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A mostrar mensagens com a etiqueta laços

Cuidar

Nascer para cuidar, pode muito bem ser a mais nobre das missões de vida que se pode ter. Talvez todos a tenhamos pela condição da humanidade, ainda que alguns a rejeitem pelo egoísmo ou pelo infundado argumento de falta de jeito. Quando cuidamos dos outros aprendemos a cuidar de nós ou quando cuidamos de nós aprendemos a cuidar dos outros, estão intrinsecamente ligados, quer me parecer. O bem maior que nos dão, a nossa vida, cabe-nos o dever de cuidar dela em qualquer etapa, é o nosso bem mais precioso. Não é um dado adquirido, mesmo que alguns julguem que é, existe todo um percurso que a nossa vida cumpre e que nos cabe valorizar, independentemente das alegrias ou tristezas. Durante a vida cuidam de nós ao nascer, a nossa mãe, o nosso pai, as avós, os avôs, os irmãos, os primos, as tias, os amigos ou até os vizinhos. Somos cuidados desde sempre, é para isso que existe a família, para solidificar os laços do amor e cuidado que devemos ter entre os nossos. Quando cuidamos nã...

Para as mulheres da minha vida

Estou em falta com a minha avó Maria, e não queria terminar janeiro sem falar sobre ela. Ainda me estou a habituar a esta condição de órfã de avós... Vou escrever sobre as mulheres da minha vida, onde obviamente está também a minha avó Maria, com o seu papel imprescindível. Muito se diz sobre a forma como as mulheres se lixam umas às outras e como podem ser venenosas entre elas e por aí fora, como se os homens entre eles não fizessem o mesmo. O que não se diz, é que as mulheres têm uma noção de grupo e de clã formidável! Por sermos mulheres temos em nós um dispositivo interno que nos faz automaticamente ajudar as outras mulheres e homens (é claro), mas sobretudo entre nós. Funcionamos como um todo. Como os lobos da alcateia, não deixamos as nossas para trás. Ajudamo-nos, tomamos conta umas das outras, ouvimos, damos a mão, amparamos os filhos, fortalecemo-nos e criamos laços profundos. Toda a mulher que tenha uma boa amiga, tem apoio garantido, nunca vai estar sozinha. Nun...

Contactos com o céu

E o que é que eu faço com isto? Guardo também o teu número de telemóvel, mas o número de casa digito-o mentalmente várias vezes, tenho-o decorado desde que existe, muito antes dos telemóveis nos terem poupado a memória para estas coisas. Duas vezes por semana ou mais a ligar-te, só porque sim para saber se estavas bem. Umas vezes só para te ouvir reclamar que nunca mais te tinha ligado (como se fosse possível esquecer-me), para saber se precisavas de alguma coisa do supermercado porque iria lá ou para acertarmos pormenores nos nossos dates de fim-de-semana. Já não existe, eu sei. Confesso… liguei para lá e a menina (como dizias quando não te atendia o telefone) disse-me educadamente, que o número que pretendo “já não está atribuído”. Como é que ela há-de saber que este número será teu e sempre teu? Apesar de os últimos três anos terem sido muito duros para ti e para nós, relembro regularmente estas nossas rotinas. Tive de me reajustar, avó. Só percebi isso naquele dia ...

Nota

As coisas que ficam por dizer. Treinam-se vezes sem conta, para que nada falhe, quando chegar hora H. Acho que passei a ideia errada, por defesa ou incapacidade minha. Acho que passo sempre essa ideia. No fundo quero sempre mais do que demonstro e ninguém tem de ter uma bola de cristal para adivinhar o que quero, se não disser. Falha minha, eu sei. Não sou desapegada ou desligada das pessoas, especialmente das pessoas de quem gosto. Se percebo que não tenho retorno, guardo isso tudo para mim e mantenho o distanciamento, para camuflar o apego que sinto. Também sei que posso disfarçar tudo isto muito bem, ao ponto de acreditar que é verdade, que sou fria e distante, o que não é verdade. Sou tímida e mais sensível do que demonstro, desapegada e distante não, apenas disfarço para tentar não me lixar toda. É uma espécie de armadura. Para que conste, apeteceu-me beijar-te. Apetece-me sempre, mas não tive coragem. Uma vontade imensa. Achei tinha de ser assim para manter o que est...

Para a minha avó

A minha avó fez 89 anos esta semana. Nem sequer é um número redondo, é imperfeito como os números impares. Mas é a idade da minha avó. E se ela é imperfeita! A minha avó tem muitos de defeitos, coitada, é verdade! Não gosto dela em menos por isso. É minha avó gostaria dela sempre, por isso mesmo. É a minha avó! E gosto ainda mais dela, porque a minha vida não seria a mesma sem tudo o que ela fez por mim. Apesar de todos os defeitos que carrega, foi e é aquilo que uma avó deve ser: presente, constante e de confiança. Se há pessoa nesta vida que nunca me falhou ou faltou foi a minha avó. E eu sempre tentei e tento retribuir da mesma forma. Não o faço por obrigação, faço porque é a minha forma permanente de agradecer tudo o que ela e o meu avô me proporcionaram, como criança, menina e mulher. Sinto que nunca será o suficiente, faça o que fizer. O valor do que me deram é tão grande que eu, neste corpo e nesta vida, nunca irei conseguir retribuir na justa medida. Mas tento...

Família com F maiúsculo

Quis o destino ou as coincidências, para os mais céticos, que os meus pais fizessem anos em dias seguidos. O meu pai a 18 de Dezembro e a minha mãe a 19 de Dezembro, no fim do Outono em anos diferentes. O mesmo mês, a mesma altura do ano, quase os mesmos dias, o mesmo signo. Tantas conjugações o que os torna diferentes mas ao mesmo tempo muito parecidos. São como o próprio Sagitário, fogo do fogo em dobro, muito em tudo e muito pouco em quase nada o que faz com que sejam ambos personalidades marcantes e pessoas inesquecíveis. Não digo isso porque são os meus pais (mesmo que não seja isenta), as pessoas que os conhecem podem atestar. Cada um com as suas singularidades, com as suas características, únicos em si e por si mesmos como equipa. Foram dois que passaram a quatro e que agora já são seis, cresceram a multiplicaram-se. Como estamos em época natalícia e em comemoração dos respetivos aniversários e os parabéns e felicidades estão sempre subjacentes, quis que hoje a minha fe...