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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta dedicação

Um certo tipo de amor

Há um certo tipo de amor que demora a florir. Há um certo tipo de pessoas onde o amor demora a florir. Qualquer uma das afirmações é verdadeira. A primeira está comprovada, nem todos os amores são à primeira vista ou nascem espontaneamente, precisam de amadurecimento como as sementes na terra. O amor precisa de tempo, dedicação, empenho e coragem para se acreditar que vai germinar. O amor saudável, o que nos faz bem tem premissas que parecem esquecidas. Não tem regras pré-estabelecidas, contudo precisa deixar que a magia faça a sua parte, precisa que não se desista na primeira contrariedade, que não se desista só por desistir, que se deixe de lado crenças e ideias pré-concebidas que se possa ter sobre o amor. Precisa acima de tudo que se deixe de lado a bagagem que se traz. Não podemos esquecer a experiência que temos com o amor e ao mesmo tempo não podemos deixar que isso nos impeça de aguardar o imprevisível. O amor que demora a florir precisa ser original, ter uma linguagem pró...

Um jornal no comboio

A distribuição de jornais gratuitos nos transportes é uma ocorrência banal que acontece todos os dias. É comum ver-se as pessoas entretidas a lê-los no comboio e a depositarem-nos depois disso num banco vago, entalá-los semi disfarçadamente entre bancos ou no chão (sim, também acontece). A forma como as pessoas fazem estas coisas deixa-me perplexa, com uma agravante, não consigo disfarçar. Não consigo entender o que custa levar o jornal até ao caixote do lixo, não é o Expresso!!! É um jornal que tem pouquíssimas páginas. Hoje testemunhei uma destas cenas, uma senhora que ia uns bancos ao meu lado a ler o jornal, depois de ter acabado pega no jornal e encaixa-o entre as suas costas e as costas do assento. Sim, é verdade!! Ali bem esmagado entre a blusa da senhora e as costas do banco, uma maravilha! Como imaginam fez tudo com muita naturalidade, afinal de contas o jornal estava lido. Arrumou os óculos na caixinha ajeitou-se e ali ficou até sair umas paragens mais à frente. Quand...

Rosa

Hoje é um dia importante, faria hoje 93 anos a minha avó Rosa. Como homenagem deixo o conto que escrevi semi-inspirado nela. Esta Rosa e a minha Rosa têm em comum a missão de ser avó, um papel que desempenhou com amor e dedicação. Hoje e sempre com muitas saudades dela. Parabéns avó. ---- ROSA Quando se pergunta a uma criança, o que quer ser quando for grande, habitualmente respondem: professor, bailarina, médico, piloto de avião, chef de cozinha e por ai fora, mas não a Rosa, quando crescesse a Rosa queria ser: avó. Talvez por isso, tenha tido toda a vida, um ar mais velho do que seria suposto. Quando nasceu não parecia uma bebé acabado de nascer, parecia uma velhinha enrugada no colo da mãe. Antes dos dez anos, tinha já compridas melenas de cabelo branco e os traços do rosto sempre muito vincados a delinear-lhe a expressão. Naturalmente interessou-se sempre por hobbies muito pouco infantis como aprender a fazer crochet, depenar galinhas, cozer botões, passar a ferro e ...

Gatarias

Tenho duas gatas anciãs, como diz o meu pai. É como quem diz de forma simpática… já têm mais de 12 anos. Uma vai fazer 13 anos em Março e a outra 14 anos em Abril. Estou a chegar aquela fase de impasse em que sei que tenho de lhes dar a melhor velhice que conseguir, da mesma forma que lhes proporcionei uma boa vida sempre e ao mesmo tempo, talvez tenha de ponderar arranjar uma gatinha de transição… um terceiro elemento. Tal como acontece com os idosos, a proximidade com crianças traz-lhes longevidade, poderia ser bom. Cada gato é um gato, uma tenho a certeza que não iria achar estranho já a outra iria ter uma terrível crise de ciúmes porque é possessiva comigo! Já a estou a imaginar com os olhos a meia haste, como quem diz: é para passar por cima? Assim, neste impasse e sabendo que terei gatos toda a vida, facto incontornável, talvez não tenha de ser já e até precise de um tempo depois destas partirem para o gatil eterno. São muitos anos com elas, temos uma vida feita de hábito...

Desinteresse

Estou farta de fevereiro, não gosto de março e provavelmente terei de ter paciência para esperar por abril. Dito assim parece que o tempo passa devagar, mas não, o tempo anda supersónico. Assim sendo, vou piscar os olhos e quando os abrir estarei em abril. Não! Também não funciona assim, felizmente. Eu reclamo e barafusto com o tempo, os dias pequenos e o inverno de um modo geral mas não me importaria que os dias, as horas e os anos passassem um bocadinho mais devagar. Não se consegue aproveitar os dias, como deve ser. Nem os momentos…e alguns momentos deviam duras dias e dias, de tão bons que são. A juntar a isto tudo, o desinteresse desinteressa-me profundamente. A forma como as pessoas lidam umas com as outras, os filhos que abandonam pais, amigos que só aparecem quando precisam de alguma coisa, o vizinho do lado que só nos fala para pedir para tomarmos conta do cão, a desconsideração no cuidado com os outros, os pequenos gestos falham sempre. Não são precisas festas ou p...

Vidas Fast Food

Já não nos bastava a comida na versão fast food: as sopas instantâneas, os bolos sem sabor, as fibras e os tecidos plásticos, as imitações, as lojas dos trezentos e agora as pessoas tratarem-se como fast food! Ou esperarem que tudo seja no ritmo de um hamburger no Mcdrive. Que desperdício! Que é feito do envolvimento pelo gosto da descoberta? O tempo esse carrasco que nos consome a alma e o corpo. Hoje temos de comer depressa, chegar depressa, enfardar o número certo de calorias, dar uma rapinha, dizer coisas inteligentes e com propriedade, ir ao ginásio, aprender, dormir, correr e fazer tudo isto num só dia ou em menos horas possíveis e achar que assim é a qualidade de vida perfeita! E é assim que nos relacionamos com as pessoas também, vejamos: Ou contas toda a tua vida nos próximos dez minutos ou podes ir embora. 6 meses são uma eternidade para esperar que alguém se encante por outra. A agenda diz que tenho daqui a 3 meses um tempinho para ti. Se te portares bem! Conh...

Cuidados Intensivos

Às vezes gostava de ser diferente! As pessoas que não se preocupam com os outros, têm sem dúvida uma vida mais fácil, mais descontraída e mais descomplicada. São uns privilegiados! No fundo, vivem a sua própria vida como querem (e estão no seu direito), sem se preocuparem com nada que possa atormentar a sua paz de espírito. São também aquelas pessoas com quem ninguém pode contar, mas sempre disponíveis para convívios e festas, desde que organizadas por terceiros... nada que dê muito trabalho, é claro! Amigos do seu amigo, desde que estes não exijam muito, não fiquem doentes ou arranjem problemas.  Eu não consigo ser assim, não consigo desligar-me das pessoas de quem gosto e que são importantes. Por isso, é certo e sabido que podem contar comigo... e isso às vezes interfere também no funcionamento da minha vida do dia-a-dia, mas com alguma ginástica e boa vontade lá vou conseguindo fazer tudo. Mas eu sou assim, não sei ser de outra forma. Às vezes gostava de ser menos assim.....