Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta janeiro

O dia da memória - a neta da Dona Rosa

Sofrer é sempre opcional mesmo quando se trata de saudades.  Faz-se o que todas as recomendações aconselham: lembrar as memórias felizes e os momentos especiais. Assim estarei sempre a celebrar e a honrar a vida da minha avó, pelas recordações contributivas que temos em comum. É uma forma de lidar com esta ausência. O tempo devia ajudar. Tem dias que parece que sim e outros que parece que não. Assusta-me que o tempo apague memórias, vivências, a estrutura das mãos dela, a cor do cabelo, as rugas da cara ou os cheiros. Já que os espaços físicos vão mudando, uns perderam-se para sempre e os objetos nem sempre conseguem ajudar na reconstrução de alguns puzzles da memória, o tempo poderia ser mais clemente! Fazer o quê? Não me incomodam os cemitérios, apenas as campas abandonadas. Isso sim, o fim do fim, as pessoas partiram todas e as memórias com elas. Ficam as campas a pairar num abandono compreensível, mas mesmo assim, triste de se ver.  Ontem, como em 2017 esteve sol com frio....

Deixar a meio

Nem sei bem se ficou a meio ou se ficou completamente por fazer. Ou talvez o tenha começado a fazer antes de tempo, que é por vezes uma das minhas falhas – antecipar – para tentar sofrer menos. Imaginar tudo na pior versão possível para que, quando se der não ser tão mau. Os cenários híper catastróficos que traço são sempre desgraças muito mais grandiosas e espetaculares que a realidade, felizmente. Não me ajudam a prevenir o inevitável mas ajudam-me a registar memórias de boa qualidade com muita precisão. Como faço tudo isto de forma consciente, sei o que estou a registar e porquê, por isso a informação que armazeno tem muitos detalhes e é construída com uma visão 360, e é simultaneamente registada de dentro para fora e de fora para dentro. De que vale uma boa memória se não conseguirmos sentir o que sentimos naquele momento, sempre que a revisitamos? Faz hoje 4 anos que morreu a minha avó Rosa. Podia começar com aquelas bonitas contagens de horas, minutos e segundos que se passaram...

1 ano sem ti

Sem darmos conta, passou um ano. O tempo é implacável nestas coisas, corre sem parar, mesmo que algumas coisas nunca mudem.  Quando se perde uma pessoa importante, nada muda, a não ser a distancia da ausência. O resto é imutável, só a saudade que cresce e se multiplica. A minha ultima avó partiu faz hoje um ano, numa manhã de Janeiro com sol que reservou a chuva e o frio para nos acompanhar nos dias que se seguiram. Deixou-se ir, numa rendição que se adivinhou nos dias que antecederam a sua partida. No fim-de-semana, dela só restava um pouquinho de luz, senti a vida a deixá-la com suavidade. Ainda era ela, falou só porque a chamei, despedi-me dela com um beijo, estava quentinha e   bem aconchegada como sempre. Só foi só possível vivermos o que vivemos, em todas as férias de Agosto com minha avó, porque ela era como era! Apesar de se arreliar com a nossa vida louca e do pouco tempo que passávamos em casa e a fazer-lhe companhia, tinha mais curiosidade em saber o que...

Balanço

Estamos a chegar ao fim de mais um ano e este foi supersónico! Ainda ontem era 1 de Janeiro de 2018 e eis que afinal estamos quase a 31 Dezembro de 2018, no meio acontecem como sempre, os restantes dias. Não foram poucos, mas são sempre rápidos na forma como se vivem, nem parecem ter 24h nem parecem ser 365 dias. Que quererá isto dizer? Que se vive a um ritmo alucinante? Que não se faz o que se deve? Que a vida está a passar depressa demais? Bem...talvez não seja bom ver as coisas por este prisma... De qualquer modo, quer se queira quer não, o ano está mesmo a terminar. E no espaço de um ano pode acontecer muita coisa e pode-se viver muitas coisas. Não é suposto começar e terminar o ano da mesma forma, caso contrário iria parecer que não se viveu nada.  No espaço de um ano, nascem e morrem pessoas, constroem e destroem-se casas, apaixonamo-nos e decepcionamo-nos, atravessamos o Inverno, Primavera, Verão e o Outono, reencontramos pessoas, conhecemos novas caras, novos si...

A 2 de outro 2

O número 2 é especial, sim sou tendenciosa, paciência! O 2 é o meu número, estamos a 2 meses do meu 2, só por isso vale a pena assinalar a data. Também já disse várias vezes, detesto o mês de março. Comecei a odiá-lo precisamente no dia 2, o que não deixa de ser curioso. Na altura, o impacto de uma perda maior e dolorosa fez com que março representasse o fim da fé em Deus, e portanto, toda a benevolência que pudesse ter com esta temática deixou de existir. Arrumei tudo num caixote do lixo: março, Deus, fé…tudo. Mas março, tem sido persistente na tentativa de reverter este nosso desentendimento e está a deixar que janeiro tome conta do pódio.  Também já reciclei tudo o que tinha mandado para o lixo, exceto março, lá está. É o ultimo ponto da lista, a aguardar a reconversão do mau em bom. E que trabalheira que isto me está a dar, quando acho que estou a conseguir, acontece alguma coisa que me relembra porque nos incompatibilizamos na primeira volta! Gosto que a hora mud...