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Pequenos focos de amor

O amor não tem de nos deixar inquietos, muito pelo contrário, tem de nos deixar em paz.  Tem de possuir a habilidade de nos devolver ao espírito a paz que buscamos quando procuramos o amor.  Talvez a literatura seja em parte culpada por este equívoco!  Os escritores com os seus amores exacerbados, doentios, frenéticos, sôfregos, cheios de fogo, angústia e dor fazem-nos crer que o amor, o bom amor, o que vale a pena deve ser assim. Deve deixar-nos num estado de explosão eminente e intensa, num estado de sobressalto permanente que nos tira o sono, a fome e por pouco os sinais vitais do corpo! Claro que o amor precisa do combustível que só a paixão sabe dar, o fogo que gera desejo, vontade e muito impulso é indispensável no primeiro impacto. Mas depois, como nos narram os escritores com o passar do tempo o fogo começa a transformar-se em ciúme, loucura e em casos extremos, doença. Ficam obcecados e obsessivos com a pessoa amada como se precisassem dela para viver, co...

Estação Certa

Nunca nos devemos apaixonar no inverno. Não te apaixones no inverno, não permitas que isso aconteça. De todos os males a evitar durante o inverno, este será um deles. Uma gripe evita-se com a medicação certa, agora quando se deixa o amor entrar na estação mais fria e escura do ano, não podemos esperar o melhor. São as probabilidades, a natureza não engana. Os animais hibernam, as árvores não têm folhas nem fruto, nada cresce no frio, na neve e sobretudo nada cresce na escuridão. Mesmo as criaturas que vivem nas profundezas dos oceanos, não sobem até à superfície para perto da luz, vivem confinadas na escuridão, crescem e desenvolvem-se nesse ambiente, como as doenças que se propagam no corpo. As pessoas que nascem no inverno são demasiado frias. Que amor poderá ser este que se estabelece no inverno? Devia existir um filtro bem espesso que evitasse que isto acontecesse. O inverno é necessário para a regeneração da natureza, o ciclo que se completa onde tudo morre, para ren...