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Que é feito de ti?

Que foi feito de nós? Que foi feito de ti? Prometias tanto. Querias tanto. As derivações do muito variam de alma para alma. Eu não tenho corpo para o tanto que tenho em mim. Tu? Não sei… tens qualquer coisa que não consigo decifrar. Prometias tanto. Mas dás tão pouco em troca de tudo. E se queres tudo! Desproporcional e desmedido. Que é feito de ti?

Os imprevistos

Os acasos, são sempre os acasos que me apanham. Sempre soube. Essencialmente os que não procuro. Todas as vezes que me demito de procurar, eles encontram-me. Cruzam-se comigo na rua. Apanham-me desprevenida mas acertam-me em cheio. Ganham quase sempre. Insisto em não deixá-los entrar. Sou teimosa Finjo que não guardo na memória bocadinhos e pormenores. Fecho os olhos para não ver o que não esqueço, mesmo que me esforce. O que os olhos não veem guarda o olfato. Não consigo apagar. Saio vencida e deixo que me consuma. É um caminho sem retorno. O meu mundo muda. Passo a gostar-te de gosto e de sabor. Entende como quiseres. Quase tudo muda, a realidade transforma-se. Crescem coisas. Cresce o desejo que se engrandece. Agiganta-se Um desejo que é: imutável, inalterável, permanente e todos os sinónimos que encontrares. Consome-me e consome-se, todos os dias na tua ausência.