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O tempo passa

Faz hoje um ano que tive de deixar partir a minha gatinha. Ninguém nos prepara para estas coisas, nem nunca iria conseguir sentir-me preparada para fazer de ânimo leve o que tive de fazer. Reconfortei-me com a nobreza do ato que todos os meus amigos me quiseram transmitir, como sendo o melhor e um ato de amor. Foi o melhor, obviamente tendo em conta o quadro clinico da gatinha. Talvez tenha sido também um ato de amor, vê-la sofrer estava a deixar-me destroçada. Ela estava esgotada, a Joaninha estava esgotada e eu acabei por desistir depois de uma semana de pouco sono e muito desgaste na tentativa de mantê-la viva. Nada nesta vida é para sempre, nem a vida das pessoas que amamos nem a vida dos animais que tanto nos dão nem a nossa própria vida. Por isso, aceitar com naturalidade todo o processo é o que nos resta saber fazer. Nunca será fácil mas é menos difícil encarando as coisas com a naturalidade que devem ter. Digo isto agora, com algum distanciamento depois de ter sofrido horro...

Perpetuar a memória

Estava hesitante se deveria escrever este texto, hoje e por ser hoje. Entretanto depois de refletir bem sobre o tema, não só conclui que devo como é essencial que o faça.  A memória das pessoas que amamos ficará sempre viva enquanto houver quem se recorde. E eu quero recordar a minha avó, hoje e sempre. Enquanto eu me lembrar dela e registar isso, ela vai continuar a alimentar o meu imaginário e a reconfortar a minha alma. Vai viver algures neste espaço em que eu vivo, outros irão ler o que escrevo sobre ela e recordá-la ou simplesmente imaginar e sentir a ligação que existe entre nós. É uma ligação perpetua, nunca existirá um verbo no passado entre nós. Por isso é com sentido de missão que escrevo este texto, hoje e sempre que me apetecer escrever sobre a minha avó. Não é doloroso escrever sobre ela, ainda que me inundem as saudades, é o conforto do amor que me faz escrever, falar ou pensar nela. Hoje faz dois anos que ela morreu e esse sim, foi um dos dias mais triste...

Paciência

As pessoas com paciência salvam o mundo. Nem pode ser de outra maneira. Não é uma conclusão de hoje, é uma perceção que tem ganho forma. Nem sequer é um mantra ou conselho, é a realidade.  No mundo consumido por ansiedade e todo o tipo fármacos, a simples prática de “paciência” parece ser um desperdício. Aliás parece estar completamente em vias de extinção. O tempo passa a correr e os medicamentos fazem efeito rápido ao fim de pouco tempo, já a paciência exige uma boa dose de calma, disponibilidade e tempo, coisa escassa hoje em dia.  A vida corre a uma velocidade alucinante, um dia somos crianças noutro já somos adultos e parece que nem passamos pelos estágios intermédios. A sofreguidão é tanta que exigimos resultados no imediato, sem esperar que as coisas ganhem forma ou alguma segurança. Se não for já, não quero, se não tiver já o emprego, o carro, o namorado, a família, o livro, a resposta que preciso, mais vale passar à frente e esquecer. Parte-se para outra ...

É outra vez...Março!

Cá vamos nós outra vez! Eu e Março*, Março e eu…como o azeite e a água. Não se diluem. Toleramo-nos e aceitamo-nos. Não dá para ser de outra forma… não hiberno em Março, mas passamos um pelo outro como o meu cão Paco e a minha gata Berta. Sempre que se cruzavam num corredor ou num espaço mais apertado, cada um passava o mais encostado à parede possível para não se tocarem e quase nem se verem, umas vezes até passavam a correr um pelo ou outro, num momento ou outro um atacava o outro (coisas de cão e gato). Mas na maior parte das vezes, faziam um esforço imenso para se ignorarem, espiando pelo canto do olho os movimentos de cada um. Assim sou eu e o mês de Março. Não nos gramamos nem por nada… Não sou particularmente fã da Páscoa, os dias ainda são pequenos, está frio, é o mês de Peixes, é o fim do inverno e com o fim do inverno chegam outros fins que quis o destino ou a vida, marcassem a minha história pessoal e o meu mês de Março para sempre. O fim dos fins de pessoas...

O Soma dos Dias

Isto podia começar assim: fecha os olhos e salta! E alguns dias são assim, saltos de fé. Mas eu sou uma pessoa racional…e alguns dias salto e outros não, e outros dias preciso que me empurrem! Será que o eclipse influencia diretamente as pessoas? Bem…as luas influenciam as marés e de certeza influenciarão as pessoas também. Traduz-se em acabar com: vícios, hábitos, velhos padrões emocionais, dependências....tudo e tudo o que não nos ajuda a evoluir…o que nos cria raízes e nos impede de ir mais além. É isso? E penso, penso, penso, penso… porque as coisas têm todas de ter uma explicação, mesmo que seja inexplicável, tenho de chegar lá. Algumas pessoas constroem puzzles, eu agrupo ideias, situações, momentos, coisas… e depois pego em tudo e vejo como se encaixa, porque lá no fundo preciso de uma direção, uma ordem, a minha ordem. Umas vezes bastam as estrelas para guiar ou até lua, outras vezes não… E pensar pode ser bom como também pode ser mau, por isso não salto! Os da...