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A mostrar mensagens com a etiqueta aniversário

Ser Cortez

É mais ou menos universal que as saudades não se medem pelo tempo. Não sei quem inventou esta medida mas nem sempre é fácil contabilizar se temos mais saudades hoje que tínhamos ontem. As saudades são saudades, vivem por si, sem métricas ou medidas. Mais do que uma medida são um estado. A nostalgia dos dias é imensa, sempre que relembro das minhas avós. Achava eu, que os meus avôs já tinham um bom barómetro para as saudades que uma pessoas pode sentir de quem se muito quer mas na verdade, a minha história é maior com elas. Foram elas que ocuparam um grande espaço do tempo da minha vida, estiveram lá: foram avós! Temos muita história juntas em momentos da minha vida que soube apreciar em pleno estas memórias. Hoje, porque a minha avó Maria faria 99 anos não posso deixar de sentir saudades. Tenho saudades de tudo o que vivemos e ao mesmo tempo tento relativizar os últimos anos, que foram duros. Não é fácil assistirmos ao declínio de ninguém, muito menos de quem amamos com o coração...

Rosa

Hoje é um dia importante, faria hoje 93 anos a minha avó Rosa. Como homenagem deixo o conto que escrevi semi-inspirado nela. Esta Rosa e a minha Rosa têm em comum a missão de ser avó, um papel que desempenhou com amor e dedicação. Hoje e sempre com muitas saudades dela. Parabéns avó. ---- ROSA Quando se pergunta a uma criança, o que quer ser quando for grande, habitualmente respondem: professor, bailarina, médico, piloto de avião, chef de cozinha e por ai fora, mas não a Rosa, quando crescesse a Rosa queria ser: avó. Talvez por isso, tenha tido toda a vida, um ar mais velho do que seria suposto. Quando nasceu não parecia uma bebé acabado de nascer, parecia uma velhinha enrugada no colo da mãe. Antes dos dez anos, tinha já compridas melenas de cabelo branco e os traços do rosto sempre muito vincados a delinear-lhe a expressão. Naturalmente interessou-se sempre por hobbies muito pouco infantis como aprender a fazer crochet, depenar galinhas, cozer botões, passar a ferro e ...

Parabéns Rio de Mouro_Rinchoa

Eu sou de Lisboa, nasci em Lisboa e sou efetivamente de Lisboa apesar de nunca ter vivido em Lisboa.  Sou também dos sítios das minhas origens um pouco mais da Pampilhosa da Serra, um pouco menos do Redondo, de Sintra e muito da Rinchoa. Quando se fala de Rio de Mouro ou da Rinchoa, nunca é pelos melhores motivos, é quase sempre para relatar um acontecimento grave como um assalto, um acidente, violência ou algo do género. Estes fenómenos não são exclusivos de Rio de Mouro ou da Rinchoa e são difíceis de dissipar dos estereótipos das pessoas, grudam-se com cola de cimento à minha terra e por muito que se tente dizer que são acontecimentos pontuais que acontecem em qualquer sítio, o rótulo permanece e tem sido difícil desvincular-se dele. Como se no dia em que pomos uma nódoa na camisa nos vinculasse em permanência com o rótulo: “é sujo” ou “sempre que come põe uma nódoa na roupa”. A comunicação social tem muita culpa desta imagem errada que alimenta com base em pouca ou qua...

41 pelos 14

É assim que as coisas acontecem, por uma série de razões que nos ultrapassam mas nunca por acaso. Os 41 anos são o inverso numérico dos 14 anos e mais uma vez, nada acontece por acaso. Desculpem-me os mais céticos nestas coisas, eu já tenho provas suficientes para acreditar.  Aos 41 anos assentou toda a poeira que andava pelos meu céu! Toda a poeira que ficou particularmente confusa precisamente aos 14 anos. Ao contrário do que habitualmente se diz: “era jovem e parva” ou algo do género, era efetivamente jovem mas nunca em momento algum parva, tola ou algo semelhante. Tinha 14 anos e por isso, o que era naquela altura não é o que sou hoje ainda que exista em mim essa miúda de 14 anos que perdeu o avô após um período de sofrimento longo e que por esse motivo deixou de acreditar em Deus e em tudo o que dissesse respeito à fé. Que arrumou o encanto pela vida e pelas coisas simples em questões pragmáticas e palpáveis. Que optou por apagar da visão do mundo a magia para se...

As diversas formas de amar

Era uma vez. Podia muito bem começar assim esta história. Se existem histórias de amor que duram uma vida, esta é uma delas. É muito mais do que se vê e o que obviamente se aponta, sim o homem é lindo! Todos concordamos. Nestas coisas do amor, a beleza que entra na sua quota parte mas não é tudo e não é tudo mesmo! São precisas muito mais coisas para que se ame alguém ou alguma coisa. O amor não chega só pelo brilho ou pelo glamour, o amor chega quando se ama até o que é feio. Começar é fácil, o encantamento faz-nos bem deixa-nos inebriados e com vontade de querer mais. A combustão está toda ali na paixão que se descobre, que chega sem estar à espera, que nos arrebata e quase nos mata. Esta história de amor não é diferente de todas as outras, começou assim, com uma louca e imparável paixão que soube crescer e consolidar-se no amor. Com a paixão veio a escuridão e todo o lado sombrio. Amei também esse lado, pela densidade e doença que me causou. Não soube gerir es...

38 anos, 8 meses e 5 dias.

2 de Maio nunca mais será igual. Pensei e pensei se haveria de voltar a escrever sobre este tema, agora nesta altura do ano tão importante para mim, e lá vou eu de novo. É difícil celebrar o meu aniversário e ter esta constatação de realidade, a minha avó não está cá. Não está cá, não porque está doente ou porque se ausentou mas porque morreu. A vida chegou-lhe ao fim, e isto tudo é o resumo de uma vida em conjunto, que terminou no dia 7 de Janeiro 2017. Não vai estar nos meus aniversários, não me vai telefonar, não vamos às compras, não vai estar nem na casa dela, nem na minha, nem na nossa, não vai estar nos natais, no meu casamento, em lado nenhum. Não vai estar. Chama-se a isto: aprender a viver, tudo de novo, sem ti avó. Dia após dias, nestes anos todos da minha vida, foste presença certa. É simpático o que dizem as pessoas: tiveste sorte, com uma avó tanto tempo. É verdade, bem sei que sim. Sou grata por isso e sei que foi um privilégio único e que poucos têm. Qu...

Muitos parabéns!

Hoje voltamos ao sitio onde pertencemos. Aqui onde os nossos antepassados trocaram as planícies e os planaltos do Alentejo pelas montanhas da cordilheira central. O céu parece mais próximo da terra, e os cumes altos destas montanhas parecem que entram pelo céu a dentro. Tudo é duro, forte e marcante:  a paisagem, os cheiros, as cores e a água.  Aqui criaram raízes as pessoas que geneticamente nos integram, os pioneiros da nossa origem. Estamos aqui hoje para homenagear um homem da terra. As gerações que se rendem, e que regressam sempre ao ponto de partida. O filho que foi neto, que é pai, marido, irmão, tio, cunhado, sogro, avô e amigo. São 70 anos, mais de 25.000 dias de vida. Muitas histórias, aventuras, partilhas e regressos a casa.  És tão nosso como és daqui.  Somos todos, trouxeste-nos até cá, vezes sem conta, mostraste-nos o teu amor por esta terra e como é importante para ti.  Voltámos hoje para que se cumpra mais uma parte da tua história,...

8 Dezembro

Cancel my subscription to the Resurrection, Send my credentials to the House of Detention I got some friends inside © Jim Morrison

Para a minha avó

A minha avó fez 89 anos esta semana. Nem sequer é um número redondo, é imperfeito como os números impares. Mas é a idade da minha avó. E se ela é imperfeita! A minha avó tem muitos de defeitos, coitada, é verdade! Não gosto dela em menos por isso. É minha avó gostaria dela sempre, por isso mesmo. É a minha avó! E gosto ainda mais dela, porque a minha vida não seria a mesma sem tudo o que ela fez por mim. Apesar de todos os defeitos que carrega, foi e é aquilo que uma avó deve ser: presente, constante e de confiança. Se há pessoa nesta vida que nunca me falhou ou faltou foi a minha avó. E eu sempre tentei e tento retribuir da mesma forma. Não o faço por obrigação, faço porque é a minha forma permanente de agradecer tudo o que ela e o meu avô me proporcionaram, como criança, menina e mulher. Sinto que nunca será o suficiente, faça o que fizer. O valor do que me deram é tão grande que eu, neste corpo e nesta vida, nunca irei conseguir retribuir na justa medida. Mas tento...

Avô Fernandes

Se o meu avô fosse vivo, faria hoje 93 anos. Gostava muito da forma como o meu avô me fazia sentir, todas as vezes, como se a minha presença ou chegada lhe tivesse iluminado o dia, os olhos dele brilhavam. Era quase sempre assim.  Marcou-o ter nascido tão pequenina - "parecia um coelhinho" - como dizia. E ainda exclamava: "como poderia uma coisinha tão pequena vingar?". Soube mais tarde que me visitava com frequência em casa dos meus outros avós. Desviava-se do caminho para casa, para me visitar, devia ser para garantir que o coelhinho crescia como devia ser. Avô, sou um osso duro de roer! Se calhar era isso que ele admirava quando nos víamos, que sobrevivi, cresci e tornei-me mulher apesar dele ter ficado pelos meus 14 anos.  Quando me recordo do meu avô Fernandes, sou sempre a Sophia e nunca a Sofia.  Era observador o meu avô, e eu gostava de forma como escrevia e do modo como se deixava encantar pelos livros que o meu pai lhe oferecia. Era um homem ...

Feliz ano novo!

A pergunta da praxe: O que queres para o teu aniversário? Na realidade não quero nada! Tenho o que preciso essencialmente: coisas e mais coisas… Cliché, até pode ser…mas é mesmo o que diz a imagem: viver momentos, experiência e não acumular coisas. Dão jeito, também é bom de receber... mas já não é nada disso que me importa.  Não que não goste de coisas especificas sim: adoro livros, concertos, cd’s, música, música e música, roupa, viagens, perfumes…essas coisas. Gosto! Na verdade sou mais uma pessoa de oferecer do que receber. Gosto de oferecer coisas ou momentos que irão fazer a diferença na vida das pessoas, é esse o meu objetivo final. Os sorrisos, as reações são preciosas! Fazem as minhas delícias. É um bocadinho por ai... As recordações, o que fica é o que me importa. É transversal ao meu aniversário, ao dos outros, a momentos, datas ou marcos históricos. É isso que guardo com carinho como um tesouro precioso, é tudo isso que me enriquece e que me dá vida. São ...

Família com F maiúsculo

Quis o destino ou as coincidências, para os mais céticos, que os meus pais fizessem anos em dias seguidos. O meu pai a 18 de Dezembro e a minha mãe a 19 de Dezembro, no fim do Outono em anos diferentes. O mesmo mês, a mesma altura do ano, quase os mesmos dias, o mesmo signo. Tantas conjugações o que os torna diferentes mas ao mesmo tempo muito parecidos. São como o próprio Sagitário, fogo do fogo em dobro, muito em tudo e muito pouco em quase nada o que faz com que sejam ambos personalidades marcantes e pessoas inesquecíveis. Não digo isso porque são os meus pais (mesmo que não seja isenta), as pessoas que os conhecem podem atestar. Cada um com as suas singularidades, com as suas características, únicos em si e por si mesmos como equipa. Foram dois que passaram a quatro e que agora já são seis, cresceram a multiplicaram-se. Como estamos em época natalícia e em comemoração dos respetivos aniversários e os parabéns e felicidades estão sempre subjacentes, quis que hoje a minha fe...

He would be somebody I would be proud to know...

Como bem me relembrou um amigo a música do Carlos Tê: “não se ama alguém que não ouve a mesma canção”, vou começar por ai este texto, em mais um aniversário do nascimento do Jim Morrison. Uma data que nunca me passa ao lado. Entendo que é difícil estar com alguém que não acompanha este meu lado B: os concertos, os festivais, os espetáculos, as viagens… isso tudo que enriquece a vida todos os dias. Como por exemplo, ir ao Porto só para falar com um expert dos Doors, que por acaso está no Porto, mas se estivesse em Budapeste seria igual. É isso tudo… Não são os gostos musicais, aceito os gostos mais variados e as tendências musicais de cada um, mas sou muito possessiva tratando-se dos Doors. Pouco me importa se gosta ou não, não pode é falar mal, isso é ponto assente! Os Doors são uma coisa minha, não critico quem não gosta nem quem gosta. Quando falo com quem gosta, preciso perceber o grau de envolvimento, só para conseguir acompanhar. Como para mim é muito, não posso simplesme...

Nunca deixamos de ser crianças

Para os nossos pais vamos ser sempre crianças, para os irmãos, para a senhora de mercearia do bairro, para os nossos avós e até para os colegas da primária. É uma forma carinhosa e protectora de nos mantermos puros. Nunca deixamos de ser crianças, é bem verdade! Mas quando crescemos carregamos sempre o peso da responsabilidade que nos rouba alguma infantilidade. O sério tira a inocência e a espontaneidade infantil que não devemos perder. O infantil aqui é não é agir como uma criança, porque afinal de contas não temos quatro anos e as coisas têm pelo menos de ter algum equilíbrio! O infantil que devemos manter é a descoberta constante que as crianças têm nelas, precisam saber mais e o porquê para registarem e seguirem em frente…e passam os dias neste frenesim da descoberta, à conquista de novos mundos. Provavelmente não teria esta noção tão presente, se o Kiko não tivesse aparecido na minha vida, há precisamente três anos atrás. Quem haveria de imaginar que o dia 15 de Junh...

Hoje, seriam 70 anos de vida...

Pode-se sempre celebrar a vida depois da morte, porque há pessoas que não morrem. Quando a memória da minha existência se tiver perdido no tempo, o Jim Morrison irá continuar a viver pela música, pela poesia e pelas imagens. Um bocadinho de mim também irá manter-se vivo na história universal do Jim Morrison e dos Doors, não se conseguem dissociar, assim como eu não os dissocio de mim, somos um todo. Não sou de vícios ou de fanatismos, os exageros não me assentam… bem alguns! De qualquer modo, não é de todo um exagero, como o amor nunca é exagerado. Foi amor à primeira vista, o canto das sereias que me hipnotizou até hoje. Não é um gosto consensual, mas há muito mais para além do que se ouve e do que se vê, é preciso abrir as portas da perceção para entrar, ou como fez o Aldous Huxley, entrar numa trip de LDS e mescalina, para ver para além do óbvio e elevar a mente. Mas no meu caso não preciso de drogas auxiliares para me fazer ver mais além, basta deixar os acordes do “Light My F...