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A mostrar mensagens com a etiqueta Amor

O dia da memória - a neta da Dona Rosa

Sofrer é sempre opcional mesmo quando se trata de saudades.  Faz-se o que todas as recomendações aconselham: lembrar as memórias felizes e os momentos especiais. Assim estarei sempre a celebrar e a honrar a vida da minha avó, pelas recordações contributivas que temos em comum. É uma forma de lidar com esta ausência. O tempo devia ajudar. Tem dias que parece que sim e outros que parece que não. Assusta-me que o tempo apague memórias, vivências, a estrutura das mãos dela, a cor do cabelo, as rugas da cara ou os cheiros. Já que os espaços físicos vão mudando, uns perderam-se para sempre e os objetos nem sempre conseguem ajudar na reconstrução de alguns puzzles da memória, o tempo poderia ser mais clemente! Fazer o quê? Não me incomodam os cemitérios, apenas as campas abandonadas. Isso sim, o fim do fim, as pessoas partiram todas e as memórias com elas. Ficam as campas a pairar num abandono compreensível, mas mesmo assim, triste de se ver.  Ontem, como em 2017 esteve sol com frio....

Joaninha, Janiquinha, Isniqui

Algumas vezes na vida temos uma sorte incrível! São pessoas ou coisas que nos acontecem sem estarmos à espera e que nos deixam marcas para sempre. Este mês de janeiro acabou da pior forma, perdi a minha companheira de vida. Por muita preparação que tivesse e por tudo o que vivemos nas últimas semanas, sabia que o fim estava próximo para ela, quis que tivéssemos direito a um milagre, daqueles que acontecem a algumas pessoas e que ficam registados na história da humanidade como: feitos extraordinários! Por que não haveríamos de ter essa sorte? Não tivemos direito a um milagre, ainda assim, consegui cumprir a minha vontade. Não quis que ela ficasse no hospital e que ali sozinha se deixasse ir, partiu rodeada de amor na casa que sempre foi mais dela que minha. Pode parecer exagero tudo o que irei partilhar a seguir, irá parecer exagero para quem não tem afinidade com os animais e nunca se conseguiu perder com a pureza dos olhinhos de um gato ou cão… ou até de qualquer outro animal de e...

Deixar a meio

Nem sei bem se ficou a meio ou se ficou completamente por fazer. Ou talvez o tenha começado a fazer antes de tempo, que é por vezes uma das minhas falhas – antecipar – para tentar sofrer menos. Imaginar tudo na pior versão possível para que, quando se der não ser tão mau. Os cenários híper catastróficos que traço são sempre desgraças muito mais grandiosas e espetaculares que a realidade, felizmente. Não me ajudam a prevenir o inevitável mas ajudam-me a registar memórias de boa qualidade com muita precisão. Como faço tudo isto de forma consciente, sei o que estou a registar e porquê, por isso a informação que armazeno tem muitos detalhes e é construída com uma visão 360, e é simultaneamente registada de dentro para fora e de fora para dentro. De que vale uma boa memória se não conseguirmos sentir o que sentimos naquele momento, sempre que a revisitamos? Faz hoje 4 anos que morreu a minha avó Rosa. Podia começar com aquelas bonitas contagens de horas, minutos e segundos que se passaram...

Fazer o bem sem olhar a quem

Diz-se que o bater das asas da borboleta aqui provoca um tsunami do outro lado do mundo, segundo a teoria do caos ou o chamado “efeito borboleta”. Pela mesma lógica, se espalharmos o bem e amor por aqui também o irão sentir no outro lado do mundo, não é assim? Se não é, eu gosto de acreditar que é. Não advogo a máxima de “olho por olho, dente por dente” como se fosse preciso ser igual a um escroque para provar que temos razão ou para nos sentirmos iguais ou superiores a ele. A teoria do “Chico Espertismo” é uma questão cultural do português como bem se tem visto com o contornar das restrições covid, tem sido uma modalidade de sucesso nos dias que correm. O que nos sobra em desenrascanço parece não se aplicar ao sentido de comunidade e cidadania. De qualquer modo, não é esse o motivo da minha reflexão. Eu acredito em algumas coisas sem precisar ter provas concretas que elas existem ou se processam de determinada maneira, digamos que é a minha fé. Mas uma vez por outra pareço esquece...

Valentina

Faz um ano que fui buscar a Valentina. A Amigato tinha-a recolhido da rua, muito pequenina e mirrada. Numa daquelas imagens que o algoritmo (que sabe tudo o que precisamos) do facebook nos mostra “aleatoriamente “pareceu-me ela. E lá fui eu, conhecer a Valentina que por aqueles dias ainda se chamava Letoya. Fui de coração partido com a perda da minha Picachu e pouco restabelecida das semanas duras que tínhamos vivido. Nem sei se foi coragem, carência ou alguma demência que me fez em tão pouco tempo procurar outra gatinha. A veterinária, também ela pouco refeita pela perda da Picachu, recomendou que esperasse um tempo. Eu e a Joaninha passamos uma semana complicada após a morte da nossa menina. A Joaninha visivelmente desorientada aguentou-se como pode apesar de ter ficado assim alguns meses. Nessa semana teve de reaprender a viver sozinha, que para ela é um tormento! Eu tive de me conformar com a ausência da gata mais querida que alguma vez tive e aprender a perdoar-me por nã...

O tempo passa

Faz hoje um ano que tive de deixar partir a minha gatinha. Ninguém nos prepara para estas coisas, nem nunca iria conseguir sentir-me preparada para fazer de ânimo leve o que tive de fazer. Reconfortei-me com a nobreza do ato que todos os meus amigos me quiseram transmitir, como sendo o melhor e um ato de amor. Foi o melhor, obviamente tendo em conta o quadro clinico da gatinha. Talvez tenha sido também um ato de amor, vê-la sofrer estava a deixar-me destroçada. Ela estava esgotada, a Joaninha estava esgotada e eu acabei por desistir depois de uma semana de pouco sono e muito desgaste na tentativa de mantê-la viva. Nada nesta vida é para sempre, nem a vida das pessoas que amamos nem a vida dos animais que tanto nos dão nem a nossa própria vida. Por isso, aceitar com naturalidade todo o processo é o que nos resta saber fazer. Nunca será fácil mas é menos difícil encarando as coisas com a naturalidade que devem ter. Digo isto agora, com algum distanciamento depois de ter sofrido horro...

Pequenos focos de amor

O amor não tem de nos deixar inquietos, muito pelo contrário, tem de nos deixar em paz.  Tem de possuir a habilidade de nos devolver ao espírito a paz que buscamos quando procuramos o amor.  Talvez a literatura seja em parte culpada por este equívoco!  Os escritores com os seus amores exacerbados, doentios, frenéticos, sôfregos, cheios de fogo, angústia e dor fazem-nos crer que o amor, o bom amor, o que vale a pena deve ser assim. Deve deixar-nos num estado de explosão eminente e intensa, num estado de sobressalto permanente que nos tira o sono, a fome e por pouco os sinais vitais do corpo! Claro que o amor precisa do combustível que só a paixão sabe dar, o fogo que gera desejo, vontade e muito impulso é indispensável no primeiro impacto. Mas depois, como nos narram os escritores com o passar do tempo o fogo começa a transformar-se em ciúme, loucura e em casos extremos, doença. Ficam obcecados e obsessivos com a pessoa amada como se precisassem dela para viver, co...

Um certo tipo de amor

Há um certo tipo de amor que demora a florir. Há um certo tipo de pessoas onde o amor demora a florir. Qualquer uma das afirmações é verdadeira. A primeira está comprovada, nem todos os amores são à primeira vista ou nascem espontaneamente, precisam de amadurecimento como as sementes na terra. O amor precisa de tempo, dedicação, empenho e coragem para se acreditar que vai germinar. O amor saudável, o que nos faz bem tem premissas que parecem esquecidas. Não tem regras pré-estabelecidas, contudo precisa deixar que a magia faça a sua parte, precisa que não se desista na primeira contrariedade, que não se desista só por desistir, que se deixe de lado crenças e ideias pré-concebidas que se possa ter sobre o amor. Precisa acima de tudo que se deixe de lado a bagagem que se traz. Não podemos esquecer a experiência que temos com o amor e ao mesmo tempo não podemos deixar que isso nos impeça de aguardar o imprevisível. O amor que demora a florir precisa ser original, ter uma linguagem pró...

O Luto

O ser humano tem muitas dificuldades em cumprir os processos que a vida impõe, o luto é um deles.  Ninguém aceita de ânimo leve uma perda, ninguém aceita a perda como mais uma etapa.  Somos educados e ensinados a lutar contra o luto, todos passamos por ele em alguma altura da vida, mas socialmente é nos incutido que devemos passar à frente de imediato. Não é bom ficarmos tristes, chorar ou deixarmo-nos consumir pela desolação, temos de avançar para outro estado o mais rápido possível. Não é de todo mentira, temos de avançar e seguir em frente, no entanto, precisamos também sentir a perda e para isso o luto é essencial. Houve qualquer coisa importante que desapareceu, que partiu para sempre, que mudou de plano e nos deixou um vazio incomensurável. Ignorar a dor que isso nos provocou vai fazer com que essa mesma dor nos acompanhe por toda a vida, precisamos gastar os "créditos" enquanto esta sensação está presente e bem viva em nós. Caso contrário, vamos passar a im...

Picachu será sempre Picachu

"Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force, nunca; seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida" . (Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo). Foi assim com a minha Picachu até hoje, o fim. Não se forçou a vida e só se forçou a morte por amor e compaixão, a vida é para se viver sem sofrimento e ela já não estava a conseguir corresponder às minhas expectativas nem da veterinária, mesmo dando tudo por tudo! Cada um tem o seu tempo e o seu espaço, é preciso saber e aprender a respeitá-lo. Vale para todas as formas de vida. E como foi maravilhoso ter na minha vida a gata mais meiga e louca da história da humanidade! Que dádiva esta que tive o privilegio de viver! Sim, perdi a minha Picachu. E tudo o q...

Não sou o Picasso

“Eu não sou nenhum Picasso”.  Foi uma justificação que usei várias vezes para legitimar não ter seguido para as Belas Artes. Não só porque efetivamente não sou o Picasso, em forma ou em talento, mas também porque infelizmente continuo com a convicção que Portugal é um pais que trata muito mal os seus artistas e quem vive da arte, como se fosse uma “profissão menor” ou pior penaliza quem por um amor maior se entrega à dança, pintura, teatro, música, escultura, literatura como se de um hobby se tratasse e como tal, não merecesse nem o reconhecimento do Estado ou da Sociedade para condições de trabalho dignas e consequente justa remuneração. Os artistas são umas parasitas, só um Picasso não seria. Estamos a anos-luz, de uma mentalidade artística que saiba valorizar quem se dedica à arte pela arte. Visitamos museus, exposições, concertos, vamos ao teatro… mas não consideramos todo o trabalho que é feito pelos artistas e por todos os outros artesãos. Se é para ter um diploma qu...

Rosa

Hoje é um dia importante, faria hoje 93 anos a minha avó Rosa. Como homenagem deixo o conto que escrevi semi-inspirado nela. Esta Rosa e a minha Rosa têm em comum a missão de ser avó, um papel que desempenhou com amor e dedicação. Hoje e sempre com muitas saudades dela. Parabéns avó. ---- ROSA Quando se pergunta a uma criança, o que quer ser quando for grande, habitualmente respondem: professor, bailarina, médico, piloto de avião, chef de cozinha e por ai fora, mas não a Rosa, quando crescesse a Rosa queria ser: avó. Talvez por isso, tenha tido toda a vida, um ar mais velho do que seria suposto. Quando nasceu não parecia uma bebé acabado de nascer, parecia uma velhinha enrugada no colo da mãe. Antes dos dez anos, tinha já compridas melenas de cabelo branco e os traços do rosto sempre muito vincados a delinear-lhe a expressão. Naturalmente interessou-se sempre por hobbies muito pouco infantis como aprender a fazer crochet, depenar galinhas, cozer botões, passar a ferro e ...

Parabéns Rio de Mouro_Rinchoa

Eu sou de Lisboa, nasci em Lisboa e sou efetivamente de Lisboa apesar de nunca ter vivido em Lisboa.  Sou também dos sítios das minhas origens um pouco mais da Pampilhosa da Serra, um pouco menos do Redondo, de Sintra e muito da Rinchoa. Quando se fala de Rio de Mouro ou da Rinchoa, nunca é pelos melhores motivos, é quase sempre para relatar um acontecimento grave como um assalto, um acidente, violência ou algo do género. Estes fenómenos não são exclusivos de Rio de Mouro ou da Rinchoa e são difíceis de dissipar dos estereótipos das pessoas, grudam-se com cola de cimento à minha terra e por muito que se tente dizer que são acontecimentos pontuais que acontecem em qualquer sítio, o rótulo permanece e tem sido difícil desvincular-se dele. Como se no dia em que pomos uma nódoa na camisa nos vinculasse em permanência com o rótulo: “é sujo” ou “sempre que come põe uma nódoa na roupa”. A comunicação social tem muita culpa desta imagem errada que alimenta com base em pouca ou qua...

O mundo está confuso

O mundo está confuso no que diz respeito à forma como as pessoas se relacionam. A sensação que tenho é que a maioria das pessoas não sabe o que quer e quando acham que sabem, duvidam. Somos provavelmente a geração mais baralhada de sempre, neste campo. O que antes era claro, nos moldes da realidade vivida, parece-nos hoje estranho! E é estranho! Não estamos a viver na mesma a realidade que as gerações anteriores nem no mesmo tempo, as coisas modificaram-se. Digamos que “evoluímos” e evoluímos na forma como nos relacionamos, sofremos muitas modificações em pouco tempo como: a velocidade a que corre o tempo, o acesso à informação e tudo o que temos disponível para fazer e aprender atualmente. Contudo, apesar disso não mudou o sentido em que nos relacionamos, fazemo-lo porque faz parte da nossa natureza precisar de amor: querer ter e dá-lo. Perdemos a simplicidade de sentirmos as coisas desta forma, de deixarmos o tempo fluir e correr como deve de ser. Passámos a viver em urgênci...

Pêlo de Arame

“Roubaram-me o Bobby.” É esta a nota do meu avô no calendário referente ao dia 7 de Dezembro algures nos anos 80. O Bobby era um pequeno cão pêlo de arame, bom para a caça de porte médio/pequeno com pelugem creme e com uma barbicha deliciosa. Foi para o quintal do meu avô ainda pequeno e quando desapareceu era ainda jovem, não teria mais de 2 anos (se tivesse). Os netos pequenos, trasnsformaram o Bobby na mascote, mais um elemento do grupo de brincadeiras. Ele gostava…respondia ao nosso assobio de crianças (que o meu avô não queria… para que ele obedecesse apenas ao assobio do dono) mas tanto o Bobby como nós, pouco ligávamos. O cão sabia quem era o dono. Era um excelente caçador. Sim, o meu avô era caçador e isso não lhe diminuía o amor pelos animais, muito pelo contrário. O amor que tinha pelos cães então, era expressivo. É daquelas imagens que se guardam das pessoas, o meu avô e um cão, dois ou três, foram vários ao longo da vida dele, foram vários ao longo da minha vida. ...

Inexistência

Def. adjetivo de 2 géneros: 1. que está em falta 2. que não existe É assim que se define a palavra inexistente: o que está em falta ou o que não existe. Algumas palavras só ganham realmente sentido quando algo está em falta ou deixa de existir, como é o caso da palavra inexistente. Tantas vezes usada e nem sempre fácil de materializar o seu sentido. A inexistência tem-me fixado os pés na terra, sempre que, sem dar conta viajo pela existência de pessoas e situações inexistentes. Deixo-me vaguear por pensamentos familiares e por memórias que ainda me parecem presentes, como se conseguisse estender o inexistente pelo presente. É tão real que parece verdadeiro. Como se ainda acenassem naquela janela, onde tantas vezes esperam por nós. Como se a rotina não tivesse mudado e as listas de compromissos não se tivessem reajustado à nova realidade. Ainda se sente tudo recente, como se não tivesse acontecido porque a presença não se ausentou na inexistência, faz parte do dia-a-dia...

Cuidar

Nascer para cuidar, pode muito bem ser a mais nobre das missões de vida que se pode ter. Talvez todos a tenhamos pela condição da humanidade, ainda que alguns a rejeitem pelo egoísmo ou pelo infundado argumento de falta de jeito. Quando cuidamos dos outros aprendemos a cuidar de nós ou quando cuidamos de nós aprendemos a cuidar dos outros, estão intrinsecamente ligados, quer me parecer. O bem maior que nos dão, a nossa vida, cabe-nos o dever de cuidar dela em qualquer etapa, é o nosso bem mais precioso. Não é um dado adquirido, mesmo que alguns julguem que é, existe todo um percurso que a nossa vida cumpre e que nos cabe valorizar, independentemente das alegrias ou tristezas. Durante a vida cuidam de nós ao nascer, a nossa mãe, o nosso pai, as avós, os avôs, os irmãos, os primos, as tias, os amigos ou até os vizinhos. Somos cuidados desde sempre, é para isso que existe a família, para solidificar os laços do amor e cuidado que devemos ter entre os nossos. Quando cuidamos nã...

Meu Amor

Quero ver-te feliz todos os dias da tua vida, és daquelas pessoas que conseguem num só suspiro levar-me a equacionar tudo o que me rodeia, tens uma aura tão intensa à tua volta que não dá para nos abstrairmos de ti. Mesmo quando não te vejo, sinto a intensidade que tens em ti e que te torna tão singular, sinto a tua ausência e silêncio com o peso de um tempo que não passa e que custa a passar. O mesmo tempo que nos faz ganhar vida e conhecimento sobre nós próprios e que nos ajuda a expandir por terrenos desconhecidos e ansiar por mais. Tens sido o meu ritmo cardíaco em muitos momentos, o meu norte, o meu santuário, o meu confidente mais improvável. Contigo sinto uma enorme facilidade em partilhar o que me vai na alma, em confessar os meus segredos mais inconfessáveis, a tua compreensão liberta-me. Entendes-me sem julgar. Reconfortas-me nas minhas falhas e partilhas o teu ponto de vista. Desconfio saber, qual a razão fundamental para isto me estar a acontecer, provavelmente são todo...

Gatarias

Tenho duas gatas anciãs, como diz o meu pai. É como quem diz de forma simpática… já têm mais de 12 anos. Uma vai fazer 13 anos em Março e a outra 14 anos em Abril. Estou a chegar aquela fase de impasse em que sei que tenho de lhes dar a melhor velhice que conseguir, da mesma forma que lhes proporcionei uma boa vida sempre e ao mesmo tempo, talvez tenha de ponderar arranjar uma gatinha de transição… um terceiro elemento. Tal como acontece com os idosos, a proximidade com crianças traz-lhes longevidade, poderia ser bom. Cada gato é um gato, uma tenho a certeza que não iria achar estranho já a outra iria ter uma terrível crise de ciúmes porque é possessiva comigo! Já a estou a imaginar com os olhos a meia haste, como quem diz: é para passar por cima? Assim, neste impasse e sabendo que terei gatos toda a vida, facto incontornável, talvez não tenha de ser já e até precise de um tempo depois destas partirem para o gatil eterno. São muitos anos com elas, temos uma vida feita de hábito...

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