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1 ano sem ti

Sem darmos conta, passou um ano. O tempo é implacável nestas coisas, corre sem parar, mesmo que algumas coisas nunca mudem.  Quando se perde uma pessoa importante, nada muda, a não ser a distancia da ausência. O resto é imutável, só a saudade que cresce e se multiplica. A minha ultima avó partiu faz hoje um ano, numa manhã de Janeiro com sol que reservou a chuva e o frio para nos acompanhar nos dias que se seguiram. Deixou-se ir, numa rendição que se adivinhou nos dias que antecederam a sua partida. No fim-de-semana, dela só restava um pouquinho de luz, senti a vida a deixá-la com suavidade. Ainda era ela, falou só porque a chamei, despedi-me dela com um beijo, estava quentinha e   bem aconchegada como sempre. Só foi só possível vivermos o que vivemos, em todas as férias de Agosto com minha avó, porque ela era como era! Apesar de se arreliar com a nossa vida louca e do pouco tempo que passávamos em casa e a fazer-lhe companhia, tinha mais curiosidade em saber o que...

A avó

Hoje a minha avó faria 92 anos. Não sei traduzir em palavras a saudade que sinto dela. Supostamente o tempo cura tudo, eu sei que sim, neste caso irá atenuar mas nunca acabar com elas.  Fico emocionada ao ver outras velhotas como ela, de casacos de malha sobre os ombros, com as saias de fazenda desalinhadas, os cabelos curtos puxados para trás com laca e de andar meio cambaleante. Às vezes quando as vejo a passar, por trás, parecem mesmo a minha avó e os olhos enchem-se de água. Fico um bocadinho a digerir esta imagem, foi uma vida inteira na companhia da minha avó, e não é fácil aceitar esta ausência.  Apesar de tudo, viveu com qualidade de vida quase até ao fim,  teve o que falta a muita gente, uma família que sempre esteve lá para ela, assim como ela, incansável.  Neste dia, compravamos um bolo e íamos a casa dela cantar os parabéns, nunca falhamos. Da última vez já sem saber bem muitas coisas, quando viu as velas com 90, exclamou: quem é que faz anos? T...

Contactos com o céu

E o que é que eu faço com isto? Guardo também o teu número de telemóvel, mas o número de casa digito-o mentalmente várias vezes, tenho-o decorado desde que existe, muito antes dos telemóveis nos terem poupado a memória para estas coisas. Duas vezes por semana ou mais a ligar-te, só porque sim para saber se estavas bem. Umas vezes só para te ouvir reclamar que nunca mais te tinha ligado (como se fosse possível esquecer-me), para saber se precisavas de alguma coisa do supermercado porque iria lá ou para acertarmos pormenores nos nossos dates de fim-de-semana. Já não existe, eu sei. Confesso… liguei para lá e a menina (como dizias quando não te atendia o telefone) disse-me educadamente, que o número que pretendo “já não está atribuído”. Como é que ela há-de saber que este número será teu e sempre teu? Apesar de os últimos três anos terem sido muito duros para ti e para nós, relembro regularmente estas nossas rotinas. Tive de me reajustar, avó. Só percebi isso naquele dia ...

Para a minha avó

A minha avó fez 89 anos esta semana. Nem sequer é um número redondo, é imperfeito como os números impares. Mas é a idade da minha avó. E se ela é imperfeita! A minha avó tem muitos de defeitos, coitada, é verdade! Não gosto dela em menos por isso. É minha avó gostaria dela sempre, por isso mesmo. É a minha avó! E gosto ainda mais dela, porque a minha vida não seria a mesma sem tudo o que ela fez por mim. Apesar de todos os defeitos que carrega, foi e é aquilo que uma avó deve ser: presente, constante e de confiança. Se há pessoa nesta vida que nunca me falhou ou faltou foi a minha avó. E eu sempre tentei e tento retribuir da mesma forma. Não o faço por obrigação, faço porque é a minha forma permanente de agradecer tudo o que ela e o meu avô me proporcionaram, como criança, menina e mulher. Sinto que nunca será o suficiente, faça o que fizer. O valor do que me deram é tão grande que eu, neste corpo e nesta vida, nunca irei conseguir retribuir na justa medida. Mas tento...

Ausências naturais

Coisas avulso em que se pensa, é disso que se trata. Num dos percursos que faço a caminho do trabalho, passo ao lado do cemitério de Benfica. Numa dessas deslocações dei por mim a pensar: é ali que está o meu tio. É uma coisa estranha de se dizer, parece que mora ali ou está ali internado… Este pensamento soou-me mal. Desconexo e descontextualizado, soou-me mesmo muito muito mal.  Ele não está ali, o corpo dele é que foi enterrado naquele local. Ele efetivamente partiu no dia em que morreu, não está ali naquele local especifico, deixou de estar nos sítios que eram dele. Estas ausências são diferentes das outras ausências. Os outros estão ali, aqui ou num local concreto, existem neste espaço físico e num tempo concreto são materializáveis. Só estão ausentes por um motivo que se entende ou não, mas têm um corpo que permite coloca-los em locais reais onde estão. Se quisermos falar ou estar com eles, estão ali podemos falar, podemos encontrar-nos ou cruzar-nos, não exist...

Família com F maiúsculo

Quis o destino ou as coincidências, para os mais céticos, que os meus pais fizessem anos em dias seguidos. O meu pai a 18 de Dezembro e a minha mãe a 19 de Dezembro, no fim do Outono em anos diferentes. O mesmo mês, a mesma altura do ano, quase os mesmos dias, o mesmo signo. Tantas conjugações o que os torna diferentes mas ao mesmo tempo muito parecidos. São como o próprio Sagitário, fogo do fogo em dobro, muito em tudo e muito pouco em quase nada o que faz com que sejam ambos personalidades marcantes e pessoas inesquecíveis. Não digo isso porque são os meus pais (mesmo que não seja isenta), as pessoas que os conhecem podem atestar. Cada um com as suas singularidades, com as suas características, únicos em si e por si mesmos como equipa. Foram dois que passaram a quatro e que agora já são seis, cresceram a multiplicaram-se. Como estamos em época natalícia e em comemoração dos respetivos aniversários e os parabéns e felicidades estão sempre subjacentes, quis que hoje a minha fe...

He would be somebody I would be proud to know...

Como bem me relembrou um amigo a música do Carlos Tê: “não se ama alguém que não ouve a mesma canção”, vou começar por ai este texto, em mais um aniversário do nascimento do Jim Morrison. Uma data que nunca me passa ao lado. Entendo que é difícil estar com alguém que não acompanha este meu lado B: os concertos, os festivais, os espetáculos, as viagens… isso tudo que enriquece a vida todos os dias. Como por exemplo, ir ao Porto só para falar com um expert dos Doors, que por acaso está no Porto, mas se estivesse em Budapeste seria igual. É isso tudo… Não são os gostos musicais, aceito os gostos mais variados e as tendências musicais de cada um, mas sou muito possessiva tratando-se dos Doors. Pouco me importa se gosta ou não, não pode é falar mal, isso é ponto assente! Os Doors são uma coisa minha, não critico quem não gosta nem quem gosta. Quando falo com quem gosta, preciso perceber o grau de envolvimento, só para conseguir acompanhar. Como para mim é muito, não posso simplesme...

Viva a família!

Não felicitei o Ronaldo, devo ter sido a única no país. Felicito agora! Parabéns Ronaldo, merecido em tudo. É um atleta de exceção, como o próprio diz: um profissional. E quanto a mim, um exemplo. Para além do prémio ganho com mérito e empenho do próprio, há mais coisas que o Ronaldo mostra ao mundo com orgulho: a família. Gosto de pessoas que não se esquecem dos que estiveram sempre lá para os apoiar, no caso dele, com grandes sacrifícios para todos. Ele não esquece, tem-nos sempre por perto, sente orgulho, gosta de viver com eles, quer que estejam bem e que vivam bem. Sabe que estarão sempre ao lado dele para o apoiar, acompanhar e guiar – como sempre. Não se esquece, é grato. O Ronaldo é o melhor do mundo no futebol, mas também mostra que é grande homem que precisa da família para equilibrar a sua vida. O reconhecimento público dos laços que o unem à família são parte integrante do sucesso que tem, disso não tenho dúvida. A família é o pilar.  Fico sempre com ...