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Frio quente

Eis que estamos quase a chegar ao momento de entrada do inverno. Finalmente os dias deixam de encolher, ainda que de forma ténue, o regresso da claridade dá-me alento! “Já não falta tudo…” O inverno é denso, intenso e prolongado embora tenha o mesmo tempo que todas as outras estações. É o que agrega que o torna tão difícil, tudo morre no inverno para renascer na primavera, mas mesmo que simbólica esta “morte” é um profundo período de reflexão. Somos obrigados a parar para pensar, para nos agasalhar, para nos proteger, para refletir. A falta de luz obriga-nos a isso, a reclusão forçada é necessária para nos conseguirmos preparar para o que ai vem. A natureza sabe o que faz, nunca nada é em vão. Cada estação define os seus próprios desafios, e nós como parte integrante deste ecossistema natural, não ficamos de fora. O corpo vai-se adaptando a cada momento, na perfeição que só o relógio biológico interno sabe fazer. Não controlamos nada, fomos feitos como uma máquina perfe...

Dar a mão

Um gesto simples, mesmo quando é simbólico, e tão cheio de significado!   A questão aqui, não é obviamente o gesto em si, mas a dificuldade que existe, actualmente em DAR. O dar sem esperar nada em troca, o fazer só por fazer, pelo bem que isso nos faz e pelo bem que fará a outra pessoa.  Pequenos gestos, quase banais que aos poucos moldam e mudam o mundo. E não digo isto, porque é natal e nesta época toda a gente se lembra que deve dar e ajudar de alguma maneira, falo da verdadeira solidariedade dos restantes 360 dias do ano...  Nem é preciso pertencer a alguma associação ou fazer voluntariado, basta estarmos lá para os que nos são próximos. É aqui que começa o nosso verdadeiro papel solidário, dentro de casa com a nossa família, com os nossos vizinhos, amigos e colegas... É ali, num primeiro momento que temos de estender a mão, ceder ajuda, estar lá... A nossa entrega tem de ser mais fácil e mais voluntariosa no nosso habitat natural, no nosso contex...

O arrependimento

Como se pode arrepender de uma coisa que não se fez? Se não se fez, não se sabe…digo eu. Logo, não nos podemos arrepender disso… No limite poderá ter pena de não ter feito, mas não poderá ser verdadeiramente arrependimento... Quando alguém me diz: “se não fizeres arrependes-te…”  e que garantias tenho eu disso? Posso arrepender-me de fazer e posso arrepender-me de não fazer… é 50/50… suponho. Quando se tem uma tirada destas, entendo eu, que pressupõe que o outro tenha garantias absolutas que o mais certo é avançar, sabe, está confiante que é o que é melhor para nós ou o que deseja que o façamos porque de alguma maneira o/a envolve. Mas eu tenho dúvidas, porque senão avanço é porque de alguma maneira não estou preparada, não quero, não me interessa, não me apetece fazer o jeitinho ou até faço mas um bocadinho contrariada e ai garantidamente vai ser contraproducente, porque provavelmente me vou arrepender de ter feito e acima de tudo porque o faço de muita má vontade, ...