Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta saudades

O dia da memória - a neta da Dona Rosa

Sofrer é sempre opcional mesmo quando se trata de saudades.  Faz-se o que todas as recomendações aconselham: lembrar as memórias felizes e os momentos especiais. Assim estarei sempre a celebrar e a honrar a vida da minha avó, pelas recordações contributivas que temos em comum. É uma forma de lidar com esta ausência. O tempo devia ajudar. Tem dias que parece que sim e outros que parece que não. Assusta-me que o tempo apague memórias, vivências, a estrutura das mãos dela, a cor do cabelo, as rugas da cara ou os cheiros. Já que os espaços físicos vão mudando, uns perderam-se para sempre e os objetos nem sempre conseguem ajudar na reconstrução de alguns puzzles da memória, o tempo poderia ser mais clemente! Fazer o quê? Não me incomodam os cemitérios, apenas as campas abandonadas. Isso sim, o fim do fim, as pessoas partiram todas e as memórias com elas. Ficam as campas a pairar num abandono compreensível, mas mesmo assim, triste de se ver.  Ontem, como em 2017 esteve sol com frio....

O tempo passa

Faz hoje um ano que tive de deixar partir a minha gatinha. Ninguém nos prepara para estas coisas, nem nunca iria conseguir sentir-me preparada para fazer de ânimo leve o que tive de fazer. Reconfortei-me com a nobreza do ato que todos os meus amigos me quiseram transmitir, como sendo o melhor e um ato de amor. Foi o melhor, obviamente tendo em conta o quadro clinico da gatinha. Talvez tenha sido também um ato de amor, vê-la sofrer estava a deixar-me destroçada. Ela estava esgotada, a Joaninha estava esgotada e eu acabei por desistir depois de uma semana de pouco sono e muito desgaste na tentativa de mantê-la viva. Nada nesta vida é para sempre, nem a vida das pessoas que amamos nem a vida dos animais que tanto nos dão nem a nossa própria vida. Por isso, aceitar com naturalidade todo o processo é o que nos resta saber fazer. Nunca será fácil mas é menos difícil encarando as coisas com a naturalidade que devem ter. Digo isto agora, com algum distanciamento depois de ter sofrido horro...

1 ano sem ti

Sem darmos conta, passou um ano. O tempo é implacável nestas coisas, corre sem parar, mesmo que algumas coisas nunca mudem.  Quando se perde uma pessoa importante, nada muda, a não ser a distancia da ausência. O resto é imutável, só a saudade que cresce e se multiplica. A minha ultima avó partiu faz hoje um ano, numa manhã de Janeiro com sol que reservou a chuva e o frio para nos acompanhar nos dias que se seguiram. Deixou-se ir, numa rendição que se adivinhou nos dias que antecederam a sua partida. No fim-de-semana, dela só restava um pouquinho de luz, senti a vida a deixá-la com suavidade. Ainda era ela, falou só porque a chamei, despedi-me dela com um beijo, estava quentinha e   bem aconchegada como sempre. Só foi só possível vivermos o que vivemos, em todas as férias de Agosto com minha avó, porque ela era como era! Apesar de se arreliar com a nossa vida louca e do pouco tempo que passávamos em casa e a fazer-lhe companhia, tinha mais curiosidade em saber o que...

Cuidar

Posso ficar assim, no teu colo e fechar os olhos? Prometo não incomodar. Podemos ficar em silêncio ou falar até ficarmos sem voz. A proximidade para sentir que estás vivo, quente e a respirar. Apetece-me afogar o telemóvel no meio do mar alto. Não desejar receber mensagens que não chegam nem chamadas que não se fazem. Queria que me procurasses onde sabes que estou. Sem pré avisos. Só porque sim. Deixámo-nos minar pelo tempo controlado, e não pela nossa vontade. Perdemos a capacidade de nos surpreendermos. Já ninguém se dá ao trabalho de fazer surpresas, do inesperado, do espontâneo… só porque apetece. Deixa-me respirar a tua pele, o teu cheiro e o teu perfume. Guardar na minha memória o que alma resistiu absorver. Tenho saudades das noites longas e da proximidade. Deixa-me cuidar te ti. Prometo que deixarei que cuides de mim. Posso ficar só assim, encostada a ti? Enquanto me dizes ao ouvido: " I love you, the best Better than all the rest" (Morri...

Avô Fernandes

Se o meu avô fosse vivo, faria hoje 93 anos. Gostava muito da forma como o meu avô me fazia sentir, todas as vezes, como se a minha presença ou chegada lhe tivesse iluminado o dia, os olhos dele brilhavam. Era quase sempre assim.  Marcou-o ter nascido tão pequenina - "parecia um coelhinho" - como dizia. E ainda exclamava: "como poderia uma coisinha tão pequena vingar?". Soube mais tarde que me visitava com frequência em casa dos meus outros avós. Desviava-se do caminho para casa, para me visitar, devia ser para garantir que o coelhinho crescia como devia ser. Avô, sou um osso duro de roer! Se calhar era isso que ele admirava quando nos víamos, que sobrevivi, cresci e tornei-me mulher apesar dele ter ficado pelos meus 14 anos.  Quando me recordo do meu avô Fernandes, sou sempre a Sophia e nunca a Sofia.  Era observador o meu avô, e eu gostava de forma como escrevia e do modo como se deixava encantar pelos livros que o meu pai lhe oferecia. Era um homem ...

Diz que vens...

Se eu pedir para ficares, ficas? Se eu te pedir para vires, vens? Posso subornar-te com beijos? As histórias têm todas um começo, mas eu quero que a nossa tenha o presente como meta, quero hoje, quero amanhã, quero o sempre. O sempre na duração do nosso amor, como uma sede insaciável que nunca conseguimos superar. Sôfregos, desejosos e quentes… Não quero os tempos contados, nem as palavras sempre simpáticas, quero os actos marcantes que me deixam sem palavras, quero as surpresas inesperadas e as rotinas alteradas. Quero-te a ti só porque sim, se me fazes sentir saudades, é a ti que eu quero. Posso rabiscar argumentos infinitos, dar-te a chave da porta, deixar-te entrar, dizer-te aquilo que sabes porque sentes o mesmo… se te pedir para vires, vens? Quando os sonhos me chegam, na noite já alta, mesmo que não queira, mesmo que não escolha a minha alma viaja até ti. É lá que desejamos estar, perto de ti, com os teus cheiros, o teu toque, a tua presença. Diz que fic...

Hoje assim...

Com saudades de ter saudades. E não são saudades do que não vivi, porque não posso sentir falta do que não sei. Não é o desconhecido que me faz sentir saudade, o que me faz sentir saudade é tudo aquilo que reconheço, que sei que é bom, que me marca, que mexe com a alma. O futuro trará saudades quando se tornar passado, antes disso não. Expectativas não são saudades,  são outro tipo de sentimento. Sinto saudades do meu avô, da infância onde todos estavam presentes, de ser criança, das costeletas com pimentão da minha avó e de brincar sem preocupações e sem tempo. Sinto saudades das borboletas na barriga, de levitar, de me sentir apaixonada, do amor bom! Sinto saudades dos dias longos, quentes, meio loucos e não planeados. Das noites inteiras a conversar, do nascer do sol, das chegadas ao aeroporto às 4 da manhã para partir para o desconhecido. Dos telefonemas e mensagens e meio da noite, das gargalhadas de fazer doer a barriga, de bons filmes, das melancias giga...

Para o meu avô

O meu avô faria hoje 90 anos. Não gosto de usar o verbo nesta forma: "faria" mas parece que é assim que tem de ser, quando a presença física de uma pessoa parte para outra dimensão. Porque hoje faria 90 anos, dei por mim a pensar que já vivi mais tempo sem o meu avô do que com ele. Mas por outro lado, a proporção do tempo não condiciona em nada, o meu afecto por ele, a intensidade do que vivemos, a saudade ou a nossa história comum. Tenho pena que não tenha sido mais tempo e não que tenha sido pouco, o que é substancialmente diferente. O pouco foi bom, cresceu comigo e alimenta-me todos os dias. Podemos viver intensamente em 24h o que nunca viveremos em alguns anos, algumas coisas são assim. Vivi treze anos da minha vida com o meu avô e até agora vinte e dois sem ele... é muito. Mas as contas não podem ser feitas assim, tão certas com o ritmo da vida, porque na nossa vida passam pessoas que simplesmnente passam e outras permanecem, ambas com relevâncias diferentes, e o ...