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Para a minha avó Rosa

Nesta foto estamos nós as duas.    A avó que sem saber já se estava a perder n a memória d o tempo e eu, que olho para ti e vejo a mesma de sempre, mesmo sabendo que já não eras.    As fotografias têm destas coisas, imortalizam os momentos. Este passado que se torna presente, todas as vezes que volto a recordar estas fotos. Nunca serão futuro apesar de registarem detalhes que farão parte do meu presente e futuro , sempre.    Devo confessar que revisitar as fotos da minha avó não me deixa triste nem evito fazê-lo. Sinto saudades dela, sim muitas, tenho inveja das netas por quem passo na rua de braço dado com as avós, tenho ! Queria poder fazer o mesmo, mesmo sabendo que o que vivemos foi bom. Foi nosso e apesar de não se repetir, já não se perde , e esse é um tesouro que valorizo.    Recordo as minhas avós todos os dias, a maior para das vezes de forma inconsciente e involuntária. Uma situação simples e corriqueira, leva-me a elas. Relembra-me m...

1 ano sem ti

Sem darmos conta, passou um ano. O tempo é implacável nestas coisas, corre sem parar, mesmo que algumas coisas nunca mudem.  Quando se perde uma pessoa importante, nada muda, a não ser a distancia da ausência. O resto é imutável, só a saudade que cresce e se multiplica. A minha ultima avó partiu faz hoje um ano, numa manhã de Janeiro com sol que reservou a chuva e o frio para nos acompanhar nos dias que se seguiram. Deixou-se ir, numa rendição que se adivinhou nos dias que antecederam a sua partida. No fim-de-semana, dela só restava um pouquinho de luz, senti a vida a deixá-la com suavidade. Ainda era ela, falou só porque a chamei, despedi-me dela com um beijo, estava quentinha e   bem aconchegada como sempre. Só foi só possível vivermos o que vivemos, em todas as férias de Agosto com minha avó, porque ela era como era! Apesar de se arreliar com a nossa vida louca e do pouco tempo que passávamos em casa e a fazer-lhe companhia, tinha mais curiosidade em saber o que...

Já podemos fechar o ano?

Este ano, está a tornar-se muito estranho. Ainda não consegui encontrar o nome ou definição para as pessoas que estão, são ou ficam órfãs de avós. Só me resta uma avó, que lá se vai mantendo viva a esforço. Não se pode exigir muito mais quando se chega aos 93 anos numa situação débil. Mas ela é rija, feita de fibra das serras da beira baixa, com ela a máxima é: “antes morrer que torcer” e lá se vai mantendo. O problema é que eu tive a sorte de ter nascido e ter comigo os meus 4 avós. Sempre tive imensa pena das pessoas que me diziam: não conheci os meus avós ou só tenho uma avó ou um avô. Coitados, que infelicidade! As pessoas não sabem, como é normal… se nunca tiveram, como vão saber? Podem imaginar ou ouvir com entusiasmo as histórias dos que têm, mas não sentem como seu. Agora sinto que está a chegar o fim do fim…e é um misto de sensações entre: tristeza e gratidão. Eu fui uma privilegiada, bem sei. Primeiro morreu o pai da minha mãe, depois o pai do meu pai, este a...

A fibra que nos une

Eis que a Primavera, como sempre, nos trás o milagre da vida! Não é a minha fé que o diz, são as provas objectivas que tenho desde o ano passado e que mantém vivas as minhas avós. São milagres da vida, da natureza e dos poderes sobrenaturais que elas têm. A fibra que estas duas mulheres têm ou a força de viver que as liga ao mundo, só pode ser um milagre! Um milagre daqueles que nos reconforta e nos orgulha... Somos feitas da mesma fibra! Se todo o resto falhar, pelo menos que a genética ajude e me beneficie com as células milagrosas que espero comungar com elas. O facto de ainda ter avós é por si só um feito e de estarmos todos juntos e podermos testemunhar a família a crescer, é uma dádiva. Os avós são fundamentais e estão no patamar das nossas lendas privadas. São as referências e a base para os adultos que somos. A sorte que o meu sobrinho tem de poder crescer com os avós e partilhar com eles momentos únicos uma linguagem só deles. O ponto de partida dele está lançado...