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Pecado

Apagar vestígios dos maus tratos sofridos na alma, no corpo e no coração. É por isso que pecamos.  Fingimos coisas que não somos. Deitamos por terra tudo o que acreditamos. Fingimos desprendimento. Não te minto, só te omito a verdade. Minto-me todos os dias e todas as vezes que finjo ser o que não sou.  Invento coisas. Imagino situações, crio alternativas, enfio-me em buracos. As pessoas na rua falam a tua língua. Eu não, mas compreendo sem saber o quê. Finjo que quero pouco. Em cada encontro finjo. E pecamos vezes sem fim. A vida apodrece à volta. Finjo que não há amor. Cumprem-se vontades como quem pica o ponto. Obrigações. Tudo camuflado em suor. Com sexo não se promete nada. É mentira. São ideias que se compram na resposta à condição humana. Pecamos. Fingimos que o amor é mal menor. Desnecessário. E continuamos a pecar. 

Decretos essenciais

Alguém que decrete o fim das pessoas vazias! Podemos decretar o fim de tudo o que não nos é necessário porque motivo for?! Não podemos aceitar mais do mesmo que já não queremos, simplesmente sabemos que não queremos mais… não que isso nos impeça de viver, impede-nos de repetir comportamentos que não nos preenchem. Decreto o fim ao desnecessário! A idade pode roubar-nos tempo, mas o que ganhamos em sabedoria em alguns casos compensa bem o tempo que não vamos recuperar, por outro lado vai também possibilitar-nos de não perdermos tempo com o supérfluo! Se não recuperamos o tempo que já vivemos, não podemos perder tempo com o que não é bom para nós ou o que sabemos, de antemão, que não queremos ou não nos serve. Volto a repetir, decreto o fim ao desnecessário! Não é o fim aos erros (porque esses vamos sempre cometer, já que fazem parte do processo de aprendizagem diário), mas o fim ao dispensável! De tudo o que é inútil para a nossa evolução, se não evoluímos estamos a boicota...