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Densidade

A própria palavra transmite substância, peso e complexidade. Qualquer coisa que se denomine denso é detentora de volumetria, de um corpo preenchido. Não é simples, não é fácil e não é seguramente leve. Por ser assim, parece também difícil de tocar e de compreender.  A densidade tem um estatuto próprio, é uma barreira maciça quase intransponível. O denso nevoeiro, não permite ver o que está para lá ou quando se vê, não se consegue ter a certeza do que se avista, envolve o olhar em mistério. É também por isso que as pessoas densas são tão atraentes, carregam em si todo um mistério. Guardam segredos que só eles sabem, experiências e conhecimento que só eles têm. São detentores de um património único, que os torna singulares. Os incompreendidos, impenetráveis que falam outra linguagem. Não se encaixam em lado nenhum, não se enquadram em nenhum contexto. Pensam e expressam-se de formas indecifráveis, não se defendem nem são vulnerais, são diferentes. Pagam o preço da incom...

Mais além...

Não existem pessoas perfeitas. Existem pessoas que não se dão por satisfeitas ou vencidas com o que pensam, com o que têm ou com o que são. Uns torturados pela vida, outros que passam suavemente pelos dias mas todos intensos. Aqueles que não querem ver o obvio, querem ir mais além. Os que se sentem derrotados pela incompreensão, os que lutam para marcar uma posição, para vencer uma causa, para não seguir a carneirada porque precisam respirar de forma diferente e sentir de forma diferente. Não querem o óbvio, não querem apenas o que se vê com os olhos. Sentem de forma diferente mas parecem iguais a todos os outros. Mas não são. Estão dispostos a desbravar o mundo carregados de um medo terrível de se expor ou de se dar. Lutam contra o mundo e contra si próprios. Fecham-se do mundo e de si próprios. Apagam a luz e enfiam-se em buracos fundos onde só entram os iguais ou alguns aventureiros. Não veem nem na escuridão nem na luz. A vida parece pouca quando é simples, por...

Dias desconexos

Os dias desconexos não trazem bons augúrios. São episódios soltos que não se relacionam entre si mas com as mesmas personagens. Há dias em que fazemos parte de cenários dramáticos, outros cómicos, românticos, surreais… sei lá parecem simplesmente não encaixar uns nos outros, pior não se encaixam de todo e desencaixam-nos completamente.  É de ficar baralhado! Não se sabe ao certo o que esperar ou como nos devemos comportar, podemos seguir a máxima de deixar fluir, que facilita mas nem sempre é possível. Que pena não termos um botão on/off e principalmente forward. Nestes dias os minutos passam com dificuldade, ainda que passem à mesma velocidade de todos os dias, nem mais rápido nem mais devagar na mesma cadência. Há um tic tac permanente na cabeça até as pulsações do coração se sentem nas veias como uma bomba relógio. Que martírio! Dormir não chega, nem a música, nem o mar, nem o carro… nada. O tempo é um corpo vivo que demora a passar e a realidade não cede um...