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Ser Cortez

É mais ou menos universal que as saudades não se medem pelo tempo. Não sei quem inventou esta medida mas nem sempre é fácil contabilizar se temos mais saudades hoje que tínhamos ontem. As saudades são saudades, vivem por si, sem métricas ou medidas. Mais do que uma medida são um estado. A nostalgia dos dias é imensa, sempre que relembro das minhas avós. Achava eu, que os meus avôs já tinham um bom barómetro para as saudades que uma pessoas pode sentir de quem se muito quer mas na verdade, a minha história é maior com elas. Foram elas que ocuparam um grande espaço do tempo da minha vida, estiveram lá: foram avós! Temos muita história juntas em momentos da minha vida que soube apreciar em pleno estas memórias. Hoje, porque a minha avó Maria faria 99 anos não posso deixar de sentir saudades. Tenho saudades de tudo o que vivemos e ao mesmo tempo tento relativizar os últimos anos, que foram duros. Não é fácil assistirmos ao declínio de ninguém, muito menos de quem amamos com o coração...

Lição do dia

Se o arrependimento matasse, estaria fulminada! Dei por mim a vasculhar nas pastas perdidas do meu e-mail pessoal e encontrei coisas tão engraçadas, trocas de e-mails tão divertidas, coisas bonitas essencialmente. Depois resolvi continuar a procurar outras trocas, mas nada… e lembrei-me: ups apaguei tudo! Recordo que em tempos criei uma pasta onde depositei tudo ao monte, como se faz com a tralha velha. Num dia menos bom, devo ter feito o delete completo, sem hipótese de reverter. Pois é, o fim das histórias, relações ou seja lá o que for tem sempre este quê de dramático! Eu resolvo assim, apago tudo, devolvo tudo, deito fora como se isso fosse apagar as memórias ou o sofrimento. Não deixa de ser terapêutico, mas depois passado algum tempo perde-se no tempo o que foi mau e o bom também, no impulso apenas do lado mau. Isso é uma treta…não vai resolver nada, muito menos apaga o quer que seja. Só torna ténue os factos do passado e perde-se o fio à meada. Eu sei que partil...