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Mensagens

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Escrever o que não se diz

Escrever pelo melhor e pelo pior que se pode dizer. Quando não se consegue verbalizar diretamente o quer que seja, escrever aparece como a alternativa viável. A linguagem verbal é mais imediata e directa, mas perde alguma informação. Com a rapidez do momento, não conseguimos partilhar tudo ou partilhamos da forma incorrecta ou pouco eficaz. Não que ache que tenha de existir alguma preparação prévia, mas quase sempre existe. Pensamos com alguma antecedência o que queremos dizer, não queremos perder a oportunidade. Mesmo sem grande preparação para uma conversa importante, esquematizamos mentalmente o que vamos dizer ou o que queremos dizer. Não se podem desperdiçar palavras. Quando se escreve podemos acrescentar e tirar informação na mensagem, podemos escolher palavras e a forma mais correcta de dizer o que queremos. Podemos pensar e repensar, conteúdos e formas. Podemos dispor tudo ao nosso gosto. Enviamos a mensagem quando e como queremos. Ao falarmos estamos a ouvir-n...

A boca

Confesso: Gosto de bocas, lábios, de ouvir pessoas falarem, dos movimentos, dos sons da boca, das cores, dos desenhos e das expressões.   Ainda hesitei se diria apenas lábios, mas: não é a boca!  Os lábios são parte da boca, logo é da boca que eu gosto…com tudo o que ela tem. É o que me retém o olhar. São bonitas, desenhadas com perfeição ou imperfeição, com pormenores, detalhes e unicidades.  Os sorrisos, as gargalhadas, os tons. São o detalhe que personifica uma cara.  Curvas únicas, com marcas e desalinhos.  Nenhuma é igual. Deixa-nos divagar em curiosidades. O que se diz, como se diz. O que se faz, o que não se faz e o que se imagina fazer. Dia 28 de Abril  é o dia mundial do sorriso, não é à toa. Expressam a vontade, o ânimo, a alegria e a tristeza. Não se consegue, não olhar para ela. Definem-nos. Definem um rosto e as memórias que retemos dele.  Se os olhos são o espelho da alma, que será a boca? (a boca é...

O meu tempo

O meu tempo não é o tempo das outras pessoas, é o meu. No meu tempo vivem outras criaturas, vidas e diálogos. Conversas infinitas que me fazem pensar em todos os pressupostos e esgrimir cenários de possibilidades. O espaço temporal em que existo é muito para além do que se vê. Nem sempre vivo onde estou, nem sempre digo o que devo e há dias que duram meses e outros que correm em poucos minutos. O meu timing não é o  teu. O nosso timing parece fazer pouco de nós… Uns dias estendem-se com os períodos de tempo certos, nas horas em temos os olhos abertos e corpo na vertical, outros nem por isso. Os diálogos são quase sempre no tempo certo ou assim parece, que se prolongam por horas e partilhas de informação, muito informação difícil de processar. Os temas misturam-se entre rotinas e medos, e o desejo de crer mais do que se diz. E depois o tempo volta a pregar partidas… Esquecemos sempre os imprevistos. Os meus, os teus, os do tempo… e baralha-se tudo. O meu temp...

Enjoy the silence

Os silêncios são meus. Já devias saber. Não é justo que me roubes os argumentos sem pedir autorização.  São o meu ponto de referência. Se os silêncios não incomodam, significa que podemos estar em silêncio sem que isso nos pese, sem que as palavras surjam por necessidade, apenas para preencher o vazio. É o nosso barómetro. Os nossos argumentos saem validados pelos nossos silêncios.  O que não dizes fica na expressão do teu olhar. Fica na expressão do meu olhar. Passamos dias em silêncio, só para nos testarmos. Só para nos sentirmos.  Mas nunca esgotamos as palavras que temos para nos dizer. Tu contas histórias, aventuras, graças e eu oiço-te atenta a memorizar cada timbre e cada pormenor.  E podia ficar toda a noite a ver-te dormir. Só para fixar as pausas da tua respiração e para ter a certeza que és de verdade. Nessas noites não tenho pressa para viver, quero que o tempo pare, quero que fiques ali para sempre. Tentamos quase sempre adivinha...