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A mostrar mensagens com a etiqueta dor

O Luto

O ser humano tem muitas dificuldades em cumprir os processos que a vida impõe, o luto é um deles.  Ninguém aceita de ânimo leve uma perda, ninguém aceita a perda como mais uma etapa.  Somos educados e ensinados a lutar contra o luto, todos passamos por ele em alguma altura da vida, mas socialmente é nos incutido que devemos passar à frente de imediato. Não é bom ficarmos tristes, chorar ou deixarmo-nos consumir pela desolação, temos de avançar para outro estado o mais rápido possível. Não é de todo mentira, temos de avançar e seguir em frente, no entanto, precisamos também sentir a perda e para isso o luto é essencial. Houve qualquer coisa importante que desapareceu, que partiu para sempre, que mudou de plano e nos deixou um vazio incomensurável. Ignorar a dor que isso nos provocou vai fazer com que essa mesma dor nos acompanhe por toda a vida, precisamos gastar os "créditos" enquanto esta sensação está presente e bem viva em nós. Caso contrário, vamos passar a im...

Temos a vida que escolhemos

Dizem que somos nós que escolhemos o que queremos viver na vida que temos. Ou que temos de viver o que temos de superar, e quanto a isso não temos qualquer escapatória. Em todo o caso, o que temos de viver conseguimos suportar. Não nos destacam para missões que não conseguimos comportar ou tolerar, e com isto concluo, que as pessoas com vidas difíceis, têm quase um estatuto de super heróis! Não só aguentam como ainda escolheram passar pelo que têm de viver, é dose! De qualquer modo, ninguém fica a salvo. O que difere são as missões que cada um tem, os desafios que tem de enfrentar. São pessoais e intransmissíveis. O difícil nisto tudo é perceber porque escolhemos sofrer, ou porque temos de sofrer. Sim, bem sei… o sofrimento faz parte da vida como a felicidade. E não estamos sempre em sofrimento ou sempre em euforia, vivemos entre um e outro, com picos em cada um deles. Só que temos a terrível tendência de “valorizar” a dor em detrimento da alegria. Achamos sempre que a d...

Cinzas

Somos do sítio onde nascemos e de todos os outros que se entranham na alma.  Somos do sítio das origens dos nossos antepassados, somos de muitos trilhos e caminhos que definem a nossa génese. Somos do mundo, de Portugal e de algum pedaço de terra perdido no mapa.  Uma parte de mim vem também do pinhal que agora ardeu (e de todos os outros que arderam anteriormente) das montanhas e vales de Pedrogão Grande, das serras vizinhas, da cordilheira central, das curvas e caminhos de pó, da floresta densa e de todo um conjunto de cheiros que só a natureza daquele sítio tem.  Há coisas que só se sentem naquelas serras. Há coisas que só se vivem ali. Há um tempo fora do tempo, que pertence a esta floresta única. Cresci com os pinheiros, com os incêndios, com a chegada dos eucaliptos, com o calor de rachar no verão, com o frio de congelar no inverno, com amigos e histórias únicas vividas ali.   Tenho um amor imenso por estas terras: pela história da minha famíli...

Uma casa vazia

Do lado de fora da porta, tudo igual. O mesmo tapete encostado no lancil da entrada, a porta maciça firme e sólida como sempre. Do outro lado um inexplicável vazio. Como é difícil entrar num dos espaços mais preenchidos da nossa memória, que agora se encontra vazio. São coisas, são objetos, a matéria, a pessoa que lá vivia não existe, por isso não faz sentido manter. Não nos pertence, nada do que ali está é nosso. É um ato de coragem, entrar. E entra-se. Entrei. Os espaços parecem incrivelmente mais pequenos, não devia ser o inverso? Ou é porque a alma mirrou no vazio? Ou é pelo eco das paredes? Não sei. Parece-me tudo muito mais pequeno, agora que o espaço está vazio, e antes atafulhado de tralha. Não sobrou nada, nem luz. Sobrou apenas o que não se conseguiu arrancar das paredes. Ainda se sente o cheiro da vida que ali vivemos, mas pouco. Nada daquilo faz sentido. Destemida e brava guerreira, é assim que eu acho que sou, mas não ali. Não naquelas circunstâncias. Caiu-me ...

A Culpa do muito

Hoje acordei a chorar. Não sei ao certo se foi a desilusão, a tristeza ou o desamor que tomou conta de mim. Acho que foi a raiva que me crispou os olhos. Senti raiva de mim própria, odiei-me por ser fraca, por não saber fazer nada por metade, por querer muito e não saber dar pouco… Quis esquecer tudo o que não pedi e todo o resto. Não quero carregar comigo a bagagem que não me acompanha. A culpa é sempre nossa em todas as instâncias. A culpa do muito, do tudo, do sentimentalismo exacerbado e de apenas querer ver o bom e nunca o que está por trás. A raiva que doí no peito. O gostar tanto doí no coração. O não saber o que fazer ao desejo acumulado e a tudo o que cresceu entretanto. Não saber fazer nada por metade. Não saber fazer nada por metade.   A ideia de não voltar a ver-te esmaga-me.  #omeuserendipity

Sete Pecados Capitais + um…

Não bastasse existirem 7 pecados capitais: Gula, Avareza, Luxúria, Ira, Inveja, Preguiça, Orgulho e Vaidade que pendem sobre as nossas cabeças, eu acrescentaria mais um: o Esquecimento. Claro que a logica dos pecados como uma grande parte da doutrina da igreja católica, assenta sobre o medo e o pressuposto “educativo” de controlar os instintos humanos. Pecar é o top do medo, não só porque nos pretende deixar desconfortáveis com os nossos actos como incute nos pecadores a tenebrosa ideia que vão arder no fogo do inferno por serem pecadores recorrentes. Basicamente, ninguém se safa… Se analisarmos bem, ainda sem entrar em detalhe, o esquecimento pode ser um bocadinho de inveja misturada com orgulho e alguma preguiça. Mas mesmo assim, seriam apenas pequenos pormenores dentro de uma coisa maior, segundo a minha visão do tema. O conceito de esquecimento pressupõe: “uma acção involuntária que supõe deixar de conservar na memória alguma informação que tinha sido adquirida”, pode ...