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Frustração

É como limpar o lixo para baixo do tapete, não é por não o vermos que ele não está lá! Se não o limparmos (eventualmente um qualquer dia…), não haverá espaço para mais lixo por baixo do tapete. Uma parte fica escondida e outra completamente de fora, a transbordar por todos os lados, a gozar com a nossa cara para nos lembrar o que quisemos tanto esquecer. Desde de tenra idade que nos ensinam que não devemos tornar visível a nossa frustração e em particular a tristeza. Não devemos demonstrar “fraqueza” nem vulnerabilidade. Devemos engolir os sapos, limpar as lágrimas encher o peito e continuar, continuar, continuar… como se nada fosse. E como é possível fazer isto, sem nos danificarmos? Tudo o que fica acumulado acaba por vir ao de cima, mais cedo ou mais tarde. Mesmo as questões que julgamos bem resolvidas ou achamos nós que já sabemos lidar com elas. Seja para nos avivar a memória, seja para as resolvermos de uma vez por todas. Independente do motivo, acabam por se manifestar. ...

Escolhas

Um exercício. Imaginem que têm três escolhas possíveis para um desfecho idêntico, uma meta. Se preferirem (para tornar o exercício mais visual) estão num cruzamento e pela frente têm três caminhos possíveis, a única coisa que sabem é que a distância em todos é igual (o caminho a percorrer até ao fim), mas não sabem como é cada percurso e quais a dificuldades que irão encontrar. Importante frisar que o irão fazer a pé, sem ajudas ou apoios de outros meios de locomoção e farão o caminho sozinhos. Como estamos no início do processo, todas as possibilidades estão em aberto e em pé de igualdade. São reais, são palpáveis e todas se podem concretizar em qualquer um dos caminhos. Nesta fase o primeiro desafio é deixar de lado qualquer juízo de valor, preconceito, ideia pré-concebida e tentar voltar à estaca zero – tábua rasa – para ficarmos o mais limpos possíveis que conseguirmos. Assim analisamos as possibilidades, como elas parecem ser, cada uma delas. No ponto de partida recebe...

Inexistência

Def. adjetivo de 2 géneros: 1. que está em falta 2. que não existe É assim que se define a palavra inexistente: o que está em falta ou o que não existe. Algumas palavras só ganham realmente sentido quando algo está em falta ou deixa de existir, como é o caso da palavra inexistente. Tantas vezes usada e nem sempre fácil de materializar o seu sentido. A inexistência tem-me fixado os pés na terra, sempre que, sem dar conta viajo pela existência de pessoas e situações inexistentes. Deixo-me vaguear por pensamentos familiares e por memórias que ainda me parecem presentes, como se conseguisse estender o inexistente pelo presente. É tão real que parece verdadeiro. Como se ainda acenassem naquela janela, onde tantas vezes esperam por nós. Como se a rotina não tivesse mudado e as listas de compromissos não se tivessem reajustado à nova realidade. Ainda se sente tudo recente, como se não tivesse acontecido porque a presença não se ausentou na inexistência, faz parte do dia-a-dia...

Fenómenos Paranormais

Existem os fenómenos do Entroncamento e depois existem os fenómenos típicos do sexo masculino. Sejam ou não do Entroncamento, do norte ou do sul, deste pais ou de outro qualquer. Desconfio que é uma questão transversal, porque se escreve nas diversas línguas do mundo sobre o tema. Assim sendo, arrisco-me a dizer que é um calamidade que afecta as mulheres de todas as nações e que se encontram mais ou menos na minha faixa etária, um pouco mais para baixo ou um pouco mais para cima. É um comportamento típico do sexo masculino, mas não exclusivo, algumas mulheres também comentem a mesma falha. Desconfio que por imitação, para seguirem a mesma cartilha sob o lema: olho por olho, dente por dente. Como quem diz: se não gostam, não façam…mas vejam lá se gostam que vos façam o mesmo? (e riem no final) “Eles oferecem sempre mais do que estão preparados para dar…” Homens, expliquem-me porquê? Estou numa fase, em que as explicações razoáveis para este tipo de comportamento, estão...

Desencontros

São confusos e desorganizam o sistema. Entendo. Acontecem. Mas não são pacíficos. As dúvidas do que é. É ter certa uma expectativa que não se concretiza? É não lidar bem com planos mal planeados? É achar que o denominador comum nos desencontros do mundo, sou eu e apenas eu. Tudo o que muito se quer, desencontra-se de mim. Mesmo que tente contornar a realidade, as histórias, os desencontros parecem inevitáveis. Sempre. O regresso do dramatismo profundo. Que não gosto, mas é quase inevitável. Maldita lua em peixes. As dores da alma saltam quando menos se espera. Dizem, que nos faz crescer, que nos fortalece. Cada um tem de fazer a sua parte. Depois passa e as ideias reorganizam-se. A origem identifica-se, tralha que estorva o caminho. Os calcanhares de Aquiles mal arrumados. É uma tormenta que esmaga. Dói por dentro. Dói e dói a sério. Queima a agonia.  O denominador comum, eu. Falha inevitavelmente porque sou eu. Não mereço mais do que isto. Os outros veem isso....

Amor Líquido e outras histórias

Ontem, um amigo relembrou-me Zygmunt Bauman, sociólogo Polaco que estuda o comportamento da sociedade actual nas mais diversas áreas. Descobri o Bauman pelo livro “Amor Líquido”, só de ler o prefácio percebi que empiricamente e sem alguma vez me ter debruçado cientificamente sobre o tema, que este senhor escrevia o que pensava, sem ter a certeza. O “Amor Liquido” fala sobre a fragilidade dos laços humanos, hoje. “Bauman analisa assim o modo como a nossa era, que ele designa por modernidade líquida, ameaça a capacidade de amar e os crescentes níveis de insegurança, tanto nas relações amorosas como nas familiares, e até no convívio social com estranhos.” O isolamento do sexo face ao amor e do amor face ao sexo, como momentos autónomos que não se cruzam ou que se podem viver isoladamente quase sem que se cruzem é outras das questões aprofundadas pelo autor. A liberdade sexual e o fim das sociedades patriarcais, a liberdade de pensamento, a revolução sexual dos anos 60 e a emancip...

Uma espécie de mixórdia de temáticas

Hoje estou com a sensação que quero escrever sobre tanta coisa, que provavelmente irá sair uma mixórdia de vários temas! Como hoje é o dia dos canhotos e como muito bem me relembrou uma amiga minha, eu canhota e prematura, talvez esteja com as duas singularidades em conflito e dai a necessidade de escrever sobre muitas coisas que podem ou não relacionar-se. Uma vez por outra, devemos ter o dia da bipolaridade, deve ser hoje o meu dia. Por exemplo, quando nos dizem que só morrem os bons ou os bons vão primeiro… E nós que ficamos cá, somos o quê? As sobras? Ou alguns bons num mix de maus que não morrem nem à paulada? Que alguns que morrem são bons, não tenho qualquer dúvida. Que alguns são os bons dos bons, também não… mas nem todos. E não é por morrem que irão ficar melhores. Aliás, não têm hipótese de emendar o quer que seja, logo nunca serão bons! Ponto final, não é por esticarem o pernil que ganham o estatuto de super heróis… todos nós vamos morrer mais cedo ou mais ta...

Um desabafo...

A minha intuição está a precisar de férias, aquilo que eu sinto não bate certo com a realidade e a realidade às vezes parece que está a tentar interferir com a minha intuição! Ou será que sou eu que quero ver o que não existe? Vou já avisando as entidades superiores, que se querem enviar-me avisos ou sinais, sejam mais óbvios porque já não estou a perceber nada. Não sou eu que crio as situações (algumas), são elas que veem ter comigo! Por vezes tenho a sensação que isto funciona como as tv’s antigas: uma antena no topo a apanhar o sinal, se faz chuva roda-se a antena, se aparece uma linha dá-se uma palmada na caixa, quando se acende tem de aquecer, apenas dois canais para uma pessoa não se dispersar com inícios de emissão alternados. Uma alegria de vida, simplificada. Quem inventou os botões on off devia ter pensado em incorporá-los nas pessoas… deve ser a isso que se chama atenção seletiva, este on off. Se me interessa estou on, se não me interessa desligo e pronto fico em mo...