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Desinteresse

Estou farta de fevereiro, não gosto de março e provavelmente terei de ter paciência para esperar por abril. Dito assim parece que o tempo passa devagar, mas não, o tempo anda supersónico. Assim sendo, vou piscar os olhos e quando os abrir estarei em abril. Não! Também não funciona assim, felizmente. Eu reclamo e barafusto com o tempo, os dias pequenos e o inverno de um modo geral mas não me importaria que os dias, as horas e os anos passassem um bocadinho mais devagar. Não se consegue aproveitar os dias, como deve ser. Nem os momentos…e alguns momentos deviam duras dias e dias, de tão bons que são. A juntar a isto tudo, o desinteresse desinteressa-me profundamente. A forma como as pessoas lidam umas com as outras, os filhos que abandonam pais, amigos que só aparecem quando precisam de alguma coisa, o vizinho do lado que só nos fala para pedir para tomarmos conta do cão, a desconsideração no cuidado com os outros, os pequenos gestos falham sempre. Não são precisas festas ou p...

Conversas imaginárias

Outro dia dei por mim a pensar em tudo o que te poderia dizer. Tanta coisa, que foi difícil estruturar o pensamento. Primeiro, saiu tudo ao monte como se tivesse de despejar uma gaveta. Nem eu percebi bem, tudo o que disse ou que teria de dizer. Se nem eu percebo, como irias perceber? Voltei a arrumar tudo, para começar por partes. É terrível, tenho sempre vontade de dizer tudo ao mesmo tempo, sem lógica, sem encadeamento, desenfreada, meia louca. Depois tive dificuldade em arrumar os temas por importância. Parece-me tudo importante, tudo urgente, tudo vital. Pensar assim acelera-me a pulsação, a respiração, altera-me a ordem das palavras. É um mix de adrenalina com ansiedade, água que ferve em ebulição. E fico a pensar. Oriento as ideias em tudo o que tenho para te dizer. São milhares e milhares de boas palavras. Queria que alguém me oferecesse este conjunto de palavras, que me fizesse sentir especial, que depositasse a esperança da humanidade em mim, como eu deposito em ...

Desliguem o inverno

Olá 2016! É tudo uma questão de fé…e esforço também! Há dias em que a fé é residual e o esforço está em reserva de energia, equilibrados no fim da tabela. Pensando bem, é melhor assim. Esforço sem fé e fé sem esforço não combinam, um fica abandonado sem o outro. A porcaria do inverno é deprimente…mesmo nos dias mais fofinhos em que nos podemos enrolar em conjunto ou solitários com um manta na lareira mais próxima. Dias curtos, pequenos, frios, chuvosos que infelizmente não nos deixam hibernar como os ursos. Comemos como se fossemos hibernar, mas não nos deixam refugiar em nenhuma toca, nem na nossa… Filas de trânsito e acidentes a perder de vista, ranho e constipações, despertadores que não tocam, frio, vento e guarda-chuvas que não dão jeito usar nem carregar. Cérebro em modo standby… E depois dizem-nos: temos de saber aproveitar todos os momentos do ano, porque a natureza é equilibrada e sabe o que faz. É verdade, poético para quem consegue. Não eu, que não...

Falsa paciente

No equilíbrio dos dias, oscilo entre o: apeteces-me muito e o nada. É doloroso acumular dias na espera que algo aconteça quando não sou eu que o impossibilito, são as circunstâncias. É quase sempre assim.  Diz-se que saber aceitar as coisas como são revela maturidade… então serei imatura toda a vida! Sou assim com tudo até quando surge uma ideia… não descanso até materializá-la. Acordo a meio da noite para apontar ou até para construir a ideia que tive, é mais forte que eu. Sou uma paciente inquieta ou uma falsa paciente. Não posso dormir até que as coisas aconteçam ou até que as faça acontecer. Vivo numa aparente tranquilidade que é apenas e só isso: aparente. Por dentro ferve sangue. Há dias em que me deixo ir… só porque sim. Alguns dias também precisam de ritmo lento, como as esperas. Hoje é um desses dias…

Deixa-te ir

Essa é a tua maneira de não te deixares ir. És brusco, selvagem, autoritário e impetuoso mas é só para fugires do inevitável. Assim ficas ai do teu lado da margem, seguro, confiante que o amor não consegue nadar até esse lado. Que quando a onda vier vais estar em terra firme e por isso imune a qualquer afeto que não planeaste. És tão engraçado… Mas essa é a tua maneira de não te deixares ir. Gosto da forma como te escondes atrás do fazer bem aos outros. A felicidade dos outros é a tua felicidade: “quero que sejas feliz para me fazeres feliz, sou altruísta!”, dizes. Não é assim que funciona, amor… Só podes fazer os outros felizes se também fores feliz. Eu sei que és feliz assim, incompleto e imperfeito. Eu gosto disso tudo em ti.  Podes ser tudo, e eu sei que és e que o fazes porque acreditas com toda a tua verdade que é assim que deves ser. Um perfeccionista imperfeito. O amor chega sempre sem planeamento, chega quando as imunidades estão todas em baixo, quando...