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Merecimento

Sobre o merecimento, o que merecemos na verdade é o que queremos? Nem sempre. Podemos merecer coisas que nem sabemos e podemos insistir estupidamente em qualquer coisa que não faz qualquer sentido. Só pela teimosia, falem em teimosia comigo, sim dose XXL é a quantidade que consigo suportar. Posso ou podemos (falar no plural é mais simpático que personalizar) embicar que queremos, porque sim, porque merecemos, porque é mesmo o que queremos é o que nos faz falta, e não passar apenas de uma ilusão. Um desejo que condicionamos pela vontade de querer muito, do género cegueira temporária. Uma coisa é certa, não quero nada que não mereça. Mas como saber ao certo o que se merece? Sei lá. Aqui o merecer é do bom e do mau, não se merece apenas o bom, o mau também cabe nesta equação. Como tão sabiamente se diz: O que não nos mata torna-nos mais fortes, é lindo! Mas isto é muito pouco balsâmico, para mim. Posso ser petulante e dizer que não preciso, passo, obrigado. Na verdade é ist...

Ceder

No complexo organismo que é o corpo humano, tudo parece funcionar na perfeição, quase sempre. Quando temos fome, sabemos que temos de comer, quando estamos irritados o corpo fica tenso e mais quente, quando começamos a ficar doentes o corpo dá sinal, para nos avisar e para podermos evitar um mal maior. Quando estamos tristes, choramos, quando estamos felizes rimos a adrenalina sobe e mesmo quando estamos amorfos e indiferentes parece que podemos passar a mão pelo fogo sem nos queimar. Depois do quase "básico", temos questões mais complexas como o desejo, não o de comer um donut às duas da manhã, mas aquele que está contemplado nos sete pecados mortais: a luxuria. Pode envolver o desejo em si, puro e carnal, pode significar uma necessidade fisiológica ou estarmos a desenvolver mais do que um formigueiro na pele, mas um formigueiro na alma. Este é um pormenor ainda mais complexo do corpo humano, estes "formigueiros da alma", não se aprendem, não se s...

E o que é que acontece se a resposta for não?

Um não, não é assim tão diferente de um sim, bem vistas as coisas. O otimismo que exigem que tenhamos é que nos impele a achar que só o sim nos poderá salvar e nos trará a felicidade, mas por vezes um não é bem mais libertador que um sim. Quantas vezes não temos vontade de responder não, à pergunta: Gostas de mim? – Não… e não é por mal… mas não temos de gostar de toda a gente só porque é politicamente correto. E posso não gostar apenas porque não tenho afinidade, porque a pessoa não é educada ou não é simpática ou apenas porque é uma pessoa que não cria empatia connosco e isso não quer dizer que não seja uma pessoa especial… só não é para mim. A verdade é dura, mas por vezes é a única viável para marcarmos uma posição, acima de tudo, uma verdade é sempre melhor que uma mentira. E quantas vezes precisamos receber um não para valorizarmos o que conquistamos? Não obrigado. Tem habilitações a mais, não gostamos da proposta, não pode ser agora, não hoje, não amanhã, não agora,...