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A Guardiã

Bem ao seu estilo, sem subtilezas andou a minha saudosa avó Maria, Maria de Vale Côvo como era conhecida, a "enviar-me" lembretes sucessivos para não me esquecer dela. Como se isso fosse possível!  Não me esqueci querida avó, que fez no passado dia 24 de Janeiro dois anos que partiste. Todo o dia 24 estive pensar nela, era uma mulher divertida, alinhava nas nossas brincadeiras e como queria sempre saber do que tanto nos riamos. Nunca mais comi bolo de iogurte como aquele que nos deixava noite, após noite para comermos quando chegávamos a casa das noitadas.  A mulher do oráculo eras tu, obviamente. Igual a ti mesma e sem subtilezas a intrometeres-te nos meus momentos zen. Mais tarde no filme, que abriu o ecrã com um gigante 6 de Abril! Foi certeiro! Senti ao ver esta data, imensas saudades tuas, para que saibas.  Tive saudades das brincadeiras ao telefone, a troca de galhardetes em que sempre alinhavas sem te ofenderes. De tantos e tantos lanches ...

Avô Fernandes

Se o meu avô fosse vivo, faria hoje 93 anos. Gostava muito da forma como o meu avô me fazia sentir, todas as vezes, como se a minha presença ou chegada lhe tivesse iluminado o dia, os olhos dele brilhavam. Era quase sempre assim.  Marcou-o ter nascido tão pequenina - "parecia um coelhinho" - como dizia. E ainda exclamava: "como poderia uma coisinha tão pequena vingar?". Soube mais tarde que me visitava com frequência em casa dos meus outros avós. Desviava-se do caminho para casa, para me visitar, devia ser para garantir que o coelhinho crescia como devia ser. Avô, sou um osso duro de roer! Se calhar era isso que ele admirava quando nos víamos, que sobrevivi, cresci e tornei-me mulher apesar dele ter ficado pelos meus 14 anos.  Quando me recordo do meu avô Fernandes, sou sempre a Sophia e nunca a Sofia.  Era observador o meu avô, e eu gostava de forma como escrevia e do modo como se deixava encantar pelos livros que o meu pai lhe oferecia. Era um homem ...