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Remar contra a corrente

Brincar com os sentimentos das pessoas, não é bonito e não se faz. É mais ou menos uma verdade universal, ou pelo menos, assim achei que seria. Sempre aconteceu e vá, uma vez por outra todos nós cometemos esta falha com alguém, uns sem intenção outros por puro egoísmo. Claro que sim, é normal. A imperfeição acompanha-nos como a perfeição, o que escolhemos fazer com elas é que nos distingue. Esta coisa da sociedade em que vivemos, que nos permite estar próximos e mais ligados do que nunca, parece que ao mesmo tempo nos torna descartáveis. Acabamos por estar ao mesmo nível da Telepizza (que presta um belíssimo serviço, entenda-se), onde escolhemos por catálogo: o que queremos comer, a junção perfeita de ingredientes, o contexto/ massa, o local de entrega, hora e como vamos pagar. É basicamente o que vai acontecendo com a interação humana.  Os relacionamentos de comprometimento ou empenho são coisas medievais ou mesmo jurássicas, e os dinossauros já saíram de cena há ...

Vazio

Perdi a noção do tempo. Não sei o que fiz hoje, ontem e esta semana.  Não sei quando te vi pela última vez. Não me lembro quando andei pela última vez de bicicleta. Não me recordo dos teus contornos ou cheiro.  Vivo os dias fora do tempo. Estou sempre um passo à frente. Desfasada da realidade e dos dias presentes. Não vivo no mesmo espaço temporal do resto da humanidade. O meu calendário segue um ritmo próprio. Alguns dias não se perdem irremediavelmente, repetem-se até funcionarem.  Dentro disto tudo, dão-se r eencontros com espaçamentos de vários anos que parecem que foram ontem. Vozes que nunca se esquecem. Viagens e momentos que se revivem vezes sem conta, não por saudosismo mas pela alegria contagiosa de felicidade. Sentimentos que não se esgotam. Ainda assim somam-se vazios. Perdem-se lembranças. Relativizam-se importâncias. Instauram-se buscas aos desaparecidos, mortos e vivos. Já ninguém sabe como é simples querer bem. Os espaços ficam ocos, va...

Aprender a mal

O que nos deveria acontecer quando somos incorretos com alguém, quando brincamos com os sentimentos de outro ou quando fazemos mal de forma consciente? Calhou pensar neste tema porque acho que devíamos perceber logo quando isto acontece. Como forma de precavermos futuros mal entendidos e comportamentos menos bons. Diz-se que a “justiça divina tarda mas não falha” e mais cedo ou mais tarde, acabamos por “pagar” pelas nossas más ações, e assim sendo resta-nos apenas aguardar, porque iremos levar com a lição em cima garantidamente. Pois eu acho que devia ser um processo mais automático. Se eu mandasse seria assim, mas eu não mando nada! E já me estava a imaginar, sugada por um tubo tipo aspirador. Claro que não seria logo logo, porque podemos agir mal e corrigir a meio do caminho. Mas se continuássemos a magoar outra pessoa de forma recorrente, ai sim, vinha o tubo sugar-nos para nos enfiar num quarto escuro onde uma voz off nos falaria sobre o tema, como reflexão e nos faria...