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Fora da Quarentena

Finalmente “desconfinados“ e depois de ter lido todos os desabafos e mais alguns que por ai se escreveram, aproveito para partilhar a minha experiência. Durante este período o que mais me disseram foi: “tenho pensado tanto em ti, tu ai sozinha…” e “como consegues viver aqui sem ter alguém para conversar?”. Como explicar isto, sem parecer demasiado filosófico ou uma balela. Estar só não significa estar sozinha, mesmo estando sozinha eu não me sinto só, nunca senti. A solidão não me pesa, nem nunca me pesou. Entendo que faça confusão a algumas pessoas mas eu sou uma companhia porreira para mim própria e aprecio-me bastante. Por isso, o estar sozinha não me causou mossa e o não conversar com ninguém também não foi verdade, falei com muitas pessoas durante a quarentena, troquei muitas mensagens, fiz inúmeras chamadas de vídeo, falei muito comigo mesma e com as minhas gatas. Não senti falta de falar com mais ninguém. Peço desculpa pela franqueza. Faz-me alguma confusão que as pessoa...

O Luto

O ser humano tem muitas dificuldades em cumprir os processos que a vida impõe, o luto é um deles.  Ninguém aceita de ânimo leve uma perda, ninguém aceita a perda como mais uma etapa.  Somos educados e ensinados a lutar contra o luto, todos passamos por ele em alguma altura da vida, mas socialmente é nos incutido que devemos passar à frente de imediato. Não é bom ficarmos tristes, chorar ou deixarmo-nos consumir pela desolação, temos de avançar para outro estado o mais rápido possível. Não é de todo mentira, temos de avançar e seguir em frente, no entanto, precisamos também sentir a perda e para isso o luto é essencial. Houve qualquer coisa importante que desapareceu, que partiu para sempre, que mudou de plano e nos deixou um vazio incomensurável. Ignorar a dor que isso nos provocou vai fazer com que essa mesma dor nos acompanhe por toda a vida, precisamos gastar os "créditos" enquanto esta sensação está presente e bem viva em nós. Caso contrário, vamos passar a im...

Bipolaridade

Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei.... Não quero saber. Não quero entender. Não quero ser compreensiva. Não quero ser o que esperam que seja. Não quero ser suave. Não quero ser segura. Não quero servir de apoio. Não quero abrir a boca. Não quero responder ou dar justificações. Não gosto do frio. Não quero comer. Não me apetece fazer conversa de circunstância. Não quero ouvir vozes. Não quero acender as luzes. Não quero responsabilidades. Não quero silêncio. Não quero a rotina. Não quero dinheiro. Não quero relógios ou horas. Tenho raiva. Quero partir tudo. Quero que me deixem em paz. Vão bugiar! Quero que tomem conta de mim. Quero que me desejem. Que não finjam preocupação ou carinho. Quero desaparecer. Quero admiração, luzes e alegria. Quero  música em alto e bom som. Quero dançar até cair. Quero imprevistos. Quero interesse. Quero ter tempo sem limites. Quero inteligência e futuro. Quero leveza. Quero ter sorte. Quer...

Virados do avesso

Aviso: se continuarmos a viver assim, vamos acabar muito mal. Não sou portadora de más noticias ou de grandes desgraças, mas sei o que vejo e o que sinto. Se continuarmos a considerar as pessoas como adereços sociais, verbos de encher, excedentes no mundo, peças que apenas servem para servir não vamos a lado nenhum! Mais uma vez volto a bater na mesma tecla: o dinheiro, a economia não podem estar a cima da vida. Não podem valer mais do eu, tu e nós todos. Não compreendo e não aceito isto. Pode ser utópico, mas vai acabar por dar cabo do mundo!!!!! Ou mudamos e passamos a respeitar-nos, a compreender a importância única que cada um de nós tem, o valor e a mais valia que cada um tem ou nem a economia nos vai salvar. Esta postura mina o espirito das pessoas… deixa-nos doentes, deixa-nos tristes, incapazes, impotentes, raivosos, e pior de tudo… está em crescente.   As empresas justificam despedimentos pela falta de lucro, cortam nos rendimentos porque preferem investir n...

Condimentos

Se pensarmos bem, ninguém gosta de comida insonsa sem sabor, sem cor, sem gosto, sem sal ou sem doce… assim deslavada. Eu gosto dos sabores fortes e intensos, apesar de não ser fã de picante. Gosto dos sabores com especiarias, das cores e texturas, gosto de comer como se nota. Gosto, dá-me prazer os paladares diferentes, mais intensos, a diversidade, a companhia e todo o convívio de comer com os amigos ou em família. Gosto inclusivamente de cozinhar apesar de fazê-lo pouco e sem grande exploração dos meus potenciais dotes. Acho fascinante a mistura de ingredientes e saber-se pela mão a proporção correta. Já sei que vou ter uns amigos a perguntar-me: gostas de condimentos? Eu bem vejo como deixas a salsa e os coentros que te põem na comida. Sim, eu decoro os rebordos dos pratos com a salsa e coentros, não que não goste do sabor deles…mas normalmente são muitos os que põem e eu não gosto de comer ramos inteiros de salsa e os pauzinhos verdes da mesma… não renego a minha metade d...