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Calças à boca de sino e culottes

Vamos lá falar de futilidades! Não é verdade, por muita discussão que o tema possa dar, a moda é tão fútil como qualquer outra forma de arte. A moda não é fútil, ter de nos vestir e existirem pessoas que sabem desenhá-las, que conseguem definir tendências, conjugar cores, materiais e texturas não é para toda a gente! É preciso conseguir ver antes de acontecer e perceber como irá ficar no corpo de um homem e de uma mulher. Por mais que se tente futilizar a moda, é quando a usamos que a tornamos fútil e não antes… a obra de arte nasce para preencher um vazio para que a nossa imaginação consiga ver mais além, para nos estimular. A massificação do vestuário tira-lhe um bocadinho o brilho e o sentido com a democratização de modelos e moldes de vestuário, formas e tendência, somos nós quando as vestidos que lhes damos alma e carácter, num cabide da Zara são só mais uma peça de vestuário depositada num mostruário para vender. As tendências para 2019 voltam a fazer brilhar o meu ol...

Densidade

A própria palavra transmite substância, peso e complexidade. Qualquer coisa que se denomine denso é detentora de volumetria, de um corpo preenchido. Não é simples, não é fácil e não é seguramente leve. Por ser assim, parece também difícil de tocar e de compreender.  A densidade tem um estatuto próprio, é uma barreira maciça quase intransponível. O denso nevoeiro, não permite ver o que está para lá ou quando se vê, não se consegue ter a certeza do que se avista, envolve o olhar em mistério. É também por isso que as pessoas densas são tão atraentes, carregam em si todo um mistério. Guardam segredos que só eles sabem, experiências e conhecimento que só eles têm. São detentores de um património único, que os torna singulares. Os incompreendidos, impenetráveis que falam outra linguagem. Não se encaixam em lado nenhum, não se enquadram em nenhum contexto. Pensam e expressam-se de formas indecifráveis, não se defendem nem são vulnerais, são diferentes. Pagam o preço da incom...

Os Livros

É muito difícil, definir-se apenas um escritor ou um livro como o único, aquele livro que nos marcou para sempre, aquele escritor/a que ganha o estatuto de favorito. Depende sempre do estilo e do género, e para cada um deles, vamos ter um ou vários que farão parte dos eleitos. Até parece um pouco redutor, com tantos livros bons que existem para ler e autores fantásticos, ter apenas um ou dois na galeria dos predilectos. Andamos anos (uma vida inteira) a ler vários livros, a descobrir autores, temas e géneros. No meu caso, gosto de vários escritores, tenho vários livros que me marcaram positiva e negativamente. Tenho os favoritos e os outros, os livros bons e os livros maus, as histórias inesquecíveis e as outras. Quando se lê regista-se um pouco de tudo, mesmo quando a cadencia da leitura é lenta ou mais demorada do que seria suposto. De qualquer modo, é sempre bom aprendermos com os livros e definirmos termos de comparação, crescemos com o conhecimento. Tenho o “Retrat...