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Bipolaridade

Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei.... Não quero saber. Não quero entender. Não quero ser compreensiva. Não quero ser o que esperam que seja. Não quero ser suave. Não quero ser segura. Não quero servir de apoio. Não quero abrir a boca. Não quero responder ou dar justificações. Não gosto do frio. Não quero comer. Não me apetece fazer conversa de circunstância. Não quero ouvir vozes. Não quero acender as luzes. Não quero responsabilidades. Não quero silêncio. Não quero a rotina. Não quero dinheiro. Não quero relógios ou horas. Tenho raiva. Quero partir tudo. Quero que me deixem em paz. Vão bugiar! Quero que tomem conta de mim. Quero que me desejem. Que não finjam preocupação ou carinho. Quero desaparecer. Quero admiração, luzes e alegria. Quero  música em alto e bom som. Quero dançar até cair. Quero imprevistos. Quero interesse. Quero ter tempo sem limites. Quero inteligência e futuro. Quero leveza. Quero ter sorte. Quer...

Recompensa

Não dá para ter tudo ao mesmo tempo? Vá lá! Uma pessoa porta-se bem todo o ano, toda a vida, sempre e não pode ter tudo ao mesmo tempo? Claro que o portar-se bem é relativo. Mas não ando por ai a matar nada nem ninguém e uma farpa bem metida aqui e ali não pode ser alvo de penitência. Muito agradecida pelas pequenas a grandes coisas boas que vão acontecendo. Parece que nunca são suficientes. Já as más… não precisavam ser tão más, podem ser só coisinhas de fácil resolução, ainda que chatas. Necessárias, bem sei. Dizem que é no meio da agrura que damos valor ao que realmente importa e que aprendemos. Não gosto de aprender à base de pancada, alimenta-me a raiva e isso não é nada bom. E a minha raiva pode ser muita… o meu teclado do pc que o diga! Sobreviveu e mal, com danos permanentes a um acesso de raiva, ainda me arde a mão só de pensar… Dos pedidos pendentes não posso ter tudo? Ou então listar os prioritários? Não é falta de fé, é falta de paciência. Esperar é uma v...

País sem vergonha

Num dia destes no caminho para o trabalho, cruzei-me com a manifestação em defesa do conservatório rumo ao ministério da educação. Senti um mix de vergonha e raiva. Este é o estado do pais que não tem um ministério da cultura, que pouco ou nada se interessa pela arte ou pelos movimentos artísticos, pelos músicos, acrobatas, bailarinos, escritores, criadores e todas as pessoas que optam de forma corajosa por escolher este modo de vida. É preciso coragem para ser artista em Portugal, coragem que eu não tive quando tive de optar. Aos 15 anos escolhi a vertente de artes no ensino secundário, acreditava que o meu caminho seria por ai. Sempre gostei de desenhar, pintar, fazer trabalhos manuais, construir, ler, escrever, música, história de arte sempre me complementaram como pessoa. E lá fiz eu o meu caminho, certa sempre que não seria nenhum Picasso mas mesmo assim, o design de moda seria a minha meta. Neste período fiz milhares de desenhos e até cheguei a fazer roupa e pintar tec...

A Culpa do muito

Hoje acordei a chorar. Não sei ao certo se foi a desilusão, a tristeza ou o desamor que tomou conta de mim. Acho que foi a raiva que me crispou os olhos. Senti raiva de mim própria, odiei-me por ser fraca, por não saber fazer nada por metade, por querer muito e não saber dar pouco… Quis esquecer tudo o que não pedi e todo o resto. Não quero carregar comigo a bagagem que não me acompanha. A culpa é sempre nossa em todas as instâncias. A culpa do muito, do tudo, do sentimentalismo exacerbado e de apenas querer ver o bom e nunca o que está por trás. A raiva que doí no peito. O gostar tanto doí no coração. O não saber o que fazer ao desejo acumulado e a tudo o que cresceu entretanto. Não saber fazer nada por metade. Não saber fazer nada por metade.   A ideia de não voltar a ver-te esmaga-me.  #omeuserendipity