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Valentina

Faz um ano que fui buscar a Valentina. A Amigato tinha-a recolhido da rua, muito pequenina e mirrada. Numa daquelas imagens que o algoritmo (que sabe tudo o que precisamos) do facebook nos mostra “aleatoriamente “pareceu-me ela. E lá fui eu, conhecer a Valentina que por aqueles dias ainda se chamava Letoya. Fui de coração partido com a perda da minha Picachu e pouco restabelecida das semanas duras que tínhamos vivido. Nem sei se foi coragem, carência ou alguma demência que me fez em tão pouco tempo procurar outra gatinha. A veterinária, também ela pouco refeita pela perda da Picachu, recomendou que esperasse um tempo. Eu e a Joaninha passamos uma semana complicada após a morte da nossa menina. A Joaninha visivelmente desorientada aguentou-se como pode apesar de ter ficado assim alguns meses. Nessa semana teve de reaprender a viver sozinha, que para ela é um tormento! Eu tive de me conformar com a ausência da gata mais querida que alguma vez tive e aprender a perdoar-me por nã...

Contactos com o céu

E o que é que eu faço com isto? Guardo também o teu número de telemóvel, mas o número de casa digito-o mentalmente várias vezes, tenho-o decorado desde que existe, muito antes dos telemóveis nos terem poupado a memória para estas coisas. Duas vezes por semana ou mais a ligar-te, só porque sim para saber se estavas bem. Umas vezes só para te ouvir reclamar que nunca mais te tinha ligado (como se fosse possível esquecer-me), para saber se precisavas de alguma coisa do supermercado porque iria lá ou para acertarmos pormenores nos nossos dates de fim-de-semana. Já não existe, eu sei. Confesso… liguei para lá e a menina (como dizias quando não te atendia o telefone) disse-me educadamente, que o número que pretendo “já não está atribuído”. Como é que ela há-de saber que este número será teu e sempre teu? Apesar de os últimos três anos terem sido muito duros para ti e para nós, relembro regularmente estas nossas rotinas. Tive de me reajustar, avó. Só percebi isso naquele dia ...