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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta entrega

GRANDEZA*

Um amigo do meu pai, um senhor já com os seus 80 anos avançados, confidencio-me num passeio e almoço (organizado e proposto pelo próprio) que muitas das pessoas que ali se encontravam, só estavam presentes porque ele as informava do convívio e organizava tudo. E que ele fazia questão de telefonar regularmente a grande parte delas mesmo sabendo que muitos não iriam retribuir a gentiliza com a mesma regularidade com que o fazia. Perguntei-lhe : “Então porque faz isso? As pessoas também têm de ser gentis consigo e telefonar para saber de si.” Ao que ele me respondeu: “É verdade. Mas senão for eu mais ninguém o fará, na verdade tenho gosto de fazer isto e mostrar que me preocupo mesmo que não retribuam. É importante para mim, mesmo que ninguém agradeça ou corresponda, só por esse motivo já vale a pena. Sei que ao fazer o que faço mantenho as pessoas ligadas umas às outras.” Eu que tantas vezes fiz o mesmo, fiquei a pensar na conversa que oportunamente surgiu naquele momento em que tinh...

Joaninha, Janiquinha, Isniqui

Algumas vezes na vida temos uma sorte incrível! São pessoas ou coisas que nos acontecem sem estarmos à espera e que nos deixam marcas para sempre. Este mês de janeiro acabou da pior forma, perdi a minha companheira de vida. Por muita preparação que tivesse e por tudo o que vivemos nas últimas semanas, sabia que o fim estava próximo para ela, quis que tivéssemos direito a um milagre, daqueles que acontecem a algumas pessoas e que ficam registados na história da humanidade como: feitos extraordinários! Por que não haveríamos de ter essa sorte? Não tivemos direito a um milagre, ainda assim, consegui cumprir a minha vontade. Não quis que ela ficasse no hospital e que ali sozinha se deixasse ir, partiu rodeada de amor na casa que sempre foi mais dela que minha. Pode parecer exagero tudo o que irei partilhar a seguir, irá parecer exagero para quem não tem afinidade com os animais e nunca se conseguiu perder com a pureza dos olhinhos de um gato ou cão… ou até de qualquer outro animal de e...

Valentina

Faz um ano que fui buscar a Valentina. A Amigato tinha-a recolhido da rua, muito pequenina e mirrada. Numa daquelas imagens que o algoritmo (que sabe tudo o que precisamos) do facebook nos mostra “aleatoriamente “pareceu-me ela. E lá fui eu, conhecer a Valentina que por aqueles dias ainda se chamava Letoya. Fui de coração partido com a perda da minha Picachu e pouco restabelecida das semanas duras que tínhamos vivido. Nem sei se foi coragem, carência ou alguma demência que me fez em tão pouco tempo procurar outra gatinha. A veterinária, também ela pouco refeita pela perda da Picachu, recomendou que esperasse um tempo. Eu e a Joaninha passamos uma semana complicada após a morte da nossa menina. A Joaninha visivelmente desorientada aguentou-se como pode apesar de ter ficado assim alguns meses. Nessa semana teve de reaprender a viver sozinha, que para ela é um tormento! Eu tive de me conformar com a ausência da gata mais querida que alguma vez tive e aprender a perdoar-me por nã...

O tempo passa

Faz hoje um ano que tive de deixar partir a minha gatinha. Ninguém nos prepara para estas coisas, nem nunca iria conseguir sentir-me preparada para fazer de ânimo leve o que tive de fazer. Reconfortei-me com a nobreza do ato que todos os meus amigos me quiseram transmitir, como sendo o melhor e um ato de amor. Foi o melhor, obviamente tendo em conta o quadro clinico da gatinha. Talvez tenha sido também um ato de amor, vê-la sofrer estava a deixar-me destroçada. Ela estava esgotada, a Joaninha estava esgotada e eu acabei por desistir depois de uma semana de pouco sono e muito desgaste na tentativa de mantê-la viva. Nada nesta vida é para sempre, nem a vida das pessoas que amamos nem a vida dos animais que tanto nos dão nem a nossa própria vida. Por isso, aceitar com naturalidade todo o processo é o que nos resta saber fazer. Nunca será fácil mas é menos difícil encarando as coisas com a naturalidade que devem ter. Digo isto agora, com algum distanciamento depois de ter sofrido horro...

A Gratificação

E não é assim que tudo deveria ser? Passamos a vida em busca de um qualquer ideal e esquecemos a simplicidade das coisas que aparecem sem verdadeiramente procurarmos por elas. Sempre que nos obrigamos ou esforçamos em excesso, estamos de certa maneira, a contrariar a nossa própria natureza. Umas vezes tem mesmo de ser, quando a indolência toma conta da ocorrência sem justificação aparente, e ai é vital reverter a situação para nosso bem. Fora estas situações, é verdade que sempre que procuramos em demasia ou forçamos para que alguma coisa aconteça, estamos a controlar coisas que nem sempre devemos ou que estão ao nosso alcance. A necessidade de controlo é boa quando precisamos ter organização, planeamento e estrutura e mesmo assim temos de deixar uma margem para qualquer ocorrência inesperada, porque acontecessem quase sempre, como maior ou menor escala e não são nenhuma desgraça. A vida deve fluir naturalmente é isso que nos deixa maravilhados quando chega a primavera. O i...

Um certo tipo de amor

Há um certo tipo de amor que demora a florir. Há um certo tipo de pessoas onde o amor demora a florir. Qualquer uma das afirmações é verdadeira. A primeira está comprovada, nem todos os amores são à primeira vista ou nascem espontaneamente, precisam de amadurecimento como as sementes na terra. O amor precisa de tempo, dedicação, empenho e coragem para se acreditar que vai germinar. O amor saudável, o que nos faz bem tem premissas que parecem esquecidas. Não tem regras pré-estabelecidas, contudo precisa deixar que a magia faça a sua parte, precisa que não se desista na primeira contrariedade, que não se desista só por desistir, que se deixe de lado crenças e ideias pré-concebidas que se possa ter sobre o amor. Precisa acima de tudo que se deixe de lado a bagagem que se traz. Não podemos esquecer a experiência que temos com o amor e ao mesmo tempo não podemos deixar que isso nos impeça de aguardar o imprevisível. O amor que demora a florir precisa ser original, ter uma linguagem pró...

Mais uma década

E assim termina mais uma década. Esta foi para mim a década mais difícil mas também a mais proveitosa. Fazer uma retrospetiva sobre tudo o que me aconteceu nos últimos dez anos é um exercício brutal mas também uma tomada de consciência incrível sobre tudo o que vivi e passei. Não houve nenhuma área da minha vida que tivesse passado intacta nesta última década, nenhuma! Todas sofreram alterações e todas passaram por fases dificílimas e por momentos de paz mas nenhuma – NENHUMA - ficou igual. Digamos que pensar concretamente, com estrutura e ordem, sobre o que se viveu nos últimos dez anos me permitiu concluir que sobrevivo a qualquer coisa nesta vida. Não estou a exagerar, esta é também uma convicção que trago comigo desde o dia em que nasci, sobreviver ao impensável, ao inimaginável é um lema de vida, um superpoder que está registado no meu ADN. Por outro lado, dá-me também a capacidade e a responsabilidade de gerir a minha vida de uma forma melhor e foi isso que esta última dé...

O Luto

O ser humano tem muitas dificuldades em cumprir os processos que a vida impõe, o luto é um deles.  Ninguém aceita de ânimo leve uma perda, ninguém aceita a perda como mais uma etapa.  Somos educados e ensinados a lutar contra o luto, todos passamos por ele em alguma altura da vida, mas socialmente é nos incutido que devemos passar à frente de imediato. Não é bom ficarmos tristes, chorar ou deixarmo-nos consumir pela desolação, temos de avançar para outro estado o mais rápido possível. Não é de todo mentira, temos de avançar e seguir em frente, no entanto, precisamos também sentir a perda e para isso o luto é essencial. Houve qualquer coisa importante que desapareceu, que partiu para sempre, que mudou de plano e nos deixou um vazio incomensurável. Ignorar a dor que isso nos provocou vai fazer com que essa mesma dor nos acompanhe por toda a vida, precisamos gastar os "créditos" enquanto esta sensação está presente e bem viva em nós. Caso contrário, vamos passar a im...

Picachu será sempre Picachu

"Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force, nunca; seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida" . (Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo). Foi assim com a minha Picachu até hoje, o fim. Não se forçou a vida e só se forçou a morte por amor e compaixão, a vida é para se viver sem sofrimento e ela já não estava a conseguir corresponder às minhas expectativas nem da veterinária, mesmo dando tudo por tudo! Cada um tem o seu tempo e o seu espaço, é preciso saber e aprender a respeitá-lo. Vale para todas as formas de vida. E como foi maravilhoso ter na minha vida a gata mais meiga e louca da história da humanidade! Que dádiva esta que tive o privilegio de viver! Sim, perdi a minha Picachu. E tudo o q...

A Bondade

É comum ouvirmos dizer e até dizermos: "tenho-me portado tão bem que mereço um prémio" ou "só por ter feito/pensado nisto, devias dar-me uma recompensa" são muitos os exemplos possíveis. As questões do certo e errado, do bom e do mau e das compensações que merecemos pelo bem que fazemos aos outros e a nós próprios, são ideias que nos "vendem" e que têm como principal objetivo fomentar o bom desempenho e de certa maneira estimular a competição entre todos. Os que executam boas ações recebem mais compensações, afinal de contas merecem-nas. É lógico que as boas ações e intenções, quando cumpridas com profunda entrega nos fazem sentir bem, a bondade dizem alguns estudiosos nos temas do comportamento humano é saudável e a base para um cérebro mais sadio. “Só assim poderemos reduzir o sofrimento no mundo. Acredito na gentileza, na ternura e na bondade, mas temos que nos treinar nisso.” - Richard Davidson, PhD em neuropsicologia e pesquisador na área de...

Rosa

Hoje é um dia importante, faria hoje 93 anos a minha avó Rosa. Como homenagem deixo o conto que escrevi semi-inspirado nela. Esta Rosa e a minha Rosa têm em comum a missão de ser avó, um papel que desempenhou com amor e dedicação. Hoje e sempre com muitas saudades dela. Parabéns avó. ---- ROSA Quando se pergunta a uma criança, o que quer ser quando for grande, habitualmente respondem: professor, bailarina, médico, piloto de avião, chef de cozinha e por ai fora, mas não a Rosa, quando crescesse a Rosa queria ser: avó. Talvez por isso, tenha tido toda a vida, um ar mais velho do que seria suposto. Quando nasceu não parecia uma bebé acabado de nascer, parecia uma velhinha enrugada no colo da mãe. Antes dos dez anos, tinha já compridas melenas de cabelo branco e os traços do rosto sempre muito vincados a delinear-lhe a expressão. Naturalmente interessou-se sempre por hobbies muito pouco infantis como aprender a fazer crochet, depenar galinhas, cozer botões, passar a ferro e ...

Meu Amor

Quero ver-te feliz todos os dias da tua vida, és daquelas pessoas que conseguem num só suspiro levar-me a equacionar tudo o que me rodeia, tens uma aura tão intensa à tua volta que não dá para nos abstrairmos de ti. Mesmo quando não te vejo, sinto a intensidade que tens em ti e que te torna tão singular, sinto a tua ausência e silêncio com o peso de um tempo que não passa e que custa a passar. O mesmo tempo que nos faz ganhar vida e conhecimento sobre nós próprios e que nos ajuda a expandir por terrenos desconhecidos e ansiar por mais. Tens sido o meu ritmo cardíaco em muitos momentos, o meu norte, o meu santuário, o meu confidente mais improvável. Contigo sinto uma enorme facilidade em partilhar o que me vai na alma, em confessar os meus segredos mais inconfessáveis, a tua compreensão liberta-me. Entendes-me sem julgar. Reconfortas-me nas minhas falhas e partilhas o teu ponto de vista. Desconfio saber, qual a razão fundamental para isto me estar a acontecer, provavelmente são todo...

Gatarias

Tenho duas gatas anciãs, como diz o meu pai. É como quem diz de forma simpática… já têm mais de 12 anos. Uma vai fazer 13 anos em Março e a outra 14 anos em Abril. Estou a chegar aquela fase de impasse em que sei que tenho de lhes dar a melhor velhice que conseguir, da mesma forma que lhes proporcionei uma boa vida sempre e ao mesmo tempo, talvez tenha de ponderar arranjar uma gatinha de transição… um terceiro elemento. Tal como acontece com os idosos, a proximidade com crianças traz-lhes longevidade, poderia ser bom. Cada gato é um gato, uma tenho a certeza que não iria achar estranho já a outra iria ter uma terrível crise de ciúmes porque é possessiva comigo! Já a estou a imaginar com os olhos a meia haste, como quem diz: é para passar por cima? Assim, neste impasse e sabendo que terei gatos toda a vida, facto incontornável, talvez não tenha de ser já e até precise de um tempo depois destas partirem para o gatil eterno. São muitos anos com elas, temos uma vida feita de hábito...

Doar Sangue

Dizem as noticias dos últimos dias que ainda faltam 40 mil unidades de sangue, que o sangue disponível não consegue suprir as necessidades. Em 2018 tornei-me dadora, não só pelo facto de conseguir ajudar pessoas que precisam mas também como forma de agradecimento para o cuidado que o sistema nacional de saúde teve comigo nos últimos tempos. Não podemos só exigir porque pagamos impostos, ainda que isso seja perfeitamente legitimo, pagamos muito, ainda assim temos de fazer a nossa parte. E esta parte não custa dinheiro. Eu sei que o pânico de agulhas e ver sangue é real e que muitas pessoas têm a vontade, mas não conseguem ou não reúnem as condições físicas para se tornarem dadores. Eu não sofro de nenhum destes males, nada do que ali se faz me faz impressão ou confusão. Eu vejo as operações que dão na televisão quer seja a pessoas ou a animais, por isso, na verdade não tenho qualquer motivo para não ser dadora. Ainda ontem tive a espetar uma agulha de soro na minha gata, para o ...

As diversas formas de amar

Era uma vez. Podia muito bem começar assim esta história. Se existem histórias de amor que duram uma vida, esta é uma delas. É muito mais do que se vê e o que obviamente se aponta, sim o homem é lindo! Todos concordamos. Nestas coisas do amor, a beleza que entra na sua quota parte mas não é tudo e não é tudo mesmo! São precisas muito mais coisas para que se ame alguém ou alguma coisa. O amor não chega só pelo brilho ou pelo glamour, o amor chega quando se ama até o que é feio. Começar é fácil, o encantamento faz-nos bem deixa-nos inebriados e com vontade de querer mais. A combustão está toda ali na paixão que se descobre, que chega sem estar à espera, que nos arrebata e quase nos mata. Esta história de amor não é diferente de todas as outras, começou assim, com uma louca e imparável paixão que soube crescer e consolidar-se no amor. Com a paixão veio a escuridão e todo o lado sombrio. Amei também esse lado, pela densidade e doença que me causou. Não soube gerir es...

Estrela do Norte

Muito se escreve sobre o amor. A complexidade que não gostaríamos que tivesse, o desgaste que nos pode causar, as tormentas que antecedem a felicidade suprema, sintomas dos tempos. Mesmo a mais racional das criaturas, como eu, entende que a dificuldade e o amor, não são compatíveis. A fluidez que o amor nos traz, é o reconhecimento de que a paz e a sincronização do universo sabem o que fazem. Nós perdemos capacidade para sentir com naturalidade o amor, aquele que é simples, verdadeiro e com entrega.  Procuramos, procuramos, procuramos... definimos momentos e situações, recusamos dar-nos quando estamos frágeis, quando estamos fortes, quando estamos confusos, quando só queremos fazer experiências e testar opções. Inventamos entraves e limitações para nós e para o outro, nunca é o momento certo, e quando será? Depois de pensar muito? Ou simplesmente deixar-se ir? Acreditar no que se ouve, nas palavras ditas como elas são, sem procurar segundos sentidos? O receio da m...

Fenómenos Paranormais

Existem os fenómenos do Entroncamento e depois existem os fenómenos típicos do sexo masculino. Sejam ou não do Entroncamento, do norte ou do sul, deste pais ou de outro qualquer. Desconfio que é uma questão transversal, porque se escreve nas diversas línguas do mundo sobre o tema. Assim sendo, arrisco-me a dizer que é um calamidade que afecta as mulheres de todas as nações e que se encontram mais ou menos na minha faixa etária, um pouco mais para baixo ou um pouco mais para cima. É um comportamento típico do sexo masculino, mas não exclusivo, algumas mulheres também comentem a mesma falha. Desconfio que por imitação, para seguirem a mesma cartilha sob o lema: olho por olho, dente por dente. Como quem diz: se não gostam, não façam…mas vejam lá se gostam que vos façam o mesmo? (e riem no final) “Eles oferecem sempre mais do que estão preparados para dar…” Homens, expliquem-me porquê? Estou numa fase, em que as explicações razoáveis para este tipo de comportamento, estão...

Atalhos

Um dia percebes que conheceste a pessoa certa, no tempo errado. E não é um tempo errado qualquer, é viverem separados por dois anos: um em 2004 e outro em 2006. Ou viverem no mesmo tempo separados por quilómetros e a dez anos de distância, também acontece, mas não na história do filme que vou falar. No filme “A Casa do Lagoa” é isso que acontece. A Kate e o Alex viveram na mesma casa em tempos diferentes e partilham correspondência, segredos, confidências a acabam por se apaixonar. O que o filme mostra é que para haver amor, tem de haver profundidade e tempo para se descobrir e conhecer o outro. A diferença temporal, faz com que eles cedam com o conforto da distância a expor-se. São mais sinceros, mais verdadeiros, perdem o receio de falar sobre eles, do que gostam e das coisas que os atormentam. Claro que à medida que vão descobrindo que se estão a apaixonar, torna-se cada vez mais difícil gerir a distância e aprender a lidar com os sentimentos e com o desejo. A realidade ...