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Campainhas

Perdeu-se a excitação de falar ao telefone.  O momento era aquele e só aquele, durante aqueles minutos ou horas, teríamos de falar de tudo e aproveitar cada instante. Na hora marcada para garantir que do outro lado nos atendem. E ficar confortavelmente a falar sem noção do tempo, a debitar palavras soltas, risos, memórias sem saber quando iriamos repetir o momento. E se não atender? Não vou saber quem ligou... E há-de voltar a ligar se quiser muito, sim porque não ficava registado deste lado, terá de ser o desejo ou a urgência do outro lado a voltar. Combinar uma hora e saber que às 20h o telefone vai tocar para nós, para perdermos a noção do tempo, do espaço e de tudo. Mas perdeu-se a emoção de falar ao telefone... Horas a fio, longas chamadas de fim do dia ou no final da semana ou apenas um olá: só para saber se estás bem. Queres sair? Queres fazer alguma coisa? Vamos tornar esta conversa real... E íamos. Perdeu-se isso tudo.  Um dia deixo cair da minha vida o tel...

Distância de Segurança

Vamos manter-nos assim. Tu aí e eu aqui. Criámos fronteiras de coisas, barreiras de rotinas e normalidades e mais algum lixo da vida real. O tempo que não se tem para se fazer tudo o que se precisa como pretexto para não continuar a fazê-lo. E eu gosto de tempo… de ter muito tempo para dispor dele como entender. Para me dispor a sentir o tempo como deve de ser. A vida é feita de contrastes, sou a primeira a cumprir a regras. Sigo uma linha condutora imaginária que me alinha o caminho mas que nem sempre me alinha o espírito (quase nunca me alinha o espírito). Gosto da supressão das bermas, quando me esbarro com estes sinais na estrada, sei sempre que são para mim. Mantém-te aí em linha com o caminho, como se a berma não pudesse ser uma alternativa. Quem disse que o certo é o a direito ou em linha reta? E ficamos assim, eu aqui e tu aí. Assustam-me os efeitos secundários todos, aqueles que desconheço e os que sei que acontecem quase sempre. As coisas que não se controlam...