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Fora da caixa

Quando ideias semi desconexas começam a ganhar forma e vida própria, que se faz com elas? É daquelas situações típicas: “nunca pensei bem nisso” e de um dia para o outro começas a pensar e dar forma às coisas. Primeiro só na cabeça, a congeminar o como concretizar a coisa, mesmo que parece não fazer sentido. Depois mesmo não fazendo sentido listas mentalmente os prós e contras e o nunca transforma-se em: “e porque não?”.  Assim como quem não quer a coisa começas a idealizar cenários e de certa forma a “manipular” as circunstancias a teu favor. Dás por ti em situações que nem parecem reais: “perguntei mesmo isto?” ou “fiz mesmo isto?”. Não sei como funciona com as outras pessoas, mas comigo funciona assim: a ideia entra, ganha forma, materializa-se e instala-se o caos! Como dar forma a uma ideia? Como é que chego lá? E sempre que surge uma pergunta, saltam um montão de respostas a seguir, medos e outras coisas tudo à mistura. Mas continuo na mesma, agora que já assimile...

Pecado

Apagar vestígios dos maus tratos sofridos na alma, no corpo e no coração. É por isso que pecamos.  Fingimos coisas que não somos. Deitamos por terra tudo o que acreditamos. Fingimos desprendimento. Não te minto, só te omito a verdade. Minto-me todos os dias e todas as vezes que finjo ser o que não sou.  Invento coisas. Imagino situações, crio alternativas, enfio-me em buracos. As pessoas na rua falam a tua língua. Eu não, mas compreendo sem saber o quê. Finjo que quero pouco. Em cada encontro finjo. E pecamos vezes sem fim. A vida apodrece à volta. Finjo que não há amor. Cumprem-se vontades como quem pica o ponto. Obrigações. Tudo camuflado em suor. Com sexo não se promete nada. É mentira. São ideias que se compram na resposta à condição humana. Pecamos. Fingimos que o amor é mal menor. Desnecessário. E continuamos a pecar. 

A Entrega

Nos catálogos de pessoas onde vivemos atualmente, expostos como entendemos e da forma que achamos que devemos, falta a entrega. Parece que há um momento qualquer em que a realidade deixa de ser importante ou passa a ser qualquer coisa que não é bem real. Criamos personagens ficcionadas de acordo com o padrão regulamentar e deixamos de ser o que temos de ser ou o que somos. Por isso tudo sinto falta da entrega. Da minha, e do resto do mundo. Perdemos a noção que as conquistas se fazem com tempo e o tempo precisa de entrega. Queremos tudo para já, hoje, agora e se possível neste minuto. Aliás se não for neste instante, escusa de acontecer, escusa de vir porque depois já não vou querer mais. Somos crianças amuadas com o tempo e por isso não nos entregamos, como um castigo divino ao universo por ser mau e não fazer as coisas como nós queremos! Tudo se resolve com um simples delete, “desamigar”, bloquear, remeter para canto, ignorar… da mesma forma que surge um interesse,...