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Fora da Quarentena

Finalmente “desconfinados“ e depois de ter lido todos os desabafos e mais alguns que por ai se escreveram, aproveito para partilhar a minha experiência. Durante este período o que mais me disseram foi: “tenho pensado tanto em ti, tu ai sozinha…” e “como consegues viver aqui sem ter alguém para conversar?”. Como explicar isto, sem parecer demasiado filosófico ou uma balela. Estar só não significa estar sozinha, mesmo estando sozinha eu não me sinto só, nunca senti. A solidão não me pesa, nem nunca me pesou. Entendo que faça confusão a algumas pessoas mas eu sou uma companhia porreira para mim própria e aprecio-me bastante. Por isso, o estar sozinha não me causou mossa e o não conversar com ninguém também não foi verdade, falei com muitas pessoas durante a quarentena, troquei muitas mensagens, fiz inúmeras chamadas de vídeo, falei muito comigo mesma e com as minhas gatas. Não senti falta de falar com mais ninguém. Peço desculpa pela franqueza. Faz-me alguma confusão que as pessoa...

Abraçar

As interrupções abruptas não são bem-vindas, mesmo quando são necessárias. Nunca são fáceis ou ligeiras. Num momento está tudo normal e é assim que se espera que continue mas de um momento para o outro tudo pode mudar e isso nunca foi tão real como agora. Já tinha sentido esse choque quando mudei de escola e passei do colégio para a secundária. Já tinha sentido a violência de uma interrupção abrupta e permanente, quando o meu avô morreu, algures naqueles primeiros dias do mês de março e mais tarde nesse ano quando partiu também o meu outro avô. Alguns anos nem deveriam fazer parte do calendário. Todos os dias morrem pessoas, dizem… mas não a mim, a mim até então não tinha morrido ninguém de importância extrema. Com o passar do tempo habituamo-nos e conformamo-nos com esta realidade, não se pode fazer nada. Aceita-se com maior naturalidade quando temos mais idade e quando se percebe que o fim é inevitável e o fim do sofrimento também, como foi no caso das minhas avós. Não é fácil ma...