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Loucura

Coisas da loucura. Quando já não se suporta o tempo normal dos dias, quando fica intolerável o peso da roupa no corpo, quando o frio não cessa o calor, só pode ser loucura.  O saber que se quer muito, e não saber o que fazer. O desejo acumulado que rebenta por todos poros. As noites de sono perdido, horas lentas contabilizadas a conta gotas. Dias que parecem meses. O perder o norte e todos os restantes sentidos.  Estado febril de alma, dormência, demência, ausência e muita urgência. Doença diagnosticada que se alastra lentamente pelo corpo, percorre a pele e todas as entranhas. Células de ADN reprogramadas. Cegueira momentânea ou permanente, que acompanha a propagação da loucura. Como a água que transborda de uma albufeira, alastra-se por toda a extensão de terreno, infiltra-se e faz-se absorver pela terra, sem que esta tenha opção de escolha. É a necessidade, a seca que tem de ser combatida, o restabelecer da ordem natural das coisas, a natureza sabe o que faz. ...

Inverno

Os dias arrastam-se, implacáveis como o Inverno. Nunca será bom, nem seco, nem molhado, nem frio, nem ameno, será sempre preto e branco na pior das versões possiveis. Imagens feias que se dizem bucólicas, árvores secas e vazias, pessoas debotadas, infelizes, corpos que se arrastam com montanhas de roupa. Passamos por criaturas bafientas que vivem mortas, como as folhas que sobram nos ramos. Todas as estações estão equilibradas na divisão do tempo, o Inverno parece triplicado em tempos intermináveis. Como é romântico o fogo! Se desse vida ao que está morto, não tenho duvida que seria. No inferno nada disto é possivel. Lá esperam-nos requintes de malvadez, ordenados e desordenados mas prontos a usar. É o calor, dizem que transforma e transtorna as pessoas, induz a actos primitivos e irreflectidos semelhantes ao instinto animal selvagem. Antes isso que passar pela vida como uma sombra. É isso que o meu corpo te traz, vida. É vida que te dou, obrigo-te a viver e a ver como é b...

Conversas sobre sexo

O peso da censura anda sempre em cima da cabeça de uma mulher! Se a mulher é sexy é demasiado oferecida, se é sensual é uma puta, se é uma santa é sonsa… e assim de nenúfar em nenúfar se afunda a ninfa no pântano da pouca vergonha!  Quem inventa estes rótulos/mitos? A igreja? As mulheres? Os homens? Os vizinhos? Os livros??? Quem??? Nossa senhora nos valha… se não se faz é porque não se faz, se faz pouco tem falta desenvoltura, se faz muito é vaca… ó céus! O sexo para as mulheres é tão necessário como para os homens, com algumas diferenças substancias já que nós precisamos de mais do que um piscar de olhos e um rabo, para o sexo.  A realidade é que qualquer mulher pode ser sexy, sensual, depravada, ordinária sem nunca deixar de ser decente. Claro que irão sempre existir diferenças entre homens e mulheres. Essencialmente porque os homens querem isso tudo numa mulher, mas não conseguem transpor isso para a mãe, mulher ou filha… essas não são como as outras. Ora fran...