenho seguramente sempre muitas saudades dos meus avós. Fazem-me falta, todos os natais. De tudo, é no natal que sinto mais falta deles.Também tenho saudades de ser criança e de sentir a excitação típica desta época, o pai natal, a magia, os cheiros, os doces, a casa cheia, os meus primos, as maratonas de desenhos animados e a lareira acesa bem quente a deixar-nos a bochechas a escaldar.  Tudo muda, a família transforma-se, uns ficam e outros vão mas o essencial nunca se perde, não por ser natal, mas também por isso juntamo-nos para celebrar, para nos relembrarmos de onde viemos e porque estamos aqui. Somos destas pessoas e estamos aqui para elas. É mais o que nos une, do que todas as demais contrariedades.  Por isso, por ser natal agora e na prática quando se quiser, não devemos perder a oportunidade de abraçar quem amamos ou de dizer gosto de ti ou um simples adoro-te.  Se no re...

Acreditar

O que eu quero é tão simples. Nem mais nem menos do que te irei confidenciar.  Ouve com atenção amor, o que vou dizer.  Fecha os olhos e sente cada palavras. Vivemos no mesmo tempo, nem sempre partilhamos o mesmo espaço.  Mas coexistimos no presente. Ninguém se compara a mim. Ninguém cheira como eu, ninguém faz as coisas como eu faço. Neste universo que partilhamos, sou única e incomparável. Faço-te sentir especial. Quero perder a noção do tempo quando estou contigo.  Deixar de ter os dias contados e os encontros marcados. Quero espontaneidade e vontade. Quero querer por querer.  O sentir saudades e dizer.  O preocupar, cuidar e amar. Divago no meio de palavras e pensamentos, e nem sempre digo o que penso.  Deixo-me encantar. Acredito sempre na possibilidade que um dia mudes e que me faças sentir especial. Nunca acontece, mas acredito sempre. Todas as vezes, encho-me de esperança. Não foi ontem, há-de ser amanh...

Feliz Natal

Este natal o presente sou eu, como em todos os outros. Inteira e incompleta, mas presente no tempo e no instante certo. Neste natal, no que passou e no que ainda virá, serei o teu presente, sempre. Como dádiva de natal na vida que nasce e renasce, e no tempo do presente que conta. Hoje. Este natal o presente sou eu. Este natal o teu presente sou eu.

A.V. e D.V. (para o Vasco)

A minha vida não ficará igual, há o Antes de Vasco (A.V.) e o Depois de Vasco (D.V.). É verdade que assim é. Sempre achei que tinha bem identificada a definição de amizade e que até fazia bem uso de mesma, mas com o convívio com o Vasco, percebi que sou apenas uma aprendiz feiticeira e a léguas do real sentido de amizade que o Vasco me passou. No dicionário deveria constar na definição de amizade: Conceito de vida seguido à risca pelo Vasco Noronha; exemplo de amizade universal a aplicar. Seria justo que assim fosse. É por isso que existe este blog, foi por isso que chorei no dia 5 de Setembro, foi por isso que sorri todas as vezes que nos encontrámos, que convivemos, nos nossos aniversários, pelas mensagens carinhosas que sempre me enviou, pelos incentivos e preocupações, pelos sms carinhosos, pelas músicas e efemérides assinaladas no facebook, pelos abraços, risadas e pela saudade que sinto dele. Por isso existe o antes e o depois do Vasco. Antes eu não sabia que pod...

Diz que vens...

Se eu pedir para ficares, ficas? Se eu te pedir para vires, vens? Posso subornar-te com beijos? As histórias têm todas um começo, mas eu quero que a nossa tenha o presente como meta, quero hoje, quero amanhã, quero o sempre. O sempre na duração do nosso amor, como uma sede insaciável que nunca conseguimos superar. Sôfregos, desejosos e quentes… Não quero os tempos contados, nem as palavras sempre simpáticas, quero os actos marcantes que me deixam sem palavras, quero as surpresas inesperadas e as rotinas alteradas. Quero-te a ti só porque sim, se me fazes sentir saudades, é a ti que eu quero. Posso rabiscar argumentos infinitos, dar-te a chave da porta, deixar-te entrar, dizer-te aquilo que sabes porque sentes o mesmo… se te pedir para vires, vens? Quando os sonhos me chegam, na noite já alta, mesmo que não queira, mesmo que não escolha a minha alma viaja até ti. É lá que desejamos estar, perto de ti, com os teus cheiros, o teu toque, a tua presença. Diz que fic...

Regresso às aulas

Na nossa memória cabe tudo e em alguns buracos bem escondidos, depositamos de tudo: memórias boas, más, acasos, lixo, tralha e esquecimentos.   Eu tenho uma boa memória, de um modo geral, mas este ano, no "regresso às aulas", apercebi-me que arrumei alguns acontecimentos da minha vida tão bem, que já nem me lembrava deles! Não que sejam traumatizantes, talvez por serem apenas rotineiros, ficaram a um canto da minha memória.   O que me fez descobrir isto, foi o facto do meu sobrinho ter, este ano, entrado para o colégio onde também eu andei. Imaginem, a última vez que passei naquele portão tinha 12 anos e regressei agora aos 36. Foi muito tempo!    Apesar de tudo não me senti nostálgica, dali só recordo coisas boas, os meus melhores anos escolares e o período mais longo, 6 anos.  Está tudo diferente mas igual... Tudo melhorado mas no mesmo sítio, apesar do colégio ter crescido.   Com isto, comentei com a minha mãe que não me lembrava quem me...

Perde o juízo e vem

Podia começar assim a chamada ou um simples pedido: perde o juízo e vem! Assim sem mais nem menos, sem grandes rodeios, directo e curto: perde o juízo e vem! E o peito enche-se de ar, o coração acelera, tudo treme e vai-se assim, sem juízo, sem rede, sem nada, só porque sim. Porque se perdeu o juízo numa qualquer loucura imaginária que se sente na pele, só porque naquele dia tínhamos de ser diferentes do habitual. E vai-se. Fechas os olhos e sentes cada bocadinho do juízo (aquele que tanto valorizas) a sair por todas as células, está a ir-se, vai-se purgar para mais tarde voltar, mas não hoje. Precisa redefinir-se para voltar melhorado, deixa-o ir, não penses muito. O suor escorre por todo o lado, é o medo de perder o juízo para sempre, para todo o sempre (mesmo não tendo garantias que o nosso juízo é saudável, é nosso…) o juízo que é meu por direito e conquista, está-se a ir, com autorização, porque eu hoje vou! Vou, vou e vou, está decidido. Mas não consigo sai...

Hoje assim...

Com saudades de ter saudades. E não são saudades do que não vivi, porque não posso sentir falta do que não sei. Não é o desconhecido que me faz sentir saudade, o que me faz sentir saudade é tudo aquilo que reconheço, que sei que é bom, que me marca, que mexe com a alma. O futuro trará saudades quando se tornar passado, antes disso não. Expectativas não são saudades,  são outro tipo de sentimento. Sinto saudades do meu avô, da infância onde todos estavam presentes, de ser criança, das costeletas com pimentão da minha avó e de brincar sem preocupações e sem tempo. Sinto saudades das borboletas na barriga, de levitar, de me sentir apaixonada, do amor bom! Sinto saudades dos dias longos, quentes, meio loucos e não planeados. Das noites inteiras a conversar, do nascer do sol, das chegadas ao aeroporto às 4 da manhã para partir para o desconhecido. Dos telefonemas e mensagens e meio da noite, das gargalhadas de fazer doer a barriga, de bons filmes, das melancias giga...

Não devemos voltar a onde já fomos felizes

Hoje acordei com esta expressão na minha cabeça: “não devemos voltar a onde já fomos felizes”. Sempre que penso nisto, e cada vez mais me convenço, que está completamente errada. Na prática, acho que a expressão tem a ver com pessoas e não com lugares. Não voltarmos a onde já fomos felizes, ou seja, não voltar para determinada pessoa. O local acaba por vir por acréscimo, já que as memórias não ficam dissociadas de situações, locais ou pessoas. Mas é sempre por aquela pessoa específica, que não devemos voltar atrás e não pelos  momentos felizes que se viveram naquela praia ou no sopé daquela montanha. É o requentado que não funciona… ou não costuma funcionar. Acredito que para algumas pessoas dê resultado, mas de uma forma geral, estar sempre a tentar recompor uma situação que não tem concerto, não tem mesmo solução! Mesmo quando existe muito boa vontade e uma boa dose de amor. Voltando aos locais, que é isso que me importa. A história reescreve-se as vezes que forem...