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Pequenos focos de amor

O amor não tem de nos deixar inquietos, muito pelo contrário, tem de nos deixar em paz.  Tem de possuir a habilidade de nos devolver ao espírito a paz que buscamos quando procuramos o amor.  Talvez a literatura seja em parte culpada por este equívoco!  Os escritores com os seus amores exacerbados, doentios, frenéticos, sôfregos, cheios de fogo, angústia e dor fazem-nos crer que o amor, o bom amor, o que vale a pena deve ser assim. Deve deixar-nos num estado de explosão eminente e intensa, num estado de sobressalto permanente que nos tira o sono, a fome e por pouco os sinais vitais do corpo! Claro que o amor precisa do combustível que só a paixão sabe dar, o fogo que gera desejo, vontade e muito impulso é indispensável no primeiro impacto. Mas depois, como nos narram os escritores com o passar do tempo o fogo começa a transformar-se em ciúme, loucura e em casos extremos, doença. Ficam obcecados e obsessivos com a pessoa amada como se precisassem dela para viver, co...

Aqui e Agora

Hoje é assim. Vivemos projectados num futuro qualquer, que definimos. Achamos que se nos projectarmos ali, vamos conseguir contornar todos os obstáculos e dominar o nosso destino. É bom conseguirmos antever ou tentar, o que pretendemos, é como ver a cenoura na meta... se fossemos um coelho. Dá-nos um estímulo para fazer mais e melhor, para trabalhar com afinco, para lutarmos, para darmos o corpo às balas, para mexermos o rabo da cadeira, isso tudo. É bom termos alvos definidos ou pré-definidos, precisamos saber para onde vamos (às vezes) desde que isso não comprometa o presente. O presente é onde vivemos, é o aqui e agora. E a reforma? A doença? E daqui a um ano? E se morrer amanhã? Não vivi hoje. Não sou pessoa para achar que devemos andar à deriva, não me sinto confortável com essa ideia. Mas também aprendi que nem tudo está ao meu alcance ou que nem tudo é passível de controlo, de intervenção ou é para coordenarmos. A vida vive-se, precisamos deixar algum espaço para a ...

Desencontros

São confusos e desorganizam o sistema. Entendo. Acontecem. Mas não são pacíficos. As dúvidas do que é. É ter certa uma expectativa que não se concretiza? É não lidar bem com planos mal planeados? É achar que o denominador comum nos desencontros do mundo, sou eu e apenas eu. Tudo o que muito se quer, desencontra-se de mim. Mesmo que tente contornar a realidade, as histórias, os desencontros parecem inevitáveis. Sempre. O regresso do dramatismo profundo. Que não gosto, mas é quase inevitável. Maldita lua em peixes. As dores da alma saltam quando menos se espera. Dizem, que nos faz crescer, que nos fortalece. Cada um tem de fazer a sua parte. Depois passa e as ideias reorganizam-se. A origem identifica-se, tralha que estorva o caminho. Os calcanhares de Aquiles mal arrumados. É uma tormenta que esmaga. Dói por dentro. Dói e dói a sério. Queima a agonia.  O denominador comum, eu. Falha inevitavelmente porque sou eu. Não mereço mais do que isto. Os outros veem isso....

Quero mais disto!

Não existem situações perfeitas, são perfeitas na medida da nossa realidade. Dizer que são perfeitas até é um exagero, afinal de contas o que é a perfeição? Ser feliz? E a felicidade é feita de partículas de várias coisas que chegam de todos os lados. Um sorriso, um beijo, um toque, uma confidência, a sorte de atender uma chamada a tempo, ter sacos para ir ao supermercado, um abraço, um agradecimento… não precisam ser coisas extraordinárias para serem perfeitas, acontecem no tempo e no momento exato que precisamos. Nunca antes ou depois, são precisas no instante. É a segurança de nos sentirmos íntegros. De sabermos o que desejamos sem medo de mudar de rota se necessário, mas conscientes no nosso próprio corpo, do sangue que corre nas veias, do coração que bate dentro do peito e do calor dos que se deitam ao nosso lado. Não estamos sozinhos, somos todos um. Entre cruzamos caminhos e histórias de vida, damos a mão e entregamo-nos. Queremos fazer melhor do que aprendemos, sabemos...

Campainhas

Perdeu-se a excitação de falar ao telefone.  O momento era aquele e só aquele, durante aqueles minutos ou horas, teríamos de falar de tudo e aproveitar cada instante. Na hora marcada para garantir que do outro lado nos atendem. E ficar confortavelmente a falar sem noção do tempo, a debitar palavras soltas, risos, memórias sem saber quando iriamos repetir o momento. E se não atender? Não vou saber quem ligou... E há-de voltar a ligar se quiser muito, sim porque não ficava registado deste lado, terá de ser o desejo ou a urgência do outro lado a voltar. Combinar uma hora e saber que às 20h o telefone vai tocar para nós, para perdermos a noção do tempo, do espaço e de tudo. Mas perdeu-se a emoção de falar ao telefone... Horas a fio, longas chamadas de fim do dia ou no final da semana ou apenas um olá: só para saber se estás bem. Queres sair? Queres fazer alguma coisa? Vamos tornar esta conversa real... E íamos. Perdeu-se isso tudo.  Um dia deixo cair da minha vida o tel...

Vidas Fast Food

Já não nos bastava a comida na versão fast food: as sopas instantâneas, os bolos sem sabor, as fibras e os tecidos plásticos, as imitações, as lojas dos trezentos e agora as pessoas tratarem-se como fast food! Ou esperarem que tudo seja no ritmo de um hamburger no Mcdrive. Que desperdício! Que é feito do envolvimento pelo gosto da descoberta? O tempo esse carrasco que nos consome a alma e o corpo. Hoje temos de comer depressa, chegar depressa, enfardar o número certo de calorias, dar uma rapinha, dizer coisas inteligentes e com propriedade, ir ao ginásio, aprender, dormir, correr e fazer tudo isto num só dia ou em menos horas possíveis e achar que assim é a qualidade de vida perfeita! E é assim que nos relacionamos com as pessoas também, vejamos: Ou contas toda a tua vida nos próximos dez minutos ou podes ir embora. 6 meses são uma eternidade para esperar que alguém se encante por outra. A agenda diz que tenho daqui a 3 meses um tempinho para ti. Se te portares bem! Conh...

Falsa paciente

No equilíbrio dos dias, oscilo entre o: apeteces-me muito e o nada. É doloroso acumular dias na espera que algo aconteça quando não sou eu que o impossibilito, são as circunstâncias. É quase sempre assim.  Diz-se que saber aceitar as coisas como são revela maturidade… então serei imatura toda a vida! Sou assim com tudo até quando surge uma ideia… não descanso até materializá-la. Acordo a meio da noite para apontar ou até para construir a ideia que tive, é mais forte que eu. Sou uma paciente inquieta ou uma falsa paciente. Não posso dormir até que as coisas aconteçam ou até que as faça acontecer. Vivo numa aparente tranquilidade que é apenas e só isso: aparente. Por dentro ferve sangue. Há dias em que me deixo ir… só porque sim. Alguns dias também precisam de ritmo lento, como as esperas. Hoje é um desses dias…

Bom caminho!

Percebes que estás no bom caminho quando não te sentes na obrigação de continuar a provar comidas que já sabes que não gostas, só para parecer bem ou fingir que gostas de beber só para seres cool. Percebes que estás no bom caminho quando um taxista encosta ao teu lado na rua para te pedir direções. Aparentemente tenho um ar de pessoa bem orientada e o taxista nem imagina que tenho um gps integrado! Percebes que estás no bom caminho quando o teu sobrinho te trata pelo teu nome próprio e a coisa soa-te bem! Aqui está um pirralho de três anos que dá todo um novo sentido ao nome: Sofia. Assim dito por ele soa bem, parece música. Gosto mais nesta versão do que o: Sofia Alexandra, seguida de um ralhete qualquer. Obviamente que é o segundo nome que estraga tudo e não o ralhete. Percebes que estás no bom caminho quando consegues encarar a balança de frente, mesmo que só tenhas um olho aberto e que estejas a rezar para que a gravidade sugue num segundos os quilos a mais que tens, a...