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38 anos, 8 meses e 5 dias.

2 de Maio nunca mais será igual.

Pensei e pensei se haveria de voltar a escrever sobre este tema, agora nesta altura do ano tão importante para mim, e lá vou eu de novo.

É difícil celebrar o meu aniversário e ter esta constatação de realidade, a minha avó não está cá. Não está cá, não porque está doente ou porque se ausentou mas porque morreu. A vida chegou-lhe ao fim, e isto tudo é o resumo de uma vida em conjunto, que terminou no dia 7 de Janeiro 2017. Não vai estar nos meus aniversários, não me vai telefonar, não vamos às compras, não vai estar nem na casa dela, nem na minha, nem na nossa, não vai estar nos natais, no meu casamento, em lado nenhum. Não vai estar.

Chama-se a isto: aprender a viver, tudo de novo, sem ti avó. Dia após dias, nestes anos todos da minha vida, foste presença certa.

É simpático o que dizem as pessoas: tiveste sorte, com uma avó tanto tempo. É verdade, bem sei que sim. Sou grata por isso e sei que foi um privilégio único e que poucos têm. Quando se gosta de uma pessoa, o tempo que se vive com ela nunca é suficiente. Nunca será. Os laços nunca se perdem, é bom saber isso. Conforta-me.

Havemos de nos reencontrar, inevitavelmente. Por agora, até já. Vou seguir daqui para frente, sem ti (a custo) mas contigo sempre no coração.

Obrigado avó

Comentários

  1. Olá Sofia, a perda de alguém é tramada. Hoje sei que nunca exista a tal "perda". Por mais pequena e ténue que seja a recordação, quando surge dá aquele embrulho no estômago, a garganta aperta-se e engolimos em seco. Não os perdemos, ficamos com eles gravados nas nossas entranhas.
    Beijinhos

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  2. Isso ficam, gravados em nós. Mudam de plano, mas não é fácil prosseguir sem o conforto desta presença certa.

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