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Mensagens

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Campainhas

Perdeu-se a excitação de falar ao telefone.  O momento era aquele e só aquele, durante aqueles minutos ou horas, teríamos de falar de tudo e aproveitar cada instante. Na hora marcada para garantir que do outro lado nos atendem. E ficar confortavelmente a falar sem noção do tempo, a debitar palavras soltas, risos, memórias sem saber quando iriamos repetir o momento. E se não atender? Não vou saber quem ligou... E há-de voltar a ligar se quiser muito, sim porque não ficava registado deste lado, terá de ser o desejo ou a urgência do outro lado a voltar. Combinar uma hora e saber que às 20h o telefone vai tocar para nós, para perdermos a noção do tempo, do espaço e de tudo. Mas perdeu-se a emoção de falar ao telefone... Horas a fio, longas chamadas de fim do dia ou no final da semana ou apenas um olá: só para saber se estás bem. Queres sair? Queres fazer alguma coisa? Vamos tornar esta conversa real... E íamos. Perdeu-se isso tudo.  Um dia deixo cair da minha vida o tel...

Muse na Aula Magna: Abril 2002

Todas as bandas começam pelo principio e antes das multidões, existem estes espetáculos intimistas e inesquecíveis. Estava uma noite quente de tempo seco, a prometer recordações memoráveis. Os Muse foram uma descoberta da minha irmã, ela já ouvia e já conhecia muito antes de tudo. Aos poucos foi-me passando o bichinho e a coisa pegou. A loucura instalou-se quando descobrimos que vinham a Lisboa e corremos para comprar os bilhetes. A Aula Magna cheia para receber uma nova banda britânica, quase desconhecida. Tocaram como sempre de forma magistral o primeiro álbum, sem falhas, com som cristalino, envolvente quase como se tivessem a tocar na sala lá em casa. Sentia-se um nervoso miudinho de excitação, ninguém sabia o que esperar, mas contavam com o melhor! E assim se fez justiça! Foram bons, como provaram ser todas as restantes vezes! O concerto terminou com uma chuva de balões brancos gigantes que invadiram a aula Magna. Lembro-me de ter saído da sala aos trambolhões, est...