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Anjo da Guarda

#3 O número 3 é associado à criatividade e expressão. Nas questões espirituais o três é visto como a união entre a mente, o corpo e o espírito resultando assim no equilíbrio que todos queremos para as nossas vidas. O três pede-nos que aceitemos a nossa criatividade sem medo de expressá-la, também nos diz que a comunicação pode acontecer naturalmente e sem esforço. De uma maneira ou de outra, temos de usar isso a nosso favor, criando aliados e uma base forte para transformar as ideias em realidade. O três é um convite para nos abrirmos para o mundo e aceitar que essa é a nossa missão. Faz três anos hoje que recebi a notícia que iria começar a escrever semanalmente no 7HINK. Faz três anos que morreu a minha avó, umas das pessoas mais importantes da minha vida. Faz hoje três anos que tudo isto aconteceu, no mesmo dia e quase na mesma hora. Por isso, faz três anos que ganhei mais um anjo da guarda, o terceiro. As coincidências ficam aquém de si próprias, os significados não pod...

Humanidade

Será que ciência nos tornou preguiçosos?  Hoje tudo o que é válido e correto tem de passar pelo crivo científico para ser considerado "verdade" e antes da ciência como era? As pessoas encontravam validação onde e como? Perdeu-se a capacidade de saber ver, ouvir e ler tudo o que nos rodeia e o nosso próprio corpo. Antes de existirem computadores, máquinas, matemática, física ou química com o nível de desenvolvimento que temos hoje como se fazia para validar? Os curandeiros sabiam de plantas e entendiam os sinais do corpo. As pessoas regiam-se pelo ciclo da natureza, o nascer e o pôr-do-sol, as estações, a subida e descida das marés, os ciclos reprodutivos dos animais e das plantas. Olhavam para o céu para se orientar, sabiam interpretar o vento e respeitavam a cadência natural das coisas, sem manipular ou apressar. Sabiam respeitar a ordem natural das coisas e os seus tempos. Estavam mais despertos para os ruídos e cheiros desconhecidos, sabiam definir distâncias pel...

Não sou o Picasso

“Eu não sou nenhum Picasso”.  Foi uma justificação que usei várias vezes para legitimar não ter seguido para as Belas Artes. Não só porque efetivamente não sou o Picasso, em forma ou em talento, mas também porque infelizmente continuo com a convicção que Portugal é um pais que trata muito mal os seus artistas e quem vive da arte, como se fosse uma “profissão menor” ou pior penaliza quem por um amor maior se entrega à dança, pintura, teatro, música, escultura, literatura como se de um hobby se tratasse e como tal, não merecesse nem o reconhecimento do Estado ou da Sociedade para condições de trabalho dignas e consequente justa remuneração. Os artistas são umas parasitas, só um Picasso não seria. Estamos a anos-luz, de uma mentalidade artística que saiba valorizar quem se dedica à arte pela arte. Visitamos museus, exposições, concertos, vamos ao teatro… mas não consideramos todo o trabalho que é feito pelos artistas e por todos os outros artesãos. Se é para ter um diploma qu...

Reserva para dois

No desafio de escrever diariamente, os temas banais podem guardar algumas surpresas! Como uma simples marcação de agenda se pode tornar num tema de desenvolvimento? Ou uma simples ocasião? Um encontro? Um jantar? Ou levar o lixo ao contentor? Talvez não seja preciso um tema de fundo para que se desenvolva uma ideia. Acontecem tantas coisas simples durante um dia que podem condicionar tudo ou até mudar o que segue. Talvez seja esse o principal motivo porque saímos com os nossos amigos e fazemos coisas lúdicas, para que a rotina e o dia-a-dia ganhem outros contornos e se tornem dignos de nota. Bem vistas as coisas, a maior parte dos dias são apenas isso, dias em que se acorda, despacha-se para o trabalho, fica-se no trabalho e segue-se para casa, dias em que chover pode ser o mais entusiasmante das 24h. Se não nos ocuparmos com alguma coisa que nos estimule ou que quebre a rotina, a vida fica previsivelmente enfadonha! Então precisamos sair da zona de conforto e partir par...

Perpetuar a memória

Estava hesitante se deveria escrever este texto, hoje e por ser hoje. Entretanto depois de refletir bem sobre o tema, não só conclui que devo como é essencial que o faça.  A memória das pessoas que amamos ficará sempre viva enquanto houver quem se recorde. E eu quero recordar a minha avó, hoje e sempre. Enquanto eu me lembrar dela e registar isso, ela vai continuar a alimentar o meu imaginário e a reconfortar a minha alma. Vai viver algures neste espaço em que eu vivo, outros irão ler o que escrevo sobre ela e recordá-la ou simplesmente imaginar e sentir a ligação que existe entre nós. É uma ligação perpetua, nunca existirá um verbo no passado entre nós. Por isso é com sentido de missão que escrevo este texto, hoje e sempre que me apetecer escrever sobre a minha avó. Não é doloroso escrever sobre ela, ainda que me inundem as saudades, é o conforto do amor que me faz escrever, falar ou pensar nela. Hoje faz dois anos que ela morreu e esse sim, foi um dos dias mais triste...

Ponto de Saturação

Quanto se consegue aguentar, até que se atinja o ponto de saturação? Depende provavelmente de cada um, o ponto de saturação pode ser grande, pequeno ou médio e pode ainda ser mais ou menos rápido de se atingir de acordo com estes pressupostos. Não deve existir uma regra para estas coisas, mas existe seguramente um momento de viragem, em que se diz: Basta! Seja porque motivo for: apenas pelo cansaço acumulado, pela incompreensão, pelo desgaste, pelas sucessivas tentativas sem sucesso, pela insistência, por se acreditar, pela fé, por amor, por desejo, por casmurrice… enfim pelos mais diversos motivos. Todos em conjunto ou repartidos, acabam por causar um peso na alma que não tem explicação, um quebranto no corpo que só nos faz ter vontade de cair de joelhos sobre a terra! Aceitar que é preciso desistir, saber reconhecer que às vezes é a única solução. Não é cobardia ou falta de coragem, é o momento em que se percebe que se continuar por ali, vai-se ficar doente do corpo e do espi...

Simplicidade

No fundo, o que esperamos da vida são um conjunto de coisas simples. Simples ao ponto de não nos causar mossa, de não nos deixar desconfortáveis, de não nos fazer sofrer ou chorar, de não nos deixar torturados por motivos vãos…viver com a simplicidade de respirar, só isso. Na impossibilidade de conseguirmos contornar as adversidades, porque quer queiramos quer não acontecem, podemos escolher vivê-las com peso, com dor, com sofrimento ou deixá-las fazerem o que têm a fazer, tentar não deixar que nos consumam ou que nos deixem imobilizados para viver a vida. Temos escolha, temos sempre escolha. Não viver não é opção… por isso, mesmo que os dias sejam cinzentos, duros ou dolorosos são passageiros. Mesmo que os períodos complicados sejam longos, serão sempre mais longos e penosos de acordo com a forma como os vivemos. Quando nos deixamos absorver pelo mau e pelo negativismo, minamo-nos. Passamos a viver com o domínio total do medo, do presente e sobretudo do futuro. Temos medo ...

Viver e Morrer

Matar, morrer, morrer e matar. Os fins justificam os meios ou assim se diz. Será uma crença ou uma verdade?  Nascemos para morrer e no meio do caminho vivemos. Ou nascemos para viver e o desfecho inevitável é morrer?  Morrermos de amor, de tristeza, de agonia e de fome. E vivemos exactamente pelos mesmos motivos, somos criaturas estranhas. Quando estamos mal queremos morrer, quando sofremos muito queremos morrer e quando estamos no auge da felicidade dizemos: se morresse hoje, morreria feliz! O morrer que tira tudo, na conclusão de um percurso que se deseja longo, pode representar o máximo das conquistas terrenas. O fim do fim, um percurso sinuoso em oscilações de bom e mau. Temos de viver com esta incerteza do que se irá passar no meio, e única certeza que conhecemos é o termos nascido e o medo latente do fim, quando deixarmos de estar ligados pelos fios invisíveis que nos dão a luz da vida. E depois? Nada. Sabe-se lá. Entretanto encenamos em vida vários finais, b...

De pernas para o ar

Que estamos a fazer ao mundo? No Japão, a população idosa, acima dos 65 anos, maioritariamente mulheres cometem pequenos delitos para irem para a prisão. Fazem-nos de forma consciente, roubam coisas no supermercado para serem presas, e porquê? Ao serem presas, vão para a cadeia onde terão comida, companhia, não terão de se preocupar em pagar contas, não terão despesas e não estarão sozinhas. No fundo, a cadeia passa de estabelecimento prisional, para um centro de acolhimento. Pouco importa se é uma prisão, a base de segurança e conforto supera qualquer estigma. São pessoas que trabalharam toda uma vida e que dispõem de baixos rendimentos, que vivem numa sociedade egoísta onde o conceito de família tem perdido o papel fundamental de apoio aos seus integrantes. Assim, a cadeia apresenta-se como a opção viável para viver. É uma forma inteligente de resolver um problema, do meu ponto de vista, pouco digna mas operacional. Confesso que quando li esta noticia, as lágrimas ...

Aqui e Agora

Hoje é assim. Vivemos projectados num futuro qualquer, que definimos. Achamos que se nos projectarmos ali, vamos conseguir contornar todos os obstáculos e dominar o nosso destino. É bom conseguirmos antever ou tentar, o que pretendemos, é como ver a cenoura na meta... se fossemos um coelho. Dá-nos um estímulo para fazer mais e melhor, para trabalhar com afinco, para lutarmos, para darmos o corpo às balas, para mexermos o rabo da cadeira, isso tudo. É bom termos alvos definidos ou pré-definidos, precisamos saber para onde vamos (às vezes) desde que isso não comprometa o presente. O presente é onde vivemos, é o aqui e agora. E a reforma? A doença? E daqui a um ano? E se morrer amanhã? Não vivi hoje. Não sou pessoa para achar que devemos andar à deriva, não me sinto confortável com essa ideia. Mas também aprendi que nem tudo está ao meu alcance ou que nem tudo é passível de controlo, de intervenção ou é para coordenarmos. A vida vive-se, precisamos deixar algum espaço para a ...

Tempos verbais

Falamos dos mortos como se estivessem vivos e dos vivos como se estivessem mortos. O queria, quero, quis sem saber na realidade em que tempo e espaço os devemos utilizar. Querias, já não queres? O quis que afinal é quero. O falar no passado quando se quer só o presente e um futuro garantido. Não saber qual o tempo certo, por estarmos algures na terra de ninguém, num vazio temporal sem ordem ou cronologia. É falar do passado como se fosse presente, como se estivéssemos a viver o que foi e não o que é. O passado não se constrói, está feito é um momento terminado, sem hipótese de correção ou emenda. Mas insistimos em transportar-nos para lá, como se essa viagem imaginária pudesse alterar alguma coisa. Os que morrem, não desaparecem continuam no presente como se estivesse ao nosso alcance falar com eles. E são, estão, vivem como se o tempo não tivesse terminado no dia em que fecharam os olhos para sempre, mais vivos que outros vivos. Os vivos que existem e respiram o me...

Alberto Giacometti

Quando existe sintonia e as coisas se encaminham para o sitio certo, acontecem coisas inesperadas. E assim, do nada ontem estava a pensar no impacto que teve em mim encontrar as “revistas da vida mundial” que o meu pai guardou, datadas dos anos 60. Folhear páginas que contam a história de pessoas importantes daquele tempo, no presente. Naqueles instantes em que se leem as reportagens, parece que estamos todos vivos e a respirar o mesmo ar, a partilhar o mesmo momento. Na realidade não estamos e grande parte dos personagens que ali vivem, nem sequer estavam vivos quando nasci. E o Giacometti aparece numa foto no atelier, onde se veem as lindas esculturas esguias que fazia, marca inconfundível do seu trabalho. Parecia muito mais velho que era e pelo apelido achei que era italiano, até ter descoberto que era suiço. O que me marcou no trabalho dele, é olhar para as esculturas e ver-lhes vida, parece que se sente por toda a estrutura as impressões digitais do Giacometti, como se l...

Acreditar

O que eu quero é tão simples. Nem mais nem menos do que te irei confidenciar.  Ouve com atenção amor, o que vou dizer.  Fecha os olhos e sente cada palavras. Vivemos no mesmo tempo, nem sempre partilhamos o mesmo espaço.  Mas coexistimos no presente. Ninguém se compara a mim. Ninguém cheira como eu, ninguém faz as coisas como eu faço. Neste universo que partilhamos, sou única e incomparável. Faço-te sentir especial. Quero perder a noção do tempo quando estou contigo.  Deixar de ter os dias contados e os encontros marcados. Quero espontaneidade e vontade. Quero querer por querer.  O sentir saudades e dizer.  O preocupar, cuidar e amar. Divago no meio de palavras e pensamentos, e nem sempre digo o que penso.  Deixo-me encantar. Acredito sempre na possibilidade que um dia mudes e que me faças sentir especial. Nunca acontece, mas acredito sempre. Todas as vezes, encho-me de esperança. Não foi ontem, há-de ser amanh...

Viver o presente!

Era uma vez. Sei que já escrevi várias vezes sobre este tema mas volto a insistir nele. De tempos em tempos, precisamos recuperar a esperança na vida, nas situações ou na humanidade. Dito assim parece muito, mas são pequenas histórias e detalhes que podem fazer toda a diferença e que podem salvar o dia, o mês ou até uma vida (em casos mais extremos). Os milagres acontecem, as histórias dos filmes acontecem, os inesperados bons acontecem… Nós sabemos isto, lá bem no fundo, sabemos disto. Mas quando as circunstâncias endurecem, fechamo-nos no fundo do poço e optamos por ver tudo com pessimismo, com dureza, tornando uma situação difícil num calvário. Para algumas pessoas, esta técnica resulta durante um tempo, criam a ilusão que estão resguardados de todas as maldades que ainda lhes poderão cair em cima, e assim vão desaparecendo sem deixar rasto. A pergunta que eu faço é: nasce vida nos buracos escuros? Podem dizer-me, sim nasce. E que espécie de vida? No fundo do mar, sabemos...

Morrer

Morre-se de saudades, de sede, de fome e de vontade. Morre-se todos os dias quando não se diz o que se quer. Quando vivemos subjugados pelo medo, pela indiferença, pela crueldade e falta de amor. Morre-se com o veneno dos dias medíocres, das pessoas, dos entraves e dos boatos. Morre-se com saudades do que nunca se viveu, do que se viveu, dos que já partiram, das almas boas que seguem, dos cães e dos gatos. Morre-se de frio e de calor. Morre-se de ignorância, da falta de raça e do rancor. Morre-se da doença física e espiritual. Morre-se porque é o fim natural de todas as coisas.  

Jet-lag

  Quando eu quero, tu não queres. Quando eu posso, tu não podes. Ás vezes queremos mas estamos em pontos opostos do mapa, ou a rotina ou os compromissos. Nem em sonhos nos encontramos, porque acordo cedo e deito-me tarde, porque dormes pouco e não se consegue nada com pouco tempo a sonhar. Porque sonho acordada e tu não. Sou demasiado racional para libertar coisas. Mas parece que este é um problema da sociedade actual. Felizmente ou infelizmente, não é exclusivamente meu ou nosso. As pessoas deixaram de saber relacionar-se. Deixaram de acreditar em milagres, magia, amor e algum romantismo. O fim das cartas por correio assinala a morte prematura destas coisas todas. Deixou de se saber esperar, deixou de se acreditar… do conhecer com tempo e com disponibilidade. O de estar só por estar. Saber esperar por um telefonema, por uma carta, por que nos batessem à porta. Encontros marcados com semanas de antecedência, sem hipótese de desmarcar e sem querer desmarcar. Ansiedade q...

Viver todos os dias cansa*

Algumas bandas não sabem fazer música má. Tinha os Coldplay neste rol, mas entretanto ouvi o ultimo álbum de uma ponta a outra… e desta vez não acertaram na fórmula.  Mas são bons, lá isso são. Já os Onerepublic, continuam no bom caminho… Sempre com as palavras certas, nas mais variadas boas músicas que produzem.  “Some people lie but they're looking for magic Others are quietly going insane I feel alive when I’m close to the madness No easy love could ever make me feel the same (…)” A que se resume isto: F***-** Facilitem um bocadinho, sempre é cansativo. *titulo emprestado ao Pedro Paixão ao livro com o mesmo nome...diz ele: “Sei pouco sobre as mulheres e cada vez sei menos. Nem sei – ou quando sei já é tarde demais – se gostam de mim e, quando isso acontece, não chego a saber o que isso possa querer dizer. Há muitas maneiras de gostar, é verdade. Quando se gosta de um casaco é ele o que trazemos mais vezes. Com as mulheres é diferen...

A fibra que nos une

Eis que a Primavera, como sempre, nos trás o milagre da vida! Não é a minha fé que o diz, são as provas objectivas que tenho desde o ano passado e que mantém vivas as minhas avós. São milagres da vida, da natureza e dos poderes sobrenaturais que elas têm. A fibra que estas duas mulheres têm ou a força de viver que as liga ao mundo, só pode ser um milagre! Um milagre daqueles que nos reconforta e nos orgulha... Somos feitas da mesma fibra! Se todo o resto falhar, pelo menos que a genética ajude e me beneficie com as células milagrosas que espero comungar com elas. O facto de ainda ter avós é por si só um feito e de estarmos todos juntos e podermos testemunhar a família a crescer, é uma dádiva. Os avós são fundamentais e estão no patamar das nossas lendas privadas. São as referências e a base para os adultos que somos. A sorte que o meu sobrinho tem de poder crescer com os avós e partilhar com eles momentos únicos uma linguagem só deles. O ponto de partida dele está lançado...