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Escrever o que não se diz

Escrever pelo melhor e pelo pior que se pode dizer. Quando não se consegue verbalizar diretamente o quer que seja, escrever aparece como a alternativa viável. A linguagem verbal é mais imediata e directa, mas perde alguma informação. Com a rapidez do momento, não conseguimos partilhar tudo ou partilhamos da forma incorrecta ou pouco eficaz. Não que ache que tenha de existir alguma preparação prévia, mas quase sempre existe. Pensamos com alguma antecedência o que queremos dizer, não queremos perder a oportunidade. Mesmo sem grande preparação para uma conversa importante, esquematizamos mentalmente o que vamos dizer ou o que queremos dizer. Não se podem desperdiçar palavras. Quando se escreve podemos acrescentar e tirar informação na mensagem, podemos escolher palavras e a forma mais correcta de dizer o que queremos. Podemos pensar e repensar, conteúdos e formas. Podemos dispor tudo ao nosso gosto. Enviamos a mensagem quando e como queremos. Ao falarmos estamos a ouvir-n...

Até à lua...

Aquele momento em que te ligam de madrugada e percebes que ias ter com aquela pessoa nem que estivesse na Mongólia.  Mas não vais, ficas ali. Imóvel. Campainhas, soam campainhas. O sono atrasa-se para o dia a seguir. Na realidade nem pensas em nada. Ficas só, de olhos abertos a pensar se tiveste coragem porque disseste que não ou porque não disseste que sim. Querias ir. E irias. Mas não tens autorização para isso. Há que respeitar as regras. As coisas são como são. E tu aceitaste, assumiste como provisório. E era.  O teu caminho era outro. Ficou o aviso que irias partir, quando esse momento chegasse. Sem olhar para trás. E foram chegando várias ameaças que estaria para breve. Não aconteceram. Não estava destinado. Não resultou, não quiseste. Estes cenários só funcionam nos filmes ou quando nos dão autorização para isso. Não tens autorização. Não vais dizer que queres mais a quem não vai alinhar. Estas manifestações são noutras histórias. Filmes e coisas qu...

Fragmentos

De tudo o que guardo em mim, isto é talvez o pior, o mais difícil de ocultar. É um esforço que me ultrapassa que me queima por dentro. Queria gritar, bem alto para todos ouvirem... para eu própria ouvir: é amor.  Acredita que é amor! Não queria esconder, mas não sei ser de outra forma. Tenho medo. O silêncio é a minha defesa. Se eu não souber mais ninguém sabe. Se eu não disser mais ninguém ouve. Se não partilhar é como se não existisse... Inspiro. Inspiro. Expiro. Não sai. Fica lá, agarrado as entranhas, como se afirmasse: dai não saio e daqui ninguém me tira. E não sai, não morre, cresce, ilude-se, emociona-se, duvida... Colado nas paredes da pele e dos ossos, que o extraem das células como o néctar divino. Todos desejam o que tu tens. O que julgas ter, o que tens medo de sentir. E tu que fazes? Não crês.. . Não queres crer... Nem ver, nem sentir, nem cheirar, nem lembrar, nem esperar muito mais... Tu queres isso tudo. Não sabes como... És inc...