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Meu Amor

Quero ver-te feliz todos os dias da tua vida, és daquelas pessoas que conseguem num só suspiro levar-me a equacionar tudo o que me rodeia, tens uma aura tão intensa à tua volta que não dá para nos abstrairmos de ti. Mesmo quando não te vejo, sinto a intensidade que tens em ti e que te torna tão singular, sinto a tua ausência e silêncio com o peso de um tempo que não passa e que custa a passar. O mesmo tempo que nos faz ganhar vida e conhecimento sobre nós próprios e que nos ajuda a expandir por terrenos desconhecidos e ansiar por mais. Tens sido o meu ritmo cardíaco em muitos momentos, o meu norte, o meu santuário, o meu confidente mais improvável. Contigo sinto uma enorme facilidade em partilhar o que me vai na alma, em confessar os meus segredos mais inconfessáveis, a tua compreensão liberta-me. Entendes-me sem julgar. Reconfortas-me nas minhas falhas e partilhas o teu ponto de vista. Desconfio saber, qual a razão fundamental para isto me estar a acontecer, provavelmente são todo...

Abre os olhos

Então, fecha os olhos, e o que sentes? A respiração quente, nervosa, descompensada. O coração que bate, bate, bate acelerado. Sentes a proximidade, não estás só. Mas não abres os olhos, não abras! Pode não ser verdade, pode não estar a acontecer. Enquanto estiveres no conforto da escuridão, fica tudo guardado nesse tempo, nesse momento. Um único instante solitário, teu. Dentro da cabeça amontoam-se memórias, lembranças, medos. Não abras os olhos! Se fizeres de conta que não sabes que os tens de abrir, não precisas abri-los. A música, a banda sonora toca. Tens música para todos os cenários. Dentro de ti toca, aquela que queres sempre ouvir, que toca só para ti e por ti. Com os olhos fechados não vês a água que começa a acumular e que te vai escorrer pela cara. Deixa, não abras os olhos! É aquela voz ao longe, as palavras sussurradas, escritas, pensadas, não ditas, essas todas sabe-las de cor. Vivem dentro de ti, nunca as tinhas ouvido noutra voz. Tão irreal. Não...

Desejo

Podemos desejar muito. Podemos desejar tudo. Se acreditarmos que merecemos este mundo e o outro, dificilmente alguém ou alguma coisas nos conseguirá deter. As proporções são sempre desproporcionais, entre o que achamos e sentimos que é nosso de direito e o que os outros acham. O que o mundo nos está disposto a dar depende sempre do nosso grau de empenho e conquista. O que os outros acham pouco importa, até porque irão achar que foi apenas sorte, e não trabalho o que conseguimos. Irão sempre achar-se injustiçados. Os outros serão sempre os outros, no seu próprio caminho. Se não vergamos somos arrogantes. Se vergamos, somos fracos. Se queremos muito, petulantes. Nunca haverá consenso. Nunca será fácil. É preciso inspirar e expirar. Parar, avançar e nunca desistir. Moldamo-nos com o tempo. Construímo-nos todos os dias. O que precisas de verdade? Sabes? Podes estar apenas a alimentar uma ilusão. Vais chegar lá, mas não vais ficar preenchido. É o risco que se corre, quando nã...

Campainhas

Perdeu-se a excitação de falar ao telefone.  O momento era aquele e só aquele, durante aqueles minutos ou horas, teríamos de falar de tudo e aproveitar cada instante. Na hora marcada para garantir que do outro lado nos atendem. E ficar confortavelmente a falar sem noção do tempo, a debitar palavras soltas, risos, memórias sem saber quando iriamos repetir o momento. E se não atender? Não vou saber quem ligou... E há-de voltar a ligar se quiser muito, sim porque não ficava registado deste lado, terá de ser o desejo ou a urgência do outro lado a voltar. Combinar uma hora e saber que às 20h o telefone vai tocar para nós, para perdermos a noção do tempo, do espaço e de tudo. Mas perdeu-se a emoção de falar ao telefone... Horas a fio, longas chamadas de fim do dia ou no final da semana ou apenas um olá: só para saber se estás bem. Queres sair? Queres fazer alguma coisa? Vamos tornar esta conversa real... E íamos. Perdeu-se isso tudo.  Um dia deixo cair da minha vida o tel...

Requintes de malvadez

Conquistamo-nos palmo a palmo. Como se a pele fosse o infinito. Milímetros quadros de aroma e temperatura. São as fusões que me encantam. A combustão da minha alma. O corpo que consome e quer consumir O desejar-te todas as vezes como na primeira vez. O não saber esperar. O querer mais. Os limites sem limites. É o querer na luxúria. Sem vergonha e sem pudor. São as interjeições sem limites É o muito que é tudo. O pecar com vontade. O pecar com maldade.

Os imprevistos

Os acasos, são sempre os acasos que me apanham. Sempre soube. Essencialmente os que não procuro. Todas as vezes que me demito de procurar, eles encontram-me. Cruzam-se comigo na rua. Apanham-me desprevenida mas acertam-me em cheio. Ganham quase sempre. Insisto em não deixá-los entrar. Sou teimosa Finjo que não guardo na memória bocadinhos e pormenores. Fecho os olhos para não ver o que não esqueço, mesmo que me esforce. O que os olhos não veem guarda o olfato. Não consigo apagar. Saio vencida e deixo que me consuma. É um caminho sem retorno. O meu mundo muda. Passo a gostar-te de gosto e de sabor. Entende como quiseres. Quase tudo muda, a realidade transforma-se. Crescem coisas. Cresce o desejo que se engrandece. Agiganta-se Um desejo que é: imutável, inalterável, permanente e todos os sinónimos que encontrares. Consome-me e consome-se, todos os dias na tua ausência. 

A cura dos 21 dias

São precisos 21 dias para se assimilar um hábito. Posso alimentar-me de ti 21 dias. O desejo precisa de mantimentos. Quero que saibas onde mora cada sinal do meu corpo. O meu corpo como o mapa mundo do teu desejo. Não é só o corpo que ama. É tudo em nós. São os cheiros, os sabores o tacto. É o teu timbre e o teu calor. Tudo o que desperta os sentidos. A tua presença. Não é só o corpo que ama. É tudo em nós.

Condimentos

Se pensarmos bem, ninguém gosta de comida insonsa sem sabor, sem cor, sem gosto, sem sal ou sem doce… assim deslavada. Eu gosto dos sabores fortes e intensos, apesar de não ser fã de picante. Gosto dos sabores com especiarias, das cores e texturas, gosto de comer como se nota. Gosto, dá-me prazer os paladares diferentes, mais intensos, a diversidade, a companhia e todo o convívio de comer com os amigos ou em família. Gosto inclusivamente de cozinhar apesar de fazê-lo pouco e sem grande exploração dos meus potenciais dotes. Acho fascinante a mistura de ingredientes e saber-se pela mão a proporção correta. Já sei que vou ter uns amigos a perguntar-me: gostas de condimentos? Eu bem vejo como deixas a salsa e os coentros que te põem na comida. Sim, eu decoro os rebordos dos pratos com a salsa e coentros, não que não goste do sabor deles…mas normalmente são muitos os que põem e eu não gosto de comer ramos inteiros de salsa e os pauzinhos verdes da mesma… não renego a minha metade d...

Diz que vens...

Se eu pedir para ficares, ficas? Se eu te pedir para vires, vens? Posso subornar-te com beijos? As histórias têm todas um começo, mas eu quero que a nossa tenha o presente como meta, quero hoje, quero amanhã, quero o sempre. O sempre na duração do nosso amor, como uma sede insaciável que nunca conseguimos superar. Sôfregos, desejosos e quentes… Não quero os tempos contados, nem as palavras sempre simpáticas, quero os actos marcantes que me deixam sem palavras, quero as surpresas inesperadas e as rotinas alteradas. Quero-te a ti só porque sim, se me fazes sentir saudades, é a ti que eu quero. Posso rabiscar argumentos infinitos, dar-te a chave da porta, deixar-te entrar, dizer-te aquilo que sabes porque sentes o mesmo… se te pedir para vires, vens? Quando os sonhos me chegam, na noite já alta, mesmo que não queira, mesmo que não escolha a minha alma viaja até ti. É lá que desejamos estar, perto de ti, com os teus cheiros, o teu toque, a tua presença. Diz que fic...