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Deixar a meio

Nem sei bem se ficou a meio ou se ficou completamente por fazer. Ou talvez o tenha começado a fazer antes de tempo, que é por vezes uma das minhas falhas – antecipar – para tentar sofrer menos. Imaginar tudo na pior versão possível para que, quando se der não ser tão mau. Os cenários híper catastróficos que traço são sempre desgraças muito mais grandiosas e espetaculares que a realidade, felizmente. Não me ajudam a prevenir o inevitável mas ajudam-me a registar memórias de boa qualidade com muita precisão. Como faço tudo isto de forma consciente, sei o que estou a registar e porquê, por isso a informação que armazeno tem muitos detalhes e é construída com uma visão 360, e é simultaneamente registada de dentro para fora e de fora para dentro. De que vale uma boa memória se não conseguirmos sentir o que sentimos naquele momento, sempre que a revisitamos? Faz hoje 4 anos que morreu a minha avó Rosa. Podia começar com aquelas bonitas contagens de horas, minutos e segundos que se passaram...

Para as mulheres da minha vida

Estou em falta com a minha avó Maria, e não queria terminar janeiro sem falar sobre ela. Ainda me estou a habituar a esta condição de órfã de avós... Vou escrever sobre as mulheres da minha vida, onde obviamente está também a minha avó Maria, com o seu papel imprescindível. Muito se diz sobre a forma como as mulheres se lixam umas às outras e como podem ser venenosas entre elas e por aí fora, como se os homens entre eles não fizessem o mesmo. O que não se diz, é que as mulheres têm uma noção de grupo e de clã formidável! Por sermos mulheres temos em nós um dispositivo interno que nos faz automaticamente ajudar as outras mulheres e homens (é claro), mas sobretudo entre nós. Funcionamos como um todo. Como os lobos da alcateia, não deixamos as nossas para trás. Ajudamo-nos, tomamos conta umas das outras, ouvimos, damos a mão, amparamos os filhos, fortalecemo-nos e criamos laços profundos. Toda a mulher que tenha uma boa amiga, tem apoio garantido, nunca vai estar sozinha. Nun...

Jim Morrison

Estava aqui a pensar na forma de abordar, novamente este tema, é um tema recorrente… Quem lê o blog e quem me conhece, sabe que, pelo menos em duas datas especificas volto a falar sobre os Doors ou sobre o Jim Morrison. Os argumentos não se esgotam, nem nunca se esgotarão! O Jim Morrison é um personagem universal, um ídolo por estatuto próprio. Teria sido sempre um personagem marcante, na história dos EUA ou do mundo, disso não tenho dúvidas. Mas é pela música e pela poesia que o conhecemos melhor. A música e o seu poder universal, transpõe barreiras geográficas, físicas ou metafisicas, a verdadeira linguagem una do mundo. O Jim Morrison para além de ser um homem lindo e sexy, era um homem extremamente inteligente, uma característica que se manifestou muito cedo na vida, um leitor voraz e um homem muito culto. Estas características são por si só, pelo menos para mim, fascinantes: bonito, inteligente e sexy. Provavelmente um homem fabuloso para se conversar e aprender. Um...

Até à lua...

Aquele momento em que te ligam de madrugada e percebes que ias ter com aquela pessoa nem que estivesse na Mongólia.  Mas não vais, ficas ali. Imóvel. Campainhas, soam campainhas. O sono atrasa-se para o dia a seguir. Na realidade nem pensas em nada. Ficas só, de olhos abertos a pensar se tiveste coragem porque disseste que não ou porque não disseste que sim. Querias ir. E irias. Mas não tens autorização para isso. Há que respeitar as regras. As coisas são como são. E tu aceitaste, assumiste como provisório. E era.  O teu caminho era outro. Ficou o aviso que irias partir, quando esse momento chegasse. Sem olhar para trás. E foram chegando várias ameaças que estaria para breve. Não aconteceram. Não estava destinado. Não resultou, não quiseste. Estes cenários só funcionam nos filmes ou quando nos dão autorização para isso. Não tens autorização. Não vais dizer que queres mais a quem não vai alinhar. Estas manifestações são noutras histórias. Filmes e coisas qu...

Diz que vens...

Se eu pedir para ficares, ficas? Se eu te pedir para vires, vens? Posso subornar-te com beijos? As histórias têm todas um começo, mas eu quero que a nossa tenha o presente como meta, quero hoje, quero amanhã, quero o sempre. O sempre na duração do nosso amor, como uma sede insaciável que nunca conseguimos superar. Sôfregos, desejosos e quentes… Não quero os tempos contados, nem as palavras sempre simpáticas, quero os actos marcantes que me deixam sem palavras, quero as surpresas inesperadas e as rotinas alteradas. Quero-te a ti só porque sim, se me fazes sentir saudades, é a ti que eu quero. Posso rabiscar argumentos infinitos, dar-te a chave da porta, deixar-te entrar, dizer-te aquilo que sabes porque sentes o mesmo… se te pedir para vires, vens? Quando os sonhos me chegam, na noite já alta, mesmo que não queira, mesmo que não escolha a minha alma viaja até ti. É lá que desejamos estar, perto de ti, com os teus cheiros, o teu toque, a tua presença. Diz que fic...