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PASSATEMPO PARA O DIA DOS NAMORADOS

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Quem escreve o quê

O meu nome é Sofia Cortez. Sou a Sofia e uma série de apelidos que optei por reajustar e ficar apenas com o mais pequeno. Não julguem que foi a primeira opção, ainda testei usar dois apelidos, mas acabamos por não nos conseguirmos equilibrar. Eu sou uma pessoa de número 2, assim o meu nome e este apelido têm os dois o mesmo número de letras, e conjugam-se na perfeição. Escolhi o apelido da minha avó paterna, uma feliz coincidência na construção das relações importantes que mantenho, com as mulheres da minha família. O Meu Serendipity é o espaço onde partilho textos, reflexões, pensamentos…e tudo o que me vier à cabeça. O blog: https://omeuserendipity.blogspot.pt/ como uma série de coisas que me têm acontecido na vida, surgiu de um acaso. Escrevia notas pelo facebook, mas que ficavam um bocadinho dispersas. Assim por incentivo de dois amigos: o Vasco Noronha e a Marta Canário que me sugeriram criar um blog, aconteceu o Serendipity. Serendipity é uma palavra linda, em tu...

Abre os olhos

Então, fecha os olhos, e o que sentes? A respiração quente, nervosa, descompensada. O coração que bate, bate, bate acelerado. Sentes a proximidade, não estás só. Mas não abres os olhos, não abras! Pode não ser verdade, pode não estar a acontecer. Enquanto estiveres no conforto da escuridão, fica tudo guardado nesse tempo, nesse momento. Um único instante solitário, teu. Dentro da cabeça amontoam-se memórias, lembranças, medos. Não abras os olhos! Se fizeres de conta que não sabes que os tens de abrir, não precisas abri-los. A música, a banda sonora toca. Tens música para todos os cenários. Dentro de ti toca, aquela que queres sempre ouvir, que toca só para ti e por ti. Com os olhos fechados não vês a água que começa a acumular e que te vai escorrer pela cara. Deixa, não abras os olhos! É aquela voz ao longe, as palavras sussurradas, escritas, pensadas, não ditas, essas todas sabe-las de cor. Vivem dentro de ti, nunca as tinhas ouvido noutra voz. Tão irreal. Não...

Conversas imaginárias

Outro dia dei por mim a pensar em tudo o que te poderia dizer. Tanta coisa, que foi difícil estruturar o pensamento. Primeiro, saiu tudo ao monte como se tivesse de despejar uma gaveta. Nem eu percebi bem, tudo o que disse ou que teria de dizer. Se nem eu percebo, como irias perceber? Voltei a arrumar tudo, para começar por partes. É terrível, tenho sempre vontade de dizer tudo ao mesmo tempo, sem lógica, sem encadeamento, desenfreada, meia louca. Depois tive dificuldade em arrumar os temas por importância. Parece-me tudo importante, tudo urgente, tudo vital. Pensar assim acelera-me a pulsação, a respiração, altera-me a ordem das palavras. É um mix de adrenalina com ansiedade, água que ferve em ebulição. E fico a pensar. Oriento as ideias em tudo o que tenho para te dizer. São milhares e milhares de boas palavras. Queria que alguém me oferecesse este conjunto de palavras, que me fizesse sentir especial, que depositasse a esperança da humanidade em mim, como eu deposito em ...

Articular palavras

  Arte, saber, domínio. Dom. Tenho alguma dificuldade em conseguir articular verbalmente tudo o que consigo escrever. Quando escrevo, oriento as ideias, elimino partes, mudo os sentidos, consigo encadear as palavras de forma lógica e orientada. Fazem sentido assim, querem dizer isto assim ou mais. O que é claro fica mais claro, os subentendidos mais sofisticados. Posso refletir, corrigir, reescrever, apagar tudo, voltar ao inicio. Escolho o tom que quero e como quero. Exponho mais ou menos consoante a minha vontade. Digo tudo e não digo nada. Quando escrevo o raciocino flui, não se sobrepõem como nas conversas. Dá espaço para que diga o que gostaria de dizer, bonito, feio, forte ou fraco.  O tom da minha voz atrapalha-me, o som das palavras mistura os contextos, já não sei o que quero dizer com principio, meio e fim. Nunca digo tudo ou digo mal, ou esqueço de metade. Não domino esta arte, o bom discurso tem de ser escrito primeiro. Ou bem treinado. Ou temos de ter o c...

Substância

São os teus contornos que relembro.  A silhueta, o perfil a espessura da pele.  Pareces altivo, linear e coerente. Escondes a timidez com segurança. É forma como arrumas os teus braços que te denunciam. Tens um timbre certo, pausado e assertivo. Seguro. Nunca ficas fora de pé, mas sempre à procura do próximo mergulho. É a profundidade que te atrai. O desconhecido. Imperturbável. Os homens fingem muito melhor que as mulheres. Desligam-se com a facilidade com que se ligam. Não usam meios caminhos entre o sim e o não. Demoram a constatar o óbvio e entendem muito pouco as subtilezas. Não entendem os meios caminhos ou as meias palavras. São tolos. Não entendem como é difícil explicar tudo. O tudo é uma montanha de coisa difíceis de materializar. As palavras nem sempre transmitem substância. E substância é tudo o que não te falta. 

Cartas de Amor!

Adoro cartas de amor! Sempre gostei. Escrevi várias ao longo dos tempos, desde criança que me recordo de escrevê-las. Primeiro em pequenos bilhetes, depois postais e mais tarde cartas com várias páginas umas enviadas por correio, e-mail outras escondidas na mochila ou em livros. A expressão escrita sempre me facilitou o que a fala me dificulta, como se não tivesse som para dizer as palavras que escrevo no papel, como já devem ter reparado, debito muitas, papel em papel, caderno, agendas, escritas à mão ou no computador.  Vou deixando palavras soltas por todo o lado, semeio-as e elas multiplicam-se. Mesmo quando não tinha retorno, nunca abandonei este meu gosto pelas cartas de amor. Sempre me divertiram muito. Mesmo sem retorno, serviam para exorcizar todo o amor para o outro lado, como se o libertasse e o entregasse ao outro: toma é teu, faz o que entenderes. De certa forma deixava de ser responsável por ele! Ao mesmo tempo cada carta é uma joia rara e única...