Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta avó rosa

Para a minha avó Rosa

Nesta foto estamos nós as duas.    A avó que sem saber já se estava a perder n a memória d o tempo e eu, que olho para ti e vejo a mesma de sempre, mesmo sabendo que já não eras.    As fotografias têm destas coisas, imortalizam os momentos. Este passado que se torna presente, todas as vezes que volto a recordar estas fotos. Nunca serão futuro apesar de registarem detalhes que farão parte do meu presente e futuro , sempre.    Devo confessar que revisitar as fotos da minha avó não me deixa triste nem evito fazê-lo. Sinto saudades dela, sim muitas, tenho inveja das netas por quem passo na rua de braço dado com as avós, tenho ! Queria poder fazer o mesmo, mesmo sabendo que o que vivemos foi bom. Foi nosso e apesar de não se repetir, já não se perde , e esse é um tesouro que valorizo.    Recordo as minhas avós todos os dias, a maior para das vezes de forma inconsciente e involuntária. Uma situação simples e corriqueira, leva-me a elas. Relembra-me m...

O dia da memória - a neta da Dona Rosa

Sofrer é sempre opcional mesmo quando se trata de saudades.  Faz-se o que todas as recomendações aconselham: lembrar as memórias felizes e os momentos especiais. Assim estarei sempre a celebrar e a honrar a vida da minha avó, pelas recordações contributivas que temos em comum. É uma forma de lidar com esta ausência. O tempo devia ajudar. Tem dias que parece que sim e outros que parece que não. Assusta-me que o tempo apague memórias, vivências, a estrutura das mãos dela, a cor do cabelo, as rugas da cara ou os cheiros. Já que os espaços físicos vão mudando, uns perderam-se para sempre e os objetos nem sempre conseguem ajudar na reconstrução de alguns puzzles da memória, o tempo poderia ser mais clemente! Fazer o quê? Não me incomodam os cemitérios, apenas as campas abandonadas. Isso sim, o fim do fim, as pessoas partiram todas e as memórias com elas. Ficam as campas a pairar num abandono compreensível, mas mesmo assim, triste de se ver.  Ontem, como em 2017 esteve sol com frio....

Deixar a meio

Nem sei bem se ficou a meio ou se ficou completamente por fazer. Ou talvez o tenha começado a fazer antes de tempo, que é por vezes uma das minhas falhas – antecipar – para tentar sofrer menos. Imaginar tudo na pior versão possível para que, quando se der não ser tão mau. Os cenários híper catastróficos que traço são sempre desgraças muito mais grandiosas e espetaculares que a realidade, felizmente. Não me ajudam a prevenir o inevitável mas ajudam-me a registar memórias de boa qualidade com muita precisão. Como faço tudo isto de forma consciente, sei o que estou a registar e porquê, por isso a informação que armazeno tem muitos detalhes e é construída com uma visão 360, e é simultaneamente registada de dentro para fora e de fora para dentro. De que vale uma boa memória se não conseguirmos sentir o que sentimos naquele momento, sempre que a revisitamos? Faz hoje 4 anos que morreu a minha avó Rosa. Podia começar com aquelas bonitas contagens de horas, minutos e segundos que se passaram...

Avó Rosa

Quis o destino que a minha avó Rosa partisse hoje. A minha avó faz e fará sempre parte do legado de grandes mulheres que tenho tido o prazer de ter na minha vida. Apesar do seu mau feitio, génio e defeitos bem vincados que tinha, foi o pilar da nossa família sempre, papel do qual nunca de demitiu e que sempre cumpriu com zelo e dedicação.  Acima de tudo, a minha avó foi uma mulher que nunca baixou os braços para que as pessoas próximas tivessem ajuda no que fosse necessário. Não foi apenas o dinheiro que cedeu, foram acima de tudo os seus braços e o corpo que estiveram sempre disponíveis para acolher os que diversas vezes vieram ao seu socorro. Esteve sempre lá na febre alta, no portão do colégio, na praia, nos aniversários, festas e natal, a passar e lavar roupa como se o mundo acabasse amanhã se não o fizesse, a fazer os almoços entre aulas, as costeletas com pimentão e tudo o que cozinhava com mão de ouro, a enfiar os sabonetes de feno de Portugal no meio dos lençóis, n...