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Alberto Giacometti

Quando existe sintonia e as coisas se encaminham para o sitio certo, acontecem coisas inesperadas. E assim, do nada ontem estava a pensar no impacto que teve em mim encontrar as “revistas da vida mundial” que o meu pai guardou, datadas dos anos 60. Folhear páginas que contam a história de pessoas importantes daquele tempo, no presente. Naqueles instantes em que se leem as reportagens, parece que estamos todos vivos e a respirar o mesmo ar, a partilhar o mesmo momento. Na realidade não estamos e grande parte dos personagens que ali vivem, nem sequer estavam vivos quando nasci. E o Giacometti aparece numa foto no atelier, onde se veem as lindas esculturas esguias que fazia, marca inconfundível do seu trabalho. Parecia muito mais velho que era e pelo apelido achei que era italiano, até ter descoberto que era suiço. O que me marcou no trabalho dele, é olhar para as esculturas e ver-lhes vida, parece que se sente por toda a estrutura as impressões digitais do Giacometti, como se l...

País sem vergonha

Num dia destes no caminho para o trabalho, cruzei-me com a manifestação em defesa do conservatório rumo ao ministério da educação. Senti um mix de vergonha e raiva. Este é o estado do pais que não tem um ministério da cultura, que pouco ou nada se interessa pela arte ou pelos movimentos artísticos, pelos músicos, acrobatas, bailarinos, escritores, criadores e todas as pessoas que optam de forma corajosa por escolher este modo de vida. É preciso coragem para ser artista em Portugal, coragem que eu não tive quando tive de optar. Aos 15 anos escolhi a vertente de artes no ensino secundário, acreditava que o meu caminho seria por ai. Sempre gostei de desenhar, pintar, fazer trabalhos manuais, construir, ler, escrever, música, história de arte sempre me complementaram como pessoa. E lá fiz eu o meu caminho, certa sempre que não seria nenhum Picasso mas mesmo assim, o design de moda seria a minha meta. Neste período fiz milhares de desenhos e até cheguei a fazer roupa e pintar tec...