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Mais uma década

E assim termina mais uma década. Esta foi para mim a década mais difícil mas também a mais proveitosa. Fazer uma retrospetiva sobre tudo o que me aconteceu nos últimos dez anos é um exercício brutal mas também uma tomada de consciência incrível sobre tudo o que vivi e passei. Não houve nenhuma área da minha vida que tivesse passado intacta nesta última década, nenhuma! Todas sofreram alterações e todas passaram por fases dificílimas e por momentos de paz mas nenhuma – NENHUMA - ficou igual. Digamos que pensar concretamente, com estrutura e ordem, sobre o que se viveu nos últimos dez anos me permitiu concluir que sobrevivo a qualquer coisa nesta vida. Não estou a exagerar, esta é também uma convicção que trago comigo desde o dia em que nasci, sobreviver ao impensável, ao inimaginável é um lema de vida, um superpoder que está registado no meu ADN. Por outro lado, dá-me também a capacidade e a responsabilidade de gerir a minha vida de uma forma melhor e foi isso que esta última dé...

Desistir

Não vou escrever sobre o que é desistir de fazer uma prova ou entrar numa competição. A competição é tema que pouco me interessa… Este desistir é um pouco diferente, é aquele que se sente quando a exaustão e o desgaste absoluto nos consome. Quando se vivem situações limites, exigentes, onde temos de estar presentes sempre a 100%   chega o dia em que se torna impossível manter o ritmo ou até continuar a acompanhar neste registo. Num momento qualquer, começamos a ceder. O corpo deixa de conseguir acompanhar o compasso, começamos a fraquejar, deixamos de ter coragem, o cansaço começa a vencer-nos e é natural, não somos super-homens, temos limites e o corpo é uma máquina perfeita que nos dá todos os sinais sobre isso. Conseguimos aceitar com alguma facilidade esta necessidade de descanso se estivermos a esticar a corda com trabalho, algum projeto em que estivermos envolvidos ou borgas em excesso, não conseguimos fazer o mesmo quando este desgaste se dá quando tomamos conta de a...

Paragens Obrigatórias

O silêncio nunca fez mal a ninguém. As pessoas morrem de medo dos silêncios prolongados e da solidão forçada. O estado normal de viver é estar em alerta constante, sem nunca desligar a ficha em momento algum. Com a necessidade de ter de falar ou dar-se com as pessoas, de ter de deixar uma marca ou assinalar uma passagem. Parece que temos de andar em estados permanentes de acompanhamento e com ruídos de fundo. Nunca se está satisfeito com o que se tem, nem com as coisas, nem com as pessoas, nem com as circunstâncias… A solidão fica no topo! Entre o silêncio ou a solidão, referenciada sempre como o pior que pode existir, a solidão fica injustamente associada a abandono. Quem está só não tem de ser um solitário ou sentir-se só. Mas reconheço que possa ser pesado e tenho-me apercebido com o passar do tempo que a maioria das pessoas vive em pânico só de pensar que pode cair nas malhas da solidão, mesmo quando já lá estão.  Existe uma ideia pré concebida, que precisamos...

Lições de Vida

Esta é uma grande lição de vida! Nem sempre é fácil percebermos isto ou acima de tudo aceitarmos, mas é inevitável chegarmos a esta conclusão. Algumas coisas não se perdem porque na verdade nunca são nossas. Como diz uma música do Carlão (Outra coisa, Outra coisa): “As coisas não são nossas, não devia ser preciso, agarrarmo-nos a elas: sofregamente.” Assim sendo, é melhor deixá-las ir. Não ficar a desejar o que não nos pertence, o que não nos deseja, o que não nos considera. Não devemos aceitar menos do que merecemos, mesmo quando achamos que o queremos é tudo. E não se iludam, senão é reciproco... esqueçam, não é de todo para vocês. Ninguém merece ficar com migalhas ou com o pouco que o outro tem para oferecer, só porque o outro não sabe o que quer. Se sabem o que querem, não se contentem com menos. O outro não irá fazer esse esforço por vocês, isso é certo. Somos nós que o temos de fazer, chama-se: respeito. E esse não é negociável.

Densidade

A própria palavra transmite substância, peso e complexidade. Qualquer coisa que se denomine denso é detentora de volumetria, de um corpo preenchido. Não é simples, não é fácil e não é seguramente leve. Por ser assim, parece também difícil de tocar e de compreender.  A densidade tem um estatuto próprio, é uma barreira maciça quase intransponível. O denso nevoeiro, não permite ver o que está para lá ou quando se vê, não se consegue ter a certeza do que se avista, envolve o olhar em mistério. É também por isso que as pessoas densas são tão atraentes, carregam em si todo um mistério. Guardam segredos que só eles sabem, experiências e conhecimento que só eles têm. São detentores de um património único, que os torna singulares. Os incompreendidos, impenetráveis que falam outra linguagem. Não se encaixam em lado nenhum, não se enquadram em nenhum contexto. Pensam e expressam-se de formas indecifráveis, não se defendem nem são vulnerais, são diferentes. Pagam o preço da incom...

Critérios pessoais

As pessoas têm a importância que lhes quisermos dar. Por mais consciência que se tenha disto, parece quase inevitável elevar algumas em detrimento de outras, com base em pressupostos intuitivos devidamente fundamentados, pela observação empírica, pelo convívio assíduo mais ou menos regular, e por uma série de outras razões, pessoais e aceitáveis de acordo com os critérios de cada um.  É uma espécie de fé estranha ou crença no outro, como quiserem chamar, que por vezes se simplifica em ver mais do que existe ou do que o outro efectivamente tem. Basicamente é da responsabilidade de cada um, o outro nisto, pouco ou nada tem a dizer ou a opinar, aquilo que eu vejo nele, é do meu olhar e exclusivamente da minha responsabilidade, portanto a importância é uma proporção pessoal e única. A exclusividade que dou ao outro no meu próprio critério é um atributo meu e não dele, ele não pede nada, sou eu que dou, porque quero! Nestas coisas da consciência cada um faz o uso que bem enten...

Ver com o coração

Espero na escuridão que chegues. Aguardo que me procures. Que sintas falta da minha presença no meio de todas as tuas ausências. Que queiras ouvir a minha voz. Que  a meio da madrugada me ligues só porque sim, porque não consegues dormir e queres falar comigo. Ou porque estavas a sonhar comigo e precisaste tornar o sonho real. Ou mesmo sem motivo, do nada só pelo desejo em fazê-lo.  E espero na escuridão, que os sons da noite se preencham com a tua voz ou com a tua presença. Aguardo em silêncio que a clarividência da verdade te chegue. Anseio pelo dia em que sintas o que tanto racionalizas, que te libertes de todos os medos e constrangimentos e concretizes. Calma e pacientemente aguardo que, despertes para o que tens em frente aos teus olhos e que deixes de ansiar por tudo aquilo que não sabes e que deixes de ignorar o óbvio.  O que fizeres hoje poderá trazer um amanhã melhor, sem precisares mudar de país, cidade ou planeta. Tudo está no sítio certo no momento...

Desencontros

São confusos e desorganizam o sistema. Entendo. Acontecem. Mas não são pacíficos. As dúvidas do que é. É ter certa uma expectativa que não se concretiza? É não lidar bem com planos mal planeados? É achar que o denominador comum nos desencontros do mundo, sou eu e apenas eu. Tudo o que muito se quer, desencontra-se de mim. Mesmo que tente contornar a realidade, as histórias, os desencontros parecem inevitáveis. Sempre. O regresso do dramatismo profundo. Que não gosto, mas é quase inevitável. Maldita lua em peixes. As dores da alma saltam quando menos se espera. Dizem, que nos faz crescer, que nos fortalece. Cada um tem de fazer a sua parte. Depois passa e as ideias reorganizam-se. A origem identifica-se, tralha que estorva o caminho. Os calcanhares de Aquiles mal arrumados. É uma tormenta que esmaga. Dói por dentro. Dói e dói a sério. Queima a agonia.  O denominador comum, eu. Falha inevitavelmente porque sou eu. Não mereço mais do que isto. Os outros veem isso....

Quero mais disto!

Não existem situações perfeitas, são perfeitas na medida da nossa realidade. Dizer que são perfeitas até é um exagero, afinal de contas o que é a perfeição? Ser feliz? E a felicidade é feita de partículas de várias coisas que chegam de todos os lados. Um sorriso, um beijo, um toque, uma confidência, a sorte de atender uma chamada a tempo, ter sacos para ir ao supermercado, um abraço, um agradecimento… não precisam ser coisas extraordinárias para serem perfeitas, acontecem no tempo e no momento exato que precisamos. Nunca antes ou depois, são precisas no instante. É a segurança de nos sentirmos íntegros. De sabermos o que desejamos sem medo de mudar de rota se necessário, mas conscientes no nosso próprio corpo, do sangue que corre nas veias, do coração que bate dentro do peito e do calor dos que se deitam ao nosso lado. Não estamos sozinhos, somos todos um. Entre cruzamos caminhos e histórias de vida, damos a mão e entregamo-nos. Queremos fazer melhor do que aprendemos, sabemos...

Vão-se lixar!

Estou farta desta treta… Os solteiros que paguem a crise? Vão-se lixar! Não tenho nada contra as crianças ou o conceito de família ou ter apenas 1 ou 10 filhos, ou nenhum, nada mesmo! Cada escolhe a família que quiser ter e faz da sua vida o que bem entender. Com filhos próprios, adotados, barrigas de aluguer o que for! Filhos são filhos. E cada um faz as opções de vida que bem entender. Agora, não aceito que o estado me discrimine/ penalize porque sou solteira. Ora bolas, não sou contribuinte? Não pago já impostos que cheguem??? Agora não ter filhos, não te baixamos o IMI porque não precisas, não tens filhos!!!  Não pagas menos IRS porque podes pagar tudo o que o Estado achar que deves.  Não te baixamos os impostos porque tu vives à grande! Não tens despesas, ganhas o suficiente para ti e para pagar todos os impostos e mais alguns que te pusermos em cima! Toca a alombar!!! E se eu não quiser filhos? E se eu não puder tê-los? Tenho de me justificar? E se n...

Auto - Avaliação

Os parâmetros de avaliação, são sempre complicados e subjetivos por mais objetivos que os apresentem! É incontornável! A forma como me avaliado não é a forma como os outros me avaliam e aquilo que eles veem em mim, nem sempre é aquilo que vejo em mim ou o que sou. E não estou sequer a dizer se é bom ou mau… Se me pedem para me auto avaliar, não esperam certamente que me ache pouco. Não sou a ultima coca-cola no deserto, mas não sou pouco ou nada! Há coisas que não se admitem. Não é falta de humildade, é a realidade! Por reconhecer o meu valor não quer dizer que não seja humilde ou que não haja humildade em mim, quer antes dizer que sei o que valho e estou disposta a mostrar o meu valor. Com caraças… se eu não sei o que sou capaz de fazer e reconhecer valor no que já fiz, quem há-de reconhecer? Mais uma vez, lá está…não me estou a pôr num pedestal, mas caramba…todos nós temos coisas no nosso percurso que nos orgulhamos. Não precisa ser uma obra de arte ou a fórmula da v...