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Frustração

É como limpar o lixo para baixo do tapete, não é por não o vermos que ele não está lá! Se não o limparmos (eventualmente um qualquer dia…), não haverá espaço para mais lixo por baixo do tapete. Uma parte fica escondida e outra completamente de fora, a transbordar por todos os lados, a gozar com a nossa cara para nos lembrar o que quisemos tanto esquecer. Desde de tenra idade que nos ensinam que não devemos tornar visível a nossa frustração e em particular a tristeza. Não devemos demonstrar “fraqueza” nem vulnerabilidade. Devemos engolir os sapos, limpar as lágrimas encher o peito e continuar, continuar, continuar… como se nada fosse. E como é possível fazer isto, sem nos danificarmos? Tudo o que fica acumulado acaba por vir ao de cima, mais cedo ou mais tarde. Mesmo as questões que julgamos bem resolvidas ou achamos nós que já sabemos lidar com elas. Seja para nos avivar a memória, seja para as resolvermos de uma vez por todas. Independente do motivo, acabam por se manifestar. ...

Ponto de Saturação

Quanto se consegue aguentar, até que se atinja o ponto de saturação? Depende provavelmente de cada um, o ponto de saturação pode ser grande, pequeno ou médio e pode ainda ser mais ou menos rápido de se atingir de acordo com estes pressupostos. Não deve existir uma regra para estas coisas, mas existe seguramente um momento de viragem, em que se diz: Basta! Seja porque motivo for: apenas pelo cansaço acumulado, pela incompreensão, pelo desgaste, pelas sucessivas tentativas sem sucesso, pela insistência, por se acreditar, pela fé, por amor, por desejo, por casmurrice… enfim pelos mais diversos motivos. Todos em conjunto ou repartidos, acabam por causar um peso na alma que não tem explicação, um quebranto no corpo que só nos faz ter vontade de cair de joelhos sobre a terra! Aceitar que é preciso desistir, saber reconhecer que às vezes é a única solução. Não é cobardia ou falta de coragem, é o momento em que se percebe que se continuar por ali, vai-se ficar doente do corpo e do espi...

Lisboa

Uma sexta-feira destas resolvi andar, que é uma coisa que gosto imenso de fazer… ajuda-me a pensar e a libertar o espirito de todos os stresses. É o meu momento de catarse. Então fiz-me à estrada do Saldanha até ao Rossio, que é um passeio fantástico e que se faz lindamente. Lisboa é uma cidade fabulosa, com um enquadramento único merecedora de todos os elogios que lhe possamos fazer. E lá fui eu, Fontes Pereira de Melo a baixo… Marquês de Pombal e Avenida da Liberdade a diante… com frio, mas um fim de dia fabuloso, uma caminhada inspiradora. Quando começo a chegar aos restauradores e já antes… vêem-se cartões amontoados nas entradas e recantados dos prédios na avenida, mantas, sacos, lixo e pessoas… na Avenida cruzamo-nos com várias pessoas, maioritariamente homens, que deambulam pela rua, sujos, desorientados, a falar sozinhos, desnorteados com a vida, com o tempo, com as circunstâncias… senti-me triste. E a tristeza foi aumentando à medida que me fui aproximando dos res...

Existem vários tipos de solidão…

A solidão imposta, a solidão por vontade própria ou por circunstancias da vida. Sei que existem muitas pessoas que optam pela solidão de forma consciente e sentem-se bem com isso, mas para mim não faz parte da nossa natureza. Precisamos dela como reflexão, silêncio ou isolamento mas por um período de tempo e não em permanência, somos seres sociais, precisamos de companhia e de afeto. E é tão natural como respirar, é assim que somos. Nós os humanos precisamos de amor – primeiro do amor próprio que podemos encontrar na solidão, como uma importante conquista pessoal e imprescindível para aguentarmos o dia-a-dia, mas superando essa parte, precisamos uns dos outros para complementar a nossa vida. Somos uns com os outros e uns pelos outros… se não é assim, devia! A nossa sociedade não colabora neste ponto, empurra-nos para uma solidão não desejada e em alguns casos, quase forçada. Se pensarmos na nossa família percebemos logo isso, somos obrigados a trabalhar quase até morrer… quem toma...