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Loucura

Coisas da loucura. Quando já não se suporta o tempo normal dos dias, quando fica intolerável o peso da roupa no corpo, quando o frio não cessa o calor, só pode ser loucura.  O saber que se quer muito, e não saber o que fazer. O desejo acumulado que rebenta por todos poros. As noites de sono perdido, horas lentas contabilizadas a conta gotas. Dias que parecem meses. O perder o norte e todos os restantes sentidos.  Estado febril de alma, dormência, demência, ausência e muita urgência. Doença diagnosticada que se alastra lentamente pelo corpo, percorre a pele e todas as entranhas. Células de ADN reprogramadas. Cegueira momentânea ou permanente, que acompanha a propagação da loucura. Como a água que transborda de uma albufeira, alastra-se por toda a extensão de terreno, infiltra-se e faz-se absorver pela terra, sem que esta tenha opção de escolha. É a necessidade, a seca que tem de ser combatida, o restabelecer da ordem natural das coisas, a natureza sabe o que faz. ...

Muse na Aula Magna: Abril 2002

Todas as bandas começam pelo principio e antes das multidões, existem estes espetáculos intimistas e inesquecíveis. Estava uma noite quente de tempo seco, a prometer recordações memoráveis. Os Muse foram uma descoberta da minha irmã, ela já ouvia e já conhecia muito antes de tudo. Aos poucos foi-me passando o bichinho e a coisa pegou. A loucura instalou-se quando descobrimos que vinham a Lisboa e corremos para comprar os bilhetes. A Aula Magna cheia para receber uma nova banda britânica, quase desconhecida. Tocaram como sempre de forma magistral o primeiro álbum, sem falhas, com som cristalino, envolvente quase como se tivessem a tocar na sala lá em casa. Sentia-se um nervoso miudinho de excitação, ninguém sabia o que esperar, mas contavam com o melhor! E assim se fez justiça! Foram bons, como provaram ser todas as restantes vezes! O concerto terminou com uma chuva de balões brancos gigantes que invadiram a aula Magna. Lembro-me de ter saído da sala aos trambolhões, est...

Um outro 11 de Setembro importante

Para os Bon Jovi há o antes e depois do Keep the faith!!! Horas a fio que eu vi este viodeclip que gravei do top mais. HORAS… bonito o Jon! Que regalo para a vista… Antes já eram bons mas depois do corte de cabelo do Jon Bon Jovi, ficaram ainda melhores! Lembro de um amigo da escola gozar comigo e dizer que o Jon parecia uma vaca por usar argolas nas orelhas… ahahahahha viu-se! O homem definiu a tendência e ele podia ter argolas ou vestir-se de palhaço, iria ser sempre um pedaço de mau caminho! Este foi um concerto de miúdas! Eram a maioria, estavam doidas e ansiosas por ver os Bon Jovi ao vivo.  O dia estava quente no antigo estádio de Alvalade e ir para a relva em dias de calor era sinónimo de fazer sauna, mas era um mal menor para suportar o bom que o concerto nos iria trazer. Foi tudo o que se podia esperar! Até o Billy Idol conseguiu fazer um boa primeira parte. Não seria o mesmo se não tivéssemos assistido uma mini telenovela no meio do público. Uns ex namora...

Dias desconexos

Os dias desconexos não trazem bons augúrios. São episódios soltos que não se relacionam entre si mas com as mesmas personagens. Há dias em que fazemos parte de cenários dramáticos, outros cómicos, românticos, surreais… sei lá parecem simplesmente não encaixar uns nos outros, pior não se encaixam de todo e desencaixam-nos completamente.  É de ficar baralhado! Não se sabe ao certo o que esperar ou como nos devemos comportar, podemos seguir a máxima de deixar fluir, que facilita mas nem sempre é possível. Que pena não termos um botão on/off e principalmente forward. Nestes dias os minutos passam com dificuldade, ainda que passem à mesma velocidade de todos os dias, nem mais rápido nem mais devagar na mesma cadência. Há um tic tac permanente na cabeça até as pulsações do coração se sentem nas veias como uma bomba relógio. Que martírio! Dormir não chega, nem a música, nem o mar, nem o carro… nada. O tempo é um corpo vivo que demora a passar e a realidade não cede um...

Perde o juízo e vem

Podia começar assim a chamada ou um simples pedido: perde o juízo e vem! Assim sem mais nem menos, sem grandes rodeios, directo e curto: perde o juízo e vem! E o peito enche-se de ar, o coração acelera, tudo treme e vai-se assim, sem juízo, sem rede, sem nada, só porque sim. Porque se perdeu o juízo numa qualquer loucura imaginária que se sente na pele, só porque naquele dia tínhamos de ser diferentes do habitual. E vai-se. Fechas os olhos e sentes cada bocadinho do juízo (aquele que tanto valorizas) a sair por todas as células, está a ir-se, vai-se purgar para mais tarde voltar, mas não hoje. Precisa redefinir-se para voltar melhorado, deixa-o ir, não penses muito. O suor escorre por todo o lado, é o medo de perder o juízo para sempre, para todo o sempre (mesmo não tendo garantias que o nosso juízo é saudável, é nosso…) o juízo que é meu por direito e conquista, está-se a ir, com autorização, porque eu hoje vou! Vou, vou e vou, está decidido. Mas não consigo sai...