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Avô Fernandes

Se o meu avô fosse vivo, faria hoje 93 anos. Gostava muito da forma como o meu avô me fazia sentir, todas as vezes, como se a minha presença ou chegada lhe tivesse iluminado o dia, os olhos dele brilhavam. Era quase sempre assim.  Marcou-o ter nascido tão pequenina - "parecia um coelhinho" - como dizia. E ainda exclamava: "como poderia uma coisinha tão pequena vingar?". Soube mais tarde que me visitava com frequência em casa dos meus outros avós. Desviava-se do caminho para casa, para me visitar, devia ser para garantir que o coelhinho crescia como devia ser. Avô, sou um osso duro de roer! Se calhar era isso que ele admirava quando nos víamos, que sobrevivi, cresci e tornei-me mulher apesar dele ter ficado pelos meus 14 anos.  Quando me recordo do meu avô Fernandes, sou sempre a Sophia e nunca a Sofia.  Era observador o meu avô, e eu gostava de forma como escrevia e do modo como se deixava encantar pelos livros que o meu pai lhe oferecia. Era um homem ...

Kamikaze*

Esperar sempre o melhor das pessoas, será uma ideia errada? Sinto-me um bocadinho kamikaze por esperar sempre o melhor das pessoas. Diz-se que é nos momentos mais difíceis ou nos maus momentos que se percebem quem são os amigos. Não sei se será assim, os amigos estão nos bons e nos maus momentos e não se revelam apenas nos tempos difíceis, revelam-se sempre. Compreendo porque se diz isto, e é fácil perceber. Nos momentos complicados precisamos sempre de mais apoio, de um ombro amigo, de um abraço de uma atenção. É transversal para os bons momentos mas nessas alturas a euforia toma conta de nós e achamo-nos super heróis que se bastam a si próprios, até nos afetos. Nos momentos mais complicados, quando não nos suportamos a nós próprios, é verdade que o carinho dos amigos é essencial. Ninguém passa pela vida sem percalços, e nessas alturas todo o apoio é bem vindo. É muito mais fácil ter esperança e acreditar quando temos bons amigos ao nosso lado, a torcer por nós. Dão-nos a c...