Avançar para o conteúdo principal

Fora da caixa

Quando ideias semi desconexas começam a ganhar forma e vida própria, que se faz com elas?

É daquelas situações típicas: “nunca pensei bem nisso” e de um dia para o outro começas a pensar e dar forma às coisas. Primeiro só na cabeça, a congeminar o como concretizar a coisa, mesmo que parece não fazer sentido. Depois mesmo não fazendo sentido listas mentalmente os prós e contras e o nunca transforma-se em: “e porque não?”. 

Assim como quem não quer a coisa começas a idealizar cenários e de certa forma a “manipular” as circunstancias a teu favor. Dás por ti em situações que nem parecem reais: “perguntei mesmo isto?” ou “fiz mesmo isto?”.

Não sei como funciona com as outras pessoas, mas comigo funciona assim: a ideia entra, ganha forma, materializa-se e instala-se o caos! Como dar forma a uma ideia? Como é que chego lá? E sempre que surge uma pergunta, saltam um montão de respostas a seguir, medos e outras coisas tudo à mistura. Mas continuo na mesma, agora que já assimilei que quero, é quase impossível desistir. Com isso tudo em ebulição o problema é conseguir fazer as coisas básicas do dia-a-dia: dormir, comer e descansar.

Podia ter passado com a idade, estas coisas de saltar a meio da noite da cama para apontar qualquer coisa, fazer um desenho ou escrever um texto, mas não, mantém-se tudo igual. Se o meu envolvimento se enraizar na ideia, pode demorar um dia, um mês, meia vida mas eu chego lá. A gestão da ansiedade e paciência em cumprir o desígnio, é também um desafio e tem sido o maior de todos, confesso. Algumas coisas não são para acontecer já, são sementes que se plantam e que se colhem mais à frente no caminho, e perceber isso? Aprendizagens consistentes e estruturadas precisam de tempo para ganhar forma e para crescerem, não ficam operacionais no imediato. Nada se perde, na verdade… nem tempo. O tempo vai dar estrutura e solidez às ideias semi desconexas…

As que não são para funcionar ou que não fazem sentido caem por terra. As outras, crescem, crescem, crescem…e irão florescer como um jardim. Para isso tenho de começar por definir o terreno onde quero plantar, que enquadramento paisagístico lhe quero dar, organizar os fundos para fazê-lo e pôr mãos à obra. Dar forma ao que quer que seja, implica dedicação, organização, tempo e amor.

Vale para tudo. Um projeto que se pretende desenvolver, uma família que se pretende construir ou uma amizade que se pretende manter. São estes formigueiros na alma que nos fazem sonhar e lutar por aquilo que queremos. Tudo o que vale a pena conquistar demora, como as pessoas que nos desafiam, valem bem a pena. 


Comentários

  1. True!
    Banda sonora: Phantogram - Don't Move
    ( https://www.youtube.com/watch?v=Ur17pfjIRVo )

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Não devemos voltar a onde já fomos felizes

Hoje acordei com esta expressão na minha cabeça: “não devemos voltar a onde já fomos felizes”. Sempre que penso nisto, e cada vez mais me convenço, que está completamente errada. Na prática, acho que a expressão tem a ver com pessoas e não com lugares. Não voltarmos a onde já fomos felizes, ou seja, não voltar para determinada pessoa. O local acaba por vir por acréscimo, já que as memórias não ficam dissociadas de situações, locais ou pessoas. Mas é sempre por aquela pessoa específica, que não devemos voltar atrás e não pelos  momentos felizes que se viveram naquela praia ou no sopé daquela montanha. É o requentado que não funciona… ou não costuma funcionar. Acredito que para algumas pessoas dê resultado, mas de uma forma geral, estar sempre a tentar recompor uma situação que não tem concerto, não tem mesmo solução! Mesmo quando existe muito boa vontade e uma boa dose de amor. Voltando aos locais, que é isso que me importa. A história reescreve-se as vezes que forem...

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga!

Não sei como funciona com o resto das pessoas, mas eu quando abuso o meu corpo arranja maneira de me dizer: basta! E foi isso que aconteceu… uma mega gripe, para ver se recupero o sono todo que não tenho dormido e uma bela crise de fígado para reajustar hábitos! Quando não se aprende a bem, aprende-se a mal. Achei que era importante falar sobre isto, porque quando se partilham experiências, normalmente descobre-se que não é um problema exclusivo ou uma coisa só nossa. Comigo funciona assim, eu sou do tipo de pessoa que acumula tudo muitas vezes sem exteriorizar… é defeito e feitio. E como 2013 tem sido um ano rico em situações complicadas, eu deixo para depois sentir na pele os efeitos diretos, porque no imediato tenho de agir para resolver, fica para mais tarde chorar ou rir se tiver de ser. Depois dá-se o colapso… Desta vez até foi ligeiro, mas não deixa de ser um aviso. No ano em que terminei o mestrado ai sim, os avisos foram marcantes. Quando a ansiedade se descontrola, tudo ...

Família com F maiúsculo

Quis o destino ou as coincidências, para os mais céticos, que os meus pais fizessem anos em dias seguidos. O meu pai a 18 de Dezembro e a minha mãe a 19 de Dezembro, no fim do Outono em anos diferentes. O mesmo mês, a mesma altura do ano, quase os mesmos dias, o mesmo signo. Tantas conjugações o que os torna diferentes mas ao mesmo tempo muito parecidos. São como o próprio Sagitário, fogo do fogo em dobro, muito em tudo e muito pouco em quase nada o que faz com que sejam ambos personalidades marcantes e pessoas inesquecíveis. Não digo isso porque são os meus pais (mesmo que não seja isenta), as pessoas que os conhecem podem atestar. Cada um com as suas singularidades, com as suas características, únicos em si e por si mesmos como equipa. Foram dois que passaram a quatro e que agora já são seis, cresceram a multiplicaram-se. Como estamos em época natalícia e em comemoração dos respetivos aniversários e os parabéns e felicidades estão sempre subjacentes, quis que hoje a minha fe...