Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta terra

Terra de ninguém

Socialmente estamos integrados em grupos, comunidades, famílias, fazemos parte de alguma coisa nem que seja por afinidade. Aparentemente estamos ali e pertencemos aquele grupo. É assim que as coisas funcionam e que nos estruturamos entre nós.  Isto faz com que muitas vezes fiquemos cingidos a um espectro de pessoas, porque são universitárias como nós ou os conhecemos desde crianças e têm um percurso semelhante ao nosso, trabalham no mesmo ramo, os filhos andam no mesmo colégio, frequentamos os mesmos restaurantes e festas e por aí fora... E quando podemos estar em grupos e contextos diferentes, porque temos essa capacidade (de não excluir ninguém), mas na realidade não fazemos parte nem de um lado nem de outro?  É tramado! Não fazer parte de lado nenhum, o pertencer à terra de ninguém, é um bocadinho solitário. Entenda-se, não por vontade própria, mas por não se identificar. Juntando as parcelas pode-se ter fragmentos de todos os lados e não per...

Cinzas

Somos do sítio onde nascemos e de todos os outros que se entranham na alma.  Somos do sítio das origens dos nossos antepassados, somos de muitos trilhos e caminhos que definem a nossa génese. Somos do mundo, de Portugal e de algum pedaço de terra perdido no mapa.  Uma parte de mim vem também do pinhal que agora ardeu (e de todos os outros que arderam anteriormente) das montanhas e vales de Pedrogão Grande, das serras vizinhas, da cordilheira central, das curvas e caminhos de pó, da floresta densa e de todo um conjunto de cheiros que só a natureza daquele sítio tem.  Há coisas que só se sentem naquelas serras. Há coisas que só se vivem ali. Há um tempo fora do tempo, que pertence a esta floresta única. Cresci com os pinheiros, com os incêndios, com a chegada dos eucaliptos, com o calor de rachar no verão, com o frio de congelar no inverno, com amigos e histórias únicas vividas ali.   Tenho um amor imenso por estas terras: pela história da minha famíli...

Pilares da terra

Entre silêncios longos e ausências, não sei porque teimas em não acreditar que a tua vida ao meu lado seria bem melhor! Comigo ao teu lado tornar-te-ás invencível! Porque insistes em não perceber que a minha presença aperfeiçoa a tua vida? Vida essa em que um seria para o outro o que o outro será para si próprio, infinito e pleno. Presente e único. Se não vês com os teus olhos, porque não te permites sentir o que te diz o coração? Que mais provas precisas para ver o inevitável? Não crês? Serei o pilar da tua vida. Sem esforço e inteiramente rendida aos teus encantos. Serás o pilar da minha vida na fusão de almas que se entendem no silêncio e no caos. Cuidar-nos-emos: tu e eu, eu e tu. O porto de abrigo seguro a que voltaremos sempre. Estarei aqui para ti, bem sei que não sabes isso. Mas estarei, mesmo quando não tiver nada para te dar ou quando a desorientação predominar. Não sei porque teimas em não acreditar que a tua vida seria bem melhor comigo ao teu lado, próxima ...

Muitos parabéns!

Hoje voltamos ao sitio onde pertencemos. Aqui onde os nossos antepassados trocaram as planícies e os planaltos do Alentejo pelas montanhas da cordilheira central. O céu parece mais próximo da terra, e os cumes altos destas montanhas parecem que entram pelo céu a dentro. Tudo é duro, forte e marcante:  a paisagem, os cheiros, as cores e a água.  Aqui criaram raízes as pessoas que geneticamente nos integram, os pioneiros da nossa origem. Estamos aqui hoje para homenagear um homem da terra. As gerações que se rendem, e que regressam sempre ao ponto de partida. O filho que foi neto, que é pai, marido, irmão, tio, cunhado, sogro, avô e amigo. São 70 anos, mais de 25.000 dias de vida. Muitas histórias, aventuras, partilhas e regressos a casa.  És tão nosso como és daqui.  Somos todos, trouxeste-nos até cá, vezes sem conta, mostraste-nos o teu amor por esta terra e como é importante para ti.  Voltámos hoje para que se cumpra mais uma parte da tua história,...